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Enganos da esquerda e o marido da Jandira Imprimir E-mail
Escrito por Plinio Gentil   
Segunda, 11 de Maio de 2015
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Tenho ouvido de gente séria, que critica o governo porque ele virou para a direita, que a esquerda se engana ao classificar de coxinha todo protesto contra o governo do PT. Assim, dizem, estamos inviabilizando a aliança com aquela parcela da população que sofre com o aumento das contas mensais e a alta dos preços. Um amigo me falou, sensibilizado, de um vizinho, marido da Jandira, que parou de ligar o ventilador para dormir, mesmo nas noites mais quentes, para economizar energia e sobrar dinheiro para comprar remédio.

 

É tudo verdade. Mas não toda a verdade. Só aplaudindo o fora Dilma que o marido da Jandira grita, batendo na panela, mas negligenciando na tarefa de esclarecê-lo, é bem possível que os críticos à esquerda do governo acabem alimentando a onda golpista da direita.

 

É preciso ver com olhos bem abertos essa onda: ela se apoia na ideia de que o país está entrando numa recessão econômica e que isto se deve aos gastos dos governos do PT; a onda, claro, é apimentada com o sabor amargo da derrota eleitoral de 2014. Ora, a tal gastança dos governos petistas foi, em parte, por conta de investimentos que resultaram em ganhos sociais inegáveis.

 

Uma edição da revista Carta Capital de fevereiro publicou matéria com índices do IBGE, mostrando um aumento nítido do percentual de investimentos sociais de dinheiro público em relação ao PIB. Por outro lado, o próprio ministro da Fazenda, um economista ligado ao capital financeiro, afirmou este mês, num seminário sobre política fiscal, que o país não sofre ameaça de recessão e suas características, nesse aspecto, são diferentes da Europa.

 

Sabemos também que a sua escolha, bem como, antes dele, de outro homem forte do Bradesco, Luiz Trabuco Cappi, foi problemática porque ambos relutaram em aceitar as condições que a presidente impôs – entre elas, de que o remédio do ajuste fiscal e coisas do tipo durassem apenas dois anos. Quer dizer, por mais que o PT tenha se desviado do caminho original e esteja envolvido em trapalhadas e malfeitos, que a polícia e a justiça estão realmente apurando – vejam o que tem reconhecido Ricardo Semler, empresário ligado ao PSDB –, os últimos governos, indiscutivelmente, fizeram algo para avançarmos em ganhos sociais importantes e reduzir um pouco que seja da desigualdade.

 

E também é preciso ver que, dentro do próprio PT, há quem critique o rumo conservador que o governo está tomando - uma vez refém da direita, que, no Congresso, se expressa no domínio do PMDB -, sendo significativo que Arno Augustin, ex-secretário do Tesouro, faça crítica severa ao ajuste fiscal. Esse ajuste é cruel, para quem pensa nas necessidades do proletariado; é recessivo, para quem prioriza os fundamentos econômicos, já que reduz a demanda e, consequentemente, o crescimento.

 

Além disso, o que parece é também que estaríamos sendo afetados, tardiamente, pelos efeitos da crise econômica do mundo capitalista central. Ora, como avançamos socialmente, num período em que esse mundo estagnou, temos agora de pagar a conta: no fundo, é um raciocínio contábil. Pode ser que, com dois anos de ajustes, o país se estabilize e retome as conquistas sociais, que ainda precisam ser muitas, já que, diferente dos países centrais, nosso 1% dos mais ricos detêm 25% da renda nacional: lá, este índice vai de 10% a 20% apenas. Isso, entre outras coisas, nos mostra que a capacidade de reivindicação da nossa classe trabalhadora é menor e é preciso elevar essa capacidade, aumentando, para começar, sua capacidade de consumo.

 

Pois bem, é justamente isto, esse crescimento da capacidade de consumo das camadas socialmente subalternas – e aconteceu, por pequeno que seja –, que a direita não suporta. Ela tem urticária, febre, delírios, tudo, no fundo, por causa disso – e do que significam em termos de aproximação física com os que têm menos: vejam a demonização dos “rolezinhos”, a gritaria pela redução da maioridade penal, sabendo-se que os atingidos serão os jovens da periferia... Não suporta quer dizer não suporta mesmo e que vai às últimas consequências para acabar com a festa.

 

É precisamente para o que a esquerda crítica deve ficar alerta. O filme é velho. Trata-se do inevitável confronto do capital com o trabalho, que, quase sempre, termina com a vitória, geralmente golpista, do primeiro: vejam Vargas em 1954, Goulart em 1964, só para ficar com exemplos relativamente recentes. Os argumentos costumam ser os mesmos: aqueles que vemos agora e, concretamente, se traduzem nas dificuldades reais do marido da Jandira, que, no entanto, são apropriadas pela direita.

 

Como se aumento das contas, do preço da gasolina, o baixo salário (vamos lembrar que o atual salário mínimo somente neste ano recuperou o poder de compra de 1965?), uma alta da inflação fossem monopólio do governo atual. Perdi a conta das vezes que, em pleno governo da direita assumida, vi a inflação dobrar em pouco tempo, o preço do combustível subir assustadoramente (a ponto de produzir enormes filas nos postos para abastecer quando se noticiava que o preço ia ser reajustado), o desemprego multiplicar a população de rua, o salário perder poder de compra.

 

O general Figueiredo assumiu a presidência em 1979 com uma inflação anual de 38% e entregou o governo, seis anos depois, com um índice de 215%. Isso não é, portanto, privilégio de governos de esquerda, real ou falsificada – e não estou dizendo que não tem importância. Todavia, a direita faz a crítica como se ela patrocinasse coisa diferente, confiante na amnésia crônica da população. E, é claro, utiliza o marido da Jandira como massa de manobra, farinha da pílula... afinal é preciso fazer volume.

 

Mas é assim mesmo que agem todas as vanguardas, como foi, por exemplo, em 1789, na revolução burguesa na França, em relação ao lumpen-proletariado, e no caso do próprio movimento-golpe brasileiro de 64, que também se valeu dos medos de parte do proletariado, assustado com uma inflação de dois dígitos ao ano e um projeto de reformas sociais pintadas como demoníacas pela direita.

 

Em suma, está correta a avaliação de que a esquerda pode estar desprezando a queixa justa do marido da Jandira e, por isso, perdendo a sua possível adesão. Mas que o pau no governo Dilma vem da direita furiosa, isso não podemos desprezar, sob o risco de sermos vítimas de uma virada. Por incrível que possa parecer, não é absurdo pensar que, de repente, tenhamos que sustentar Dilma para assegurar o mal menor e garantir, no futuro, a continuidade dos avanços sociais. Se ela hoje é de direita, Deus nos livre, então, da outra direita.

 

 

Plínio Gentil é professor de Direito e Procurador de Justiça em São Paulo.

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Última atualização em Quarta, 13 de Maio de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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