O estalinismo, novamente

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O assassinato de Trotsky por um estalinista a serviço do estalinismo está documentado.

 

Não por acaso, depois que saiu da cadeia por tamanha infâmia, o assassino foi recebido como herói pelo Partido Comunista na antiga União Soviética.

 

No fascinante texto de crítica ao livro O homem que amava os cachorros, publicado no Correio da Cidadania, a historiadora Ângela Mendes de Almeida deixa claro que tem lado.

Mas, infelizmente, alguns comunistas da reorganização, particularmente alguns em São Paulo, tratam o estalinismo como se fosse invenção do imperialismo estadunidense, esquecendo-se que no período de Stalin foram executados dois terços do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, a exemplo de comunistas históricos como Nikolai Ivanovich Bukharin.

 

Na defesa de Josef Stalin e do estalinismo, esses comunistas de São Paulo se confundem com o PC do B e chegam a afirmar que houve julgamento público dos dissidentes executados e que eles surgiram depois da 2ª Guerra Mundial, quando foram mortos mais de 20 milhões de russos, entre os quais muitos comunistas do Comitê Central. E que os “renegados” assumiram os lugares dos comunistas combativos.

 

Tal “releitura” da história apenas confirma que a autocrítica de alguns do PC, em São Paulo, em relação ao reformismo e ao estalinismo, é de faz de conta, embora seja forçoso reconhecer que Josef Stalin tem aspectos positivos na sua trajetória, como na derrota do nazismo na 2ª Guerra Mundial. E que Leon Trotsky errou muito, principalmente a partir da metade para frente da Revolução Socialista.

 

Mas no Brasil e no mundo há muita resistência ao PC e surgiram várias dissidências. Além de o partido estar isolado e falar para os mais dos mesmos, sem base social. Até a crítica aos governos social-liberais de Lula/Dilma fica comprometida com o não combate ao estalinismo.

 

Se a reorganização do PC for pra valer, o melhor é redefinir a reorganização como uma refundação e não ficar brigando com o PC do B por ser o verdadeiro e original Partido Comunista.

 

O atentado às torres gêmeas em Nova Iorque e depois o assassinato de Bin Laden pelos EUA, chamado de Operação Jerônimo, foram vistos pelos lunáticos esquerdistas, e outros mais, como um plano da CIA e Bin Laden já estaria morto desde antes de 11 de setembro de 2001, embora não apresentem provas. Se isso fosse verdade e os Estados Unidos conseguissem enganar toda a imprensa internacional, significaria que o capitalismo seria eterno.

 

Ficou provado que Bin Laden era cria da CIA, tinha negócios com o então presidente George Bush, o filho, e a mesma CIA soube com antecedência do atentado e não fez nada, porque os Estados Unidos queriam invadir o Iraque, como de fato invadiram e mataram Saddam Hussein.

 

Sobre o assassinato de Bin Laden, o historiador Mário Maestri escreveu, na época, e com prudência, o fascinante texto Jerônimo Vive, referindo-se a Jerônimo apache que, no século passado, se bateu, bravamente, contra soldados norte-americanos.

 

Otto Filgueiras é jornalista e está lançando o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular.

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