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Nacionalismo escocês desmonta bipolaridade entre Trabalhistas e Conservadores, que ganham com apenas 36,9% Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania   
Terça, 19 de Maio de 2015
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Em um país como o Reino Unido, com uma população de quase 65 milhões que agrega, com dificuldade, os povos de Grã Bretanha, Escócia, Gales e Irlanda do Norte, apenas 66% (30 milhões) dos eleitores foram votar no dia 07 de maio, desarticulando por completo o tradicional sistema majoritário absoluto “First-Past´The Post”, além de provocar errôneas previsões em todas os centros de pesquisas e, consequentemente, nos jornalões da “Grande Mídia”.

 

De fato, o maior jornal britânico, “The Sun”, que publica diariamente 3,1 milhões de cópias, representando um formidável instrumento de pressão (talvez seria melhor falar em instrumento de manipulação), projetava a derrota do partido nacionalista escocês (Scottish National Party – SNP), o efetivo redimensionamento do partido xenófobo, neofascista e anti-europeu, o UK Independence Party – UKP - e a volta da bipolaridade política, com a disputa entre os conservadores e os trabalhistas.

 

Por sua parte, o jornal “da direita excelente”, “The Daily Telegraph”, bem como o “Financial Times”, mais conhecido por ser a voz do mercado, davam por certo a afirmação do partido Liberal-Democrata (PLD) de Nick Clegg, como em 2010, admitindo um sensível crescimento do UKP, em função do papel político de Nigel Farange, apresentado como o novo líder capaz de obscurecer as lideranças do partido conservador “Toryes” e, sobretudo, do partido trabalhista, Labour Party.

 

Mais realistas foram as análises do “The Guardian” (liberal-progressista), que apresentavam uma correta interpretação da ausência de um grande líder no partido conservador, além de silenciar os motivos da crise ideológica do partido Trabalhista (Labour Party), errando tudo, ou quase tudo, sobre as possíveis respostas dos eleitores que, em 2010, haviam votado por esse partido. Nesse descalabro de previsões, a “grande mídia” desqualificava, por completo, os pequenos partidos, tais como o SNP escocês, o autonomista Plaid Cymrv de Learne Wood e o Green Party (Partido Verde) da combativa Natalie Bennett.

 

Fim da bipolaridade política

 

No Reino Unido, o sistema eleitoral premia quem soma mais votos em cada distrito eleitoral. Por isso, durante quase um século, a classe política e a atividade parlamentar eram determinadas pela conhecida “alternância política na Câmara Baixa de Westminster”, onde, normalmente, a cada dois governos conservadores, havia dois governos dos opositores trabalhistas. É bom lembrar que a Câmara Alta não se assemelha a um Senado, mas, sim, a uma instituição da realeza, onde sentam somente os “Lords Espirituais” (os bispos da Igreja de Inglaterra) e os “Lords Temporais” (os representantes da aristocracia), que não são eleitos, mas são designados pela rainha e, por isso, têm poderes extremamente reduzidos. Por isso, todas as questões políticas do Estado e da Nação são debatidas e decididas principalmente pelos parlamentares da Câmera Baixa.

 

Desde 2000, os trabalhistas tentam argumentar uma reforma eleitoral. Um projeto que, agora, se tornou necessário e urgente, do momento que uma boa parte dos eleitores – como em 2010 - acreditou nas propostas e nos projetos dos pequenos partidos, determinando o fim da bipolaridade e, consequentemente, a inaplicabilidade do tradicional sistema eleitoral “First-Past´The Post”, em uso desde os tempos de Churchill.

 

Neste âmbito, o partido Conservador (Toryes) de David Cameron cresceu apenas 0,8% em relação às eleições de 2010. Mesmo assim, o sistema eleitoral o premiou elegendo 331 parlamentares (24 a mais que em 2010), em função da baixa percentagem de eleitores (30%) e da dispersão dos votos, mais distribuídos entre os pequenos partidos, em particular o SNP escocês, o direitista UKP, o Plaid Cymrv e o Partido dos Verdes. Uma realidade que alimentou a rejeição eleitoral de muitos políticos importantes, por exemplo: a ministra do Trabalho, Esther Mcvey (número três do Partido Conservador), e quatro ministros, Vince Cable, Danny Alexandre, Simon Hugues e Ed Davey, todos do partido Liberal-Democrata.

