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Escrito por Otto Filgueiras   
Sexta, 22 de Maio de 2015
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Os ratos estão pulando do navio petista, fazendo água e ensaiando divergências com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a presidente Dilma Rousseff. Alguns foram líderes do Partido dos Trabalhadores (PT) e do governo federal na Câmara dos Deputados. Fazem críticas de direita.

 

Como se ainda fossem de esquerda, dizem que o PT virou uma ONG. Está certo que precisamos ser políticos e não fechar as portas para os dissidentes. Mas não podemos esquecer que essa gente não merece confiança e muito menos aceitar os motivos calhordas que apresentaram, na época, para abandonar a esquerda marxista.

 

O lulismo fez água e não emplaca outra eleição presidencial. E essa gente, os “dissidentes de última hora”, sabe disso. Por isso, envolvidos com a corrupção na Petrobras e citados na “Operação Lava Jato”, procuram suas antigas bases de esquerda marxista para voltar a se elegerem parlamentares e depois romperem mais uma vez. Vão continuar tomando drinques nas suas casas de bebidas refinadas. E jogando água no moinho capitalista, com a falsa roupagem de esquerda. Mesmo com papel destacado na luta contra a ditadura, essa gente hoje é suspeita.

 

Também sabemos que não podemos ser esquerdistas, doutrinaristas e militaristas. E que a reforma tem o seu lado revolucionário para sepultar de vez o capitalismo tupiniquim e internacional. A direita é tão sagaz que estuda O Capital e é possuidora até dos cálculos matemáticos que Karl Marx utilizou na elaboração de seu principal trabalho. Mas não podemos continuar fazendo de conta que o marxismo não precisa de atualização e que não houve graves problemas na antiga União Soviética e na proposta socialista.

 

De qualquer forma, mesmo com todos os equívocos, o socialismo marxista está na ordem do dia, é a alternativa. O capitalismo não é o fim da história e, da mesma forma que o neoliberalismo e o social liberalismo, também chegará ao final. O capitalismo, com suas sucessivas crises, sempre de superprodução, provocadas pelo próprio sistema capitalista, faz água.

 

Por isso precisamos avançar e conquistar corações e mentes de milhões de mulheres, homens, velhos e crianças explorados pelo capitalismo.

 

A questão democrática precisa caminhar junto com a alternativa socialista. Mas não a democracia formal da conservadora Câmara dos Deputados e do Senado Federal, dirigidas pelos direitistas e oportunistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Eles estão empenhados em destruir direitos para alterar o poder, conferindo mais foça aos indivíduos, menos ao Estado. Mais poder aos rentistas, menos aos trabalhadores. Mais poder a quem contrata trabalho, e menos a quem vive do dia-a-dia duro do trabalho. Eles são contra os direitos das mulheres, negros e de grupos de LGBTT.

 

Juridicamente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo tem o mesmo valor de um casamento heterossexual. Mas esta situação não foi aceita por diversas igrejas e segmentos sociais que buscam destruir os direitos para condenar relações homossexuais.

 

A possibilidade de virada política na direção de posições mais conservadoras, como quer o Congresso Nacional, se junta à perda de densidade dos movimentos sociais, abrindo espaço para destruição de direitos. Está aí a Lei da Terceirização já aprovada na Câmara Federal e o ajuste fiscal do ministro da Fazenda Joaquim Levy aprovado com apoio de parlamentares petistas e do PCdoB; embora o sítio Vermelho, do partido, publique um manifesto contrário ao ajuste fiscal. Além da proposta de Reforma Politica em tramitação na Câmara dos Deputados, ainda mais conservadora do que as regras atuais.

 

Direitos são resultados da luta social. Podem ser limitados e relativizados. Mas a desmobilização política, a perda de força dos partidos, a transformação da política em jogo de interesses, como querem Eduardo Cunha, Renan Calheiros e os partidos de direita, servem apenas para destruir direitos e fortalecer o capitalismo.

 

Por isso queremos que o Sistema Único de Saúde, o SUS, faça abortos de qualquer natureza, que as mulheres tenham o direito de decidirem o que fazer com o seu próprio corpo. Somos contra a homofobia, a favor de gays e lésbicas e por um sistema público eficiente de transporte, educação e saúde. Queremos o fim da Polícia Militar (PM) e um basta na matança de pobres e negros nas periferias. Não abrimos mão da punição para os facínoras de ontem e de hoje, tipo Jair Bolsonaro e Carlos Alberto Brilhante Ustra, o carniceiro da rua Tutóia e antigo comandante do DOI-CODI paulista.

 

Defendemos ampla liberdade para todos os credos religiosos, mas somos contrários ao fanatismo na religião, seja ela das igrejas católica ou das diversas evangélicas.

 

É possível vencer a direita e a extrema direita. Para isso precisamos ocupar ruas e praças, nos bater por uma frente de esquerda, com base social, que inclua desde comunistas até cristãos progressistas, e lembrar o exemplo do Vietnã de Ho Chi Mim.

 

Otto Filgueiras é jornalista e está lançando o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular.

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