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Em novembro o Podemos será mais pragmático ou vai manter a firmeza política dos movimentos? Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania   
Quarta, 03 de Junho de 2015
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Os resultados das eleições administrativas de domingo, 24 de maio, onde 49,79% dos espanhóis com direito ao voto foram renovar os prefeitos de 8.122 municípios, bem como os deputados dos 13 parlamentos das regiões autônomas (excluindo Andaluzia, Galícia, Catalunha e Euskadi – País Basco) e dos conselhos provinciais das ilhas (Canárias e Baleares), determinaram o fim da bipolaridade partidária no sistema eleitoral, cerne do Pacto de Moncloa, que em 1978 reconciliou os espanhóis com a democracia, após 41 anos de ditadura franquista.

 

Na prática, este sufrágio eleitoral desmontou por completo o mapa político desenhado após as eleições de 2011, quando o direitista “Partido Popular” (PP) e o socialista-reformista “Partido Socialista Operário espanhol” (PSOE) abocanharam 80% dos sufrágios. Hoje, o Partido Popular do primeiro-ministro Mariano Rajoy, apesar de continuar sendo o principal partido espanhol, com mais de 6 milhões de votos, foi também o principal derrotado dessas eleições, tendo perdido mais de 2,5 milhões de sufrágios. A maioria desses votos emigrou para o novo partido de direita “Ciudadanos - Partido de la Ciudadania” (Cidadãos – Partido da Cidadania), que Alberto Riveira Diaz fundou em 2006 com as subvenções financeiras dos grandes empresários e o suporte da “Grande Mídia” espanhola, como objetivo de ser o novo baluarte da direita.


O Partido Socialista Operário Espanhol, de Pedro Sanchez, apesar de se apresentar com a histórica legenda do PSOE (fundado em 1879 pelos marxistas Pablo Iglesias e Jaime Vera), perdeu cerca de 800.000 votos, que emigraram para as coligações que o partido “Podemos” liderou nessas eleições.


O motivo desse maciço êxodo eleitoral são as responsabilidades que o PSOE detém na explosão da crise econômica durante o governo de José Luís Rodríguez Zapatero. Por outro lado, os rumos da “regeneración social-liberal” que Felipe Gonzales introduziu em 1979 se revelaram um desastre para o PSOE que, recentemente, cometeu outro erro político, ao votar com o PP a modificação do artigo 135 da Constituição. Um erro que os eleitores não perdoaram.

 

Os resultados dessas eleições definiram um novo cenário político na Espanha, cuja conjuntura política, institucional e partidária será definida somente no dia 13 de junho, quando as direções dos partidos oficializarão as alianças que deverão sustentar os governos municipais nos próximos quatro anos.  Por exemplo, o Partido Popular tem a maioria absoluta somente em Málaga, nas restantes capitais regionais deverá negociar com o partido Ciudadanos ou optar pela oposição.

 

Por sua parte, o partido Podemos se aproveitou dessa conjuntura para crescer em termos organizativos, além de enfrentar a complexa conjuntura espanhola com uma excelente dinâmica política. De fato, em menos de quinze meses após sua constituição - realizada em 17 de janeiro de 2014 -, Pablo Iglesias Turrion, Iñigo Errejón e Juan Carlos Monedero transformaram esse pequeno partido no principal componente da oposição, capaz de dar voz e espaço nas instituições aos movimentos populares.

 

Por que o Podemos ganhou em Madrid e Barcelona?

 

A grande novidade dessa eleição foi a decisão do Podemos de apoiar todas as lideranças e os movimentos populares sem exercer nessas candidaturas o peso e a autoridade do partido. Uma tática que deu certo, diferentemente da experiência da Izquerda Unida (IU – Esquerda Unida), que nunca conseguiu aglutinar os movimentos em termos eleitorais e nunca foi capaz de organizar uma “Frente Popular” verdadeiramente representativa.

 

Isso porque, na maioria dos casos, o antigo sectarismo dos membros do PCE (Partido Comunista Espanhol), catapultados na Izquerda Unida (IU), e a lógica do pragmatismo reformista, em base à qual a IU apoiou o governo do PSOE de José Luís Rodríguez Zapatero, de 2004 a 2008, se revelaram barreiras insuperáveis no relacionamento com os movimentos. Um contexto que, em 2008, determinou a saída dos grupos de esquerda da IU, que constituíram um novo partido, chamado Izquierda Anticapitalista.