 

A este propósito, é necessário esclarecer que o partido Liberal-Democrata (PLD) de Nick Clegg, em 2010, surpreendeu a todos, ganhando notoriedade com 23% dos sufrágios, o que lhe permitiu entrar triunfalmente em Westminster com 57 parlamentares e obrigar o líder dos conservadores, David Cameron, a fazer um governo de coalisão com os liberal-democratas de Nick Clegg. Entretanto, nas eleições de 2015, os eleitores puniram de forma anacrônica o PLD, por ter prometido “mares e montes”.

 

Uma punição que foi brutal nos distritos da Grã Bretanha, onde o PLD perdeu 37 parlamentares, porque seus eleitores votaram em massa nos candidatos do Partido Conservador. Uma opção que não tem lógica, do momento que o PLD e os Conservadores estavam juntos no governo e as promessas de Nick Clegg, teoricamente, visavam amenizar as medidas do próprio governo.

 

Uma contradição que evidencia ainda mais os efeitos desse “tsunami eleitoral”, se considerarmos que até o líder do Partido Liberal-Democrata, Nick Clegg, foi derrotado em seu histórico distrito, Sheffield-Hallam, que foi abocanhado pelos conservadores.  Uma derrota que obrigou Nick Clegg a pedir a demissão do partido!

 

O liberalismo social perdeu o rumo

 

Depois de nove anos de efetiva predominância política, o Partido Trabalhista (Labour Party) – controlado pelos homens da corrente de Tony Blair, “New Labour” – não conseguiu mais dinamizar as teorias da “Terceira Via”, deixando, assim, o poder nas mãos dos conservadores, que voltaram a mexer no Welfare State (Estado de Bem Estar) para fechar as contas orçamentárias.

 

É necessário lembrar que, em termos políticos, os governos conservadores apresentaram poucas diferenças em relação aos antecedentes trabalhistas. Por exemplo, a decisão beligerante do atual primeiro-ministro conservador, Cameron, em atacar a Líbia para derrubar Gheddafi foi semelhante à tomada por Tony Blair quando, junto aos EUA, decidiu desarticular a Federação Iugoslava e, depois, destruir o Iraque, para acabar com o regime de Saddam Hussein. Todas as decisões geoestratégicas e econômicas dos conservadores e dos trabalhistas sempre defenderam os interesses “globais” da Glaxo Smith Kline, da Astra Zeneca (setor químico), da Briths Petroleum (gás petróleo), da Roll-Royce (motores para aviões), bem como dos conglomerados financeiros (HSBS, que é o banco maior do mundo), do Barclais Bank, do Royal Bank of Scotland etc. etc.

 

Portanto, quando os eleitores trabalhistas entenderam que a prometida conciliação entre capitalismo e socialismo democrático,  na realidade, era outra armadilha teórica para fazer o que o mercado precisava para manter suas margens de lucro (privatizações, terceirização, cortes orçamentários, redução dos direitos etc., etc.), então os eleitores do Labour Party, em particular os que representavam a Left of Labour (esquerda), começaram a emigrar para os movimentos, os partidos ambientalistas e o nacionalismo progressista escocês.

 

Nessas eleições, o Labour Party, em nível nacional, cresceu apenas 1,5%, somando 30,4% dos sufrágios, reduzindo o número de parlamentares eleitos de 257 para 232. Porém, se não fosse pelo sucesso que o Labour obteve no País de Gales e, em particular, na capital, Cardiff, a derrota teria sido maior, do momento que, na Escócia, os trabalhistas não elegeram 39 parlamentares, entre os quais o histórico líder do trabalhismo escocês, Jim Murphy, e mais dois dirigentes nacionais, Ed Balls e Douglas Alexander, muitos ligados ao líder Ed Milliband.

 

Esse, após a derrota eleitoral de 7 de maio, resenhou as demissões, criando ainda mais incerteza no seio do partido.  De fato, hoje, a liderança do partido revela uma disputa interna acirrada entre os “históricos” Yvette Cooper, porta-voz de assuntos nacionais do partido, e Andy Burnham, líder do setor de saúde, e os novos aspirantes, Chuka Umunna e Liz Kendall.

 

Candidatos que são expressão dos diferentes grupos em contenda pelo controle do partido, mas que, em termos de propostas políticas, não representam nada de novo!

 

O nacionalismo progressista Escocês

 

A “Dama Vermelha de Glasgow”, Nicola Sturgeon, deu o troco ao líder trabalhista escocês Jim Murphy, que em 2014 dirigiu a campanha “Better Togheter” (Melhor Juntos), com a qual o Partido Trabalhista (Labour Party) participou no referendum independentista requerido pelo líder do Scottish National Party, Alex Salmond.

