Lotados de carros

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Um antigo fundador do Partido Socialismo e Liberdade, PSOL, e ex-militante histórico do Partido dos Trabalhadores, PT, prevê que a crise do governo Dilma tem fôlego curto, que ela não sofrerá impeachment e que o Brasil será melhor depois.

 

Se a previsão estiver correta, os preços dos veículos automotivos, por exemplo, deverão deixar de ser os mais caros o mundo e as montadoras de veículos terão, finalmente, de investir seu próprio capital nas fábricas instaladas aqui. E não continuar usando dinheiro do governo como se fosse investimento próprio

 

Além de certa dose de idealismo, e ignorando a grave crise capitalista internacional que chegou ao Brasil, o antigo fundador do PSOL tem uma trajetória contraditória. Quando ainda era do PT, foi um dos intelectuais a dar sustança ao “lulismo” e chegou a raspar a barba, criticando e renegando o marxismo. Depois foi para o PSOL e disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Silva não tinha caráter. Agora retificou o que falou.

 

Hoje, parece não levar em conta os interesses imediatos e conservadores de sindicalistas metalúrgicos do ABC ligados ao PT. Para enfrentar as demissões em massa que as montadoras de veículos estão fazendo, o sindicalista quer que os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, FAT, continuem a ser utilizados para ajudar e proteger a indústria automotiva.

 

O lucro bilionário que a indústria automotiva teve nos últimos anos não pode ser esquecido. É hora de as montadoras entenderem que o tempo de “galinhas de ovos de ouro” acabou e que crise não vai passar tão cedo. E mesmo quando acabar, nada será como antes. Está certo que o socialismo ainda não é alternativa concreta, os partidos e organizações da esquerda revolucionária, marxista, enfrentam dificuldades, mas os tempos de hiper-exploração do mercado chegaram ao final.

 

Não basta fazer promoções, afirmar que os veículos estão mais baratos e dizer que o IPVA é grátis, para agradar e atrair aos compradores de classe média.

 

É preciso mais, muito mais, nesta fase de transição do capitalismo monopolista para o socialismo.

 

Além disso, é necessário não esquecer que, em detrimento do transporte coletivo, os carros individuais estão congestionando e poluindo ruas e avenidas das cidades.

 

Otto Filgueiras é jornalista e está lançando o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular

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