 

Portanto, a controversa experiência da Izquerda Unida foi a referência que Pablo Iglesias Turrion, Iñigo Errejón e Juan Carlos Monedero, líderes primeiro do Movimiento 15-M (conhecido por Movimento dos Indignados) e depois do partido “Podemos”, adotaram para definir o relacionamento político e organizativo com os movimentos populares.

 

Por exemplo, em Barcelona, capital da Catalunha e centro político, organizativo e cultural do processo independentista promovido pela poderosa burguesia catalã ao lado do ex-prefeito nacionalista, Xavier Trias, ninguém imaginava que Ada Colau, líder do PAH (Plataforma das Pessoas Afetadas por Hipotecas), pudesse bater a poderosa agremiação da direita conservadora - “CiU” (Convergência e União) - e conquistar a simpatia e a confiança de muitos eleitores do PSOE.

 

O segredo do sucesso de Ada Colau, e consequentemente do Podemos, chama-se “CUP”, isto é: Candidatura da União Popular, graças à qual as candidaturas adquiriram uma nova faceta política. Assim, em Barcelona, a jovem, Ada Colau (41), histórica líder da PAH, um movimento social que organizou as pessoas expulsas de suas casas por não poder pagar a hipoteca aos bancos, ganhou o direito de ser candidata.

 

Isso, principalmente, porque a PAH foi o movimento que promoveu inúmeras lutas para impedir que os bancos se apoderassem dos bairros populares da cidade. Com base neste novo conceito de fazer política é que surgiu a coligação Barcelona em Comunidade, na qual participaram vários partidos, inclusive os independentistas e os movimentos organizados (Iniciativa para a Catalunha, Esquerda Unida, Esquerda Anticapitalista, Alternativa, Podemos, Ganhemos Barcelona e Processo Constituinte), bem como todos os coletivos dos bairros da cidade.

 

Também em Madrid, o grupo dirigente do Podemos somou outro memorável sucesso político, integrando a “lista cívica” Ahora Madrid (Agora Madrid), cuja candidata a prefeita era uma velha senhora de 71 anos com um passado de luta irrepreensível. De fato, Manuela Carmena, advogada, mas também antiga juíza que o regime censurou para evitar sua nomeação para o cargo de juíza constitucional, há muitos anos é considerada em Madrid o símbolo das lutas pela legalidade e contra a corrupção, pelo respeito aos direitos civis e das denúncias contra as torturas nas delegacias policiais.

 

Por isso, em Madrid, todos sabem que Manuela Carmela passou seus últimos vinte anos lutando contra as desigualdades sociais e as distorções do regime. Assim, quando os representantes da coalizão de movimentos e partidos Ahora Madrid tiveram de escolher o candidato da União Popular de Madrid, não tiveram dúvidas em querer Manuela Carmena.

 

Entretanto, a vitória de Manuela Carmena dependerá da vontade do PSOE em compor a aliança com o Ahora Madrid. De fato, o Partido Popular, de Esperanza Aguirre, elegeu 21 deputados municipais e Manuel Carmena poderá governar a prefeitura de Madrid, após 26 anos de reinado direitista, somente se os oito deputados eleitos pelo PSOE se associarem aos 20 do Ahora Madrid.

 

Uma aliança que parece já oficializada, do momento em que o líder do PSOE, José Luís Rodríguez Zapatero, logo se apressou em declarar: “O partido Podemos não é um partido populista mas, sim, um elemento da consciência popular”. Uma frase que poderá diminuir o antagonismo entre Podemos e o PSOE, do momento em que os Candidatos da União Popular (CUP) eleitos nas prefeituras cresceram de 112 para 372!

 

E em novembro?

 

Se estas eleições, na realidade, consolidaram o novo papel político do Podemos, por outro lado, o próximo apontamento eleitoral, de novembro, obrigará a direção desse partido a definir outro tipo de estratégia, já que nas eleições legislativas está em jogo a derrota institucional do PP e a consequente chegada nas salas do poder.