 

Uma “vitória de Pirro”, que desenhou, por um lado, o fim político do jovem secretário do Partido Trabalhista, Edward Samuel Milliband, e, por outro, qualificou, em termos políticos, a saída dos trabalhistas escoceses do Labour, uma vez que não se reconheciam mais no “liberalismo social” de Tony Blair e, depois, de Gordon Brown. Por isso, a decisão de Edward Samuel Milliband de contrariar os anseios independentistas dos escoceses foi a gota d’água que fez implodir o Partido Trabalhista (Labour Party) na Escócia.

 

Foi nesse âmbito que se afirmou a liderança de Nicola Sturgeon, que se tornou a nova líder do nacionalismo progressista escocês, assumindo, em 2014, a direção do SNP (Scottish National Party), dando ao partido uma dimensão política efetivamente socialdemocrata, além de assumir vários compromissos políticos que os trabalhistas sempre rejeitaram. Por exemplo, com Nicola Sturgeon, o SNP se declarou contrário à adesão da Escócia à OTAN, aceitando permanecer na União Europeia e mantendo, assim, o Euro.

 

Porém, o choque político que se registrou entre o SNP e o Labour Party ocorreu nas questões econômicas e sociais. De fato, o trabalhista Edward Samuel Milliband tentou aliciar os eleitores escoceses com a retórica promessa de reconstrução do Welfare State” (Bem Estar Social). Mas, em Glasgow e em Edimburgo, ninguém acreditou, inclusive porque a “Dama Vermelha”, Nicola Sturgeon, formulou uma série de propostas políticas e econômicas que conquistavam o coração e as mentes de 90% dos trabalhistas escoceses.

 

Um cenário em que o SNP se transformou, rapidamente, no partido majoritário na Escócia e, por isso, nas eleições legislativas de 7 de maio, elegeu 56 parlamentares dos 59 que o sistema eleitoral destina à Escócia no Parlamento nacional de Westminster. É necessário lembrar que este sucesso foi determinado pela emigração política dos trabalhistas escoceses para o SNP. Em termos de matemática eleitoral, isso significa que o Labour Party perdeu 39 parlamentares.

 

Da mesma maneira que outros partidos independentistas europeus (menos o italiano da Liga Norte, autenticamente racista e de extrema direita), o Scottish National Party, sob a liderança de Alex Salmond e, agora, de Nicola Sturgeon, apostou na “socialdemocracia progressista”. Por isso sua plataforma partidária é em favor do desarme e contra o uso da energia nuclear. Requer mais fiscalização e uma taxação proporcional para definir o grau de riqueza. Exige uma melhor e mais diferenciada distribuição da renda nacional, tendo em conta que, no Mar da Escócia, há importantes jazidas de gás e petróleo e que a cidade de Edimburgo virou um importante centro financeiro de âmbito europeu, graças à expansão do Royal Bank of Scotland Group.

 

Elementos que Nicole Sturgeon fez questão de veicular entre os escoceses, não só para ganhar as eleições, mas, sobretudo, para qualificar o projeto independentista escocês, em base ao qual deverá ser banida a pobreza, permitindo a todos frequentar os estudos superiores nas universidades públicas.

 

O sucesso político e eleitoral do SNP é um sinal de que, no Reino Unido, o sistema político está passando por uma aguda fase de transição. De fato, esta foi a última vez em que os conservadores conseguiram explorar o medo e a típica indecisão dos “Littles Englanders” (os pequenos ingleses), isto é, a classe média da Grã Bretanha, Gales, Escócia e da Irlanda do Norte, que se sentem “ingleses” somente quando o governo de Londres lhes proporciona um mínimo estado de bem estar.

 

No próximo ano, o governo conservador de David Cameron deverá ter concluído a reforma constitucional que institucionaliza a definitiva autonomia dos governos regionais, para, depois, já no fim de 2016, realizar o referendum “BREXIT”, com o qual os eleitores britânicos, galeses, escoceses e irlandeses do norte deverão decidir se o Reino Unido deve permanecer na União Europeia e em qual dimensão.

 

De fato, o conservador David Cameron acredita poder ganhar esse referendum, por fazer uma espécie de chantagem com os tecnocratas da União Europeia, para obter deles um tratamento diferenciado em termos financeiros e econômicos.  Além disso, o governo deverá apresentar um projeto de lei para modificar o sistema eleitoral “First-Past´The Post”, do momento que a bipolaridade política entre conservadores e trabalhistas morreu nessas eleições e que, no futuro, a completa autonomia política de Grã Bretanha, Gales, Escócia e Irlanda do Norte exige um sistema eleitoral diferenciado e tendencialmente federalista.

 

 

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania

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Última atualização em Terça, 26 de Maio de 2015
 

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