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Reflexões sobre o estilo de trabalho Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 06 de Maio de 2015
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Os partidos, em especial os partidos de origem popular, precisam ter como coluna vertebral um estilo de trabalho que lhes permita verificar, analisar e corrigir seus erros. Estes são inevitáveis diante da complexidade da luta de classes. Nessas condições, sem um estilo de trabalho que tenha como parâmetro básico as relações com as massas trabalhadoras do povo, os partidos de trabalhadores e populares, em qualquer parte do mundo, correm o sério perigo de perder o rumo.

 

É verdade que tais partidos, às vezes, precisam enumerar, repisar e bradar seus feitos. Isto acontece, em especial, quando os inimigos tentam desmerecê-los, destrata-los e/ou negá-los. Mesmo então, porém, tal necessidade inadiável não justifica o abandono daquele estilo de trabalho. O espírito autocrítico precisa continuar presente, manifestando-se na busca, reconhecimento e inventário dos erros e de suas causas. Isto é indispensável para que a enumeração dos feitos e/ou glórias não pareça uma tentativa de justificar e/ou encobrir os malfeitos.

 

Essas reflexões gerais vieram à mente à medida que não vejo em muitos petistas, dentro e fora do governo, qualquer esforço evidente de se aprofundarem nos erros ou desvios que conduziram o PT à crise de 2005 e à crise atual. Todo o empenho deles tem se esgotado no esforço infrutífero de provar que o partido teve um papel positivo no fortalecimento da democracia, na melhoria das condições de vida de milhões de pessoas do povo e em outras realizações. E o reconhecimento de que ocorreram erros não tem passado de afirmações genéricas.

 

O problema prático consiste em que, diante da ofensiva da direita, o esforço para relembrar o papel positivo do PT na história brasileira contemporânea se esbate no descontentamento de grande parte da opinião pública, inclusive de camadas populares beneficiadas pelas políticas sociais. Não são poucas as pessoas do povo que afirmam, taxativamente, que sempre votaram no PT, mas não mais votarão.

 

Essas pessoas, alguns milhões, estão descontentes por motivos justos. Descontentes, com razão, pelo envolvimento de petistas em casos de corrupção. Descontentes, também com razão, pela adoção de medidas governamentais que seriam mais apropriadas ao candidato da direita derrotado nas urnas. E descontentes com uma série de atitudes que desmerecem o próprio histórico do partido, como o abandono do trabalho de base, a substituição dos núcleos de base pelos “mandatos parlamentares”, a burocratização de muitos dirigentes e membros do partido destacados para governos e mandatos, e por aí afora. A esse descontentamento justo têm se agregado as mentiras da incansável campanha de demonização do PT, seja pelo ódio de classe, seja aproveitando-se dos deslizes petistas.

 

Nessas condições, como o PT marcou seu congresso para os próximos meses, esta talvez seja a última oportunidade para que ele acerte suas contas com os próprios desacertos. Desacertos nas necessárias relações permanentes com a diversidade das grandes massas do povo. Desacertos na comunicação, ou na propaganda e na agitação para a disputa da opinião pública. Desacertos na organização interna e na participação nas organizações e movimentos populares. Desacertos nas relações com aliados estratégicos e aliados táticos, e nas táticas de luta de massas e institucional. Desacertos na formação ideológica e política dos militantes e dirigentes. Desacertos na estratégia política, essa expressãozinha que reúne em si a diversidade de todas as demais ações.

 

A lista, muito provavelmente, é enorme. E necessita, para ser adequadamente enfrentada, que militantes e dirigentes do PT se munam de uma grande dose de modéstia. Para superar a atual e profunda crise em que o partido está envolvido é preciso deixar momentaneamente de lado a repetição dos feitos, vitórias e glórias, reais e imaginários, que em alguns gera um orgulho exagerado que não os deixa ver o mais importante. Isto é, que atualmente é preciso dedicar-se, com todas as forças e energias, a garimpar, listar, organizar e resenhar cada um daqueles desacertos, erros, desvios e vacilações, assim como outros certamente não apontados na lista acima. E procurar, na prática da luta, as medidas que possam superá-los e fazer com que o PT volte a ser a esperança das grandes massas do povo brasileiro.

 

A história, como já tivemos oportunidade de registrar em outros momentos, está cheia de exemplos de partidos que perpetraram feitos e realizações portentosas, e alcançaram glórias iguais ou maiores do que as do PT. No entanto, tais partidos desdenharam a adoção de um estilo de trabalho que incluísse, em seu cerne, os valores ideológicos ou éticos de classe, e a obrigatoriedade de manter uma estreita e profunda relação com sua base social. Como resultado, perderam-se no mar das mudanças estratégicas e táticas impostas pela luta de classes e soçobraram vergonhosamente. Basta garimpar na própria história brasileira para descobrir alguns exemplos significativos.

 

Nesse naufrágio, tais partidos levaram consigo até mesmo aquelas lideranças que, com seu carisma e sua capacidade de entrosamento com as camadas populares do povo, haviam se erguido acima do próprio partido, supondo-se ou não imunes aos erros e desacertos partidários. Por tudo isso, este é o momento de todos os envolvidos com o PT acordarem para a complexidade e para o perigo da atual situação vivida pelo partido e adotarem um estilo de trabalho que lhes permita enfrentar os erros, corrigi-los e retomar seus laços com as camadas populares do povo brasileiro. Mesmo porque, dos resultados dessa ação dependem, em grande medida, a sobrevivência e o crescimento de todas as correntes de esquerda no Brasil.

 

 

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Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Sexta, 08 de Maio de 2015
 

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