 

A vitória das Candidaturas da União Popular (CUP) em Madrid, Barcelona, Alicante, Sevilla, Cádiz, Castellón, Ciudad Real, Córdoba, A Coruña, Huelva, Lleida, Tarragona, Lugo, Mérida, Oviedo, Palma de Mallorca, Las Palmas de Gran Canaria, Pontevedra, Santiago de Compostela, Segovia, Soria, Tarragona, Toledo, Valencia, Valladolid, Zamora e Zaragoza, demonstrou que o Podemos tem  a capacidade programática de unificar a esquerda sem cometer os erros que, no passado, prejudicaram o projeto de Izquerda Unida.

 

Porém, esta nova perspectiva política apresenta dois problemas:

 

a) para ter a certeza de derrotar a direita em nível nacional – que hoje, além dos conservadores do Partido Popular (PP), apresenta o partido de Alberto Riveira Diaz, os “Ciudadanos” -, é absolutamente necessário que o Podemos seja capaz de coordenar o diálogo entre as diferentes representações dos movimentos e o PSOE, com vista a construir uma verdadeira Frente Popular;

 

b) nesse âmbito, o Podemos deverá reforçar sua organização, escolhendo quadros capacitados não só para alimentar a agitação política nos territórios, mas também para administrar as prefeituras sem cometer erros.

 

Não há dúvida que em novembro o empresariado e a direita espanhola e seus congêneres europeus deverão municiar uma campanha eleitoral excepcionalmente acirrada, explorando, em particular, todos os erros cometidos pelos candidatos eleitos pelo Podemos e os movimentos. Qualquer deslize, qualquer contradição, será amplificada em todo o país, dizendo-se “cuidado, espanhóis, esse é o futuro reservado a você com os extremistas do Podemos”!

 

Por outro lado, é necessário lembrar que nessas eleições a tônica da “Grande Mídia” espanhola contra o Podemos e os candidatos da União Popular foram dezenas e dezenas de reportagens, levianas e manipuladoras. Um contexto onde os jornais ABC e o El Pais, em particular, extrapolaram esse papel, procurando aterrorizar o eleitorado moderado e afugentar das urnas os indecisos afirmando que “Pablo Iglesias Turrion, líder e fundador do Podemos, se aproveita da crise econômica para apresentar as mesmas propostas do extremismo bolivariano, que na realidade são uma variante tática do comunismo”.

 

Não devemos esquecer que, no mesmo momento em que o Podemos era desqualificado como uma criação de Hugo Chávez, o jornal ABC aumentava a dose, veiculando uma reportagem em que atribuía ao presidente Maduro (sucessor de Chávez) e aos oficiais superiores bolivarianos uma pretensa associação com o narcotráfico colombiano, do momento em que a DEA estadunidense denunciava que o cartel de Medelín exporta para a Espanha toneladas de pasta de coca camuflada em diferentes produtos comerciais, tais como peixe seco, frutas, madeira, café em pó e carne congelada, a partir de vários portos do mar das Caraíbas, alguns deles venezuelanos.

 

Um contexto que no meio da campanha eleitoral obrigou Pablo Iglesias Turrion, mas também Iñigo Errejón e Juan Carlos Monedero, a resfriar seu entusiasmo pelas conquistas bolivarianas. Uma reação que alguns comentaristas definiram como “um recurso obrigatório do pragmatismo eleitoral, que será mais amplo quando os líderes de Podemos tentarem conquistar o eleitorado moderado nas próximas eleições de novembro”.

 

É difícil admitir que isso vai acontecer, no momento em que a pressão política dos movimentos, após a vitória nas eleições administrativas, irá cada vez mais em direção da rejeição das medidas de austeridade e da situação de crise provocada pelo Partido Popular do primeiro-ministro Mariano Rajoy. Um contexto onde o bolivarianismo é, apenas, uma referência histórica, enquanto o programa eleitoral será a soma de tantas propostas políticas formuladas nos bairros e nos territórios de luta de cada município espanhol.

 

Talvez, Pablo Iglesias Turrion, Iñigo Errejón e Juan Carlos Monedero deverão polir, corrigir e aperfeiçoar as propostas das bases, não para tranquilizar o eleitorado conservador ou moderado, mas, sim, para mobilizar o eleitorado do PSOE, sem o qual será quase impossível vencer o PP de Mariano Rajoy.

 


Leia também:

Eleições na Espanha: ‘o Podemos conseguiu o fato histórico de institucionalizar o descontentamento cidadão’ – entrevista com a cientista política Esther Solano.

 


Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália e editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania"

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Última atualização em Sexta, 12 de Junho de 2015
 

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