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Manifestação contra a terceirização Imprimir E-mail
Escrito por Otto Filgueiras   
Sexta, 17 de Abril de 2015
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Uns 40 mil ou 60 mil manifestantes na avenida Paulista é metade dos 100 mil que estiveram ali no domingo, dia 12 de abril, para hostilizar Dilma Rousseff, mas muito mais do que 2.500 pessoas estimadas pela Polícia Militar. Ao final, o golpe da direita está afastado e o projeto da terceirização de Eduardo Cunha ou será engavetado ou o governo federal vai vetá-lo parcialmente ou na íntegra. Afinal, a criatura está em sintonia com o criador e o capitalismo monopolista, incluindo banqueiros internacionais e tupiniquins, vai continuar nadando de braçada e mandando no país.

 

A manifestação no Largo da Batata, próximo da avenida Faria Lima, entre as zonas oeste e sul paulistana, no dia 15 de abril, comandada por Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, MTST, foi um sucesso e acuou a extrema-direita, mas também deu sobrevida ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao capitalismo monopolista no Brasil. Também comprovou-se parcialmente que Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), é pior do que o tucano Geraldo Alckmin. E que Paulinho, da Força Sindical, defensor da terceirização, é pelego perigoso.

 

Nos dias anteriores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ser contra a PL 4330, da terceirização. Segundo ele, “é uma questão honra para a classe trabalhadora brasileira. A CLT, com todos os defeitos que tem, é uma conquista do povo brasileiro”.

 

Mas Lula, o PT e muitos outros partidos da nova esquerda também diziam que a CLT é um atraso e defendiam a independência e autonomia sindical.

 

No mesmo dia das manifestações em todo o Brasil contra o PL 4330, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB, anunciou a suspensão da votação dos destaques do projeto, já aprovado.

 

Representantes de centrais sindicais e movimentos sociais fizeram críticas a Eduardo Cunha, e ao ajuste fiscal da gestão da presidente Dilma Rousseff (PT).

 

Na concentração da manifestação no Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, os oradores defenderam a mudança da atual linha da política econômica do governo federal.

 

Guilherme Boulos, do MTST, foi o primeiro a falar e disse que “vamos passar no ninho deles (Oscar Freire) lá nos Jardins. Seremos curtos e grossos: a rua é do povo e ninguém vai nos impedir de marchar usando vermelho”.

 

As lojas da Oscar Freire fecharam as portas por causa da passeata contra a terceirização que ia em direção à avenida Paulista.

 

Guilherme Boulos disse também que, se o PL for aprovado, Dilma precisa vetá-lo. “Não vamos aceitar medidas provisórias do ajuste (fiscal). O governo Dilma não foi eleito para cassar direito de trabalhador, nem pra fazer ajuste, nem pra colocar o (Joaquim) Levy na Fazenda (ministério). Não vamos aceitar ataque contra trabalhadores pobres, venha de onde vier. O MTST não tem rabo preso com ninguém".

 

Mesmo depois dos destaques votados, a presidente Dilma deve vetar parcialmente ou integramente a PL 4330.

 

A encrenca está armada, mas a esquerda revolucionária e outros mais precisam rever suas críticas e levar em conta que a peleja pelo socialismo foi alterada pelas transformações estruturais no capitalismo e as novas reflexões teóricas e práticas da esquerda mundial e brasileira. O capitalismo continua avariado, por conta de sucessivas crises de superprodução.

 

Nos tempos da ditadura militar, houve crescimento econômico e a luta das organizações de esquerda contra o regime militar redundou em derrota, inclusive porque o modo de produção socialista ainda não deu certo economicamente.

 

Na própria China, que hoje é um país capitalista como outro qualquer, que os chineses chamam de “socialismo de mercado”, está fazendo uma espécie de NEP – Nova Política Econômica – dos tempos de Lênin, elevada à milésima potência.

 

Precisamos continuar criticando o militarismo, o esquerdismo, o doutrinarismo e também o positivismo: Augusto Conte, fundador da linha de pensamento positivista, disse que o seu ideal era fundamentado no real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. Comte preocupou-se em tentar elaborar um sistema de valores adaptado com a realidade que o mundo vivia na época da Revolução Industrial, valorizando o ser humano, a paz e a concórdia universal.

 

O positivismo teve fortes influências no Brasil, tendo como sua representação máxima o emprego da frase “Ordem e Progresso”, extraída da fórmula máxima do Positivismo: "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim", em plena bandeira brasileira. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social.

 

Ideias que sempre foram criticadas pela sociologia e filosofia marxista, incluindo a Escola de Frankfurt.

 

Por isso é necessário criticar o atual governo federal e colocá-lo contra a parede. E uma das bandeiras é insistir na cassação de Jair Bolsonaro e cadeia para o atual coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o carniceiro da rua Tutóia que comandou o DOI-CODI paulista.

 

Mas é preciso destacar a polidez do MTST, que dessa vez não tratou o governador de São Paulo como “Picolé de chuchu”, o candidato tucano que venceu as últimas eleições ainda no primeiro turno escondendo a grave crise do abastecimento da água na terra paulista.

 

Tratou-o como pai que perdeu, tragicamente, a sua cria. Foi o fotógrafo Ernesto Rodrigues quem registrou, com maestria, no instantâneo da sua máquina, a profunda dor de Geraldo e de dona Lu Alckmin. Na foto ele está desamparado. Suas mãos estão perdidas. E as de dona Lu parecem tentar amparar o marido. E também pedir apoio.

 

A cena bem que lembra um trecho de “Bom Dia para os Defuntos”, Redoble por Rancas, belíssimo livro do peruano Manuel Scorza (1928- 1983). Apropriado para esse drama de comoção e dor:

 

“E deu-se que uma cidade envelhecida na zombaria do aleijado respeitou sua melancólica estátua. A lua prateou a tristeza, o júbilo, a exaltação e o desânimo de um rosto onde se forjava uma guerra civil. Algo que era quase beleza se esvoaçou. Como uma borboleta sobre o seu desamparo. Na solidão da praça a mão esquerda de Remígio, como que caída sobre uma muleta invisível, sugeria a trágica arquitetura de um toureiro que fitava não se percebia bem se a queda de uma bucela fulminada por uma estocada ou a lentidão de uma cornada definitiva. Alguém pigarreou, um outro tossiu. Já de noite, chegaram policiais. Com a delicadeza miserável compreendiam a intensidade da tormenta que devastava o rosto cinzento. Todos, quase todos, haviam sido afrontados por sua boca estendida por um ricto de fadiga, ofendidos pela mão abandonada, magoados por aquele sarcasmo que agora vacilava entre esperar e correr. Mas quanta vez também a boca desse humilhado, desse boneco que o próprio Nictápole indicara para morrer, espremera a lava de seus corações, a cólera de seus peitos cheios de pânico! Na meia noite do medo somente Remígio, o irresponsável; Remígio, o velhaco; Remígio, o sem papas na língua, atravessara majestosamente solitário a fronteira da coragem. Em seu rosto esbranquiçado pela emoção rebrilhava uma luzinha. Comoveram-se. O grupo que rejeita o diferente que com sua simples existência questiona a tradição, umedece-se até os ossos quando essa incompreensão, esse desafio, essa violência se equiparam à igualdade na miséria, no sofrimento, no sonho que, em suma, são a pátria. E, em alguma aldeia desse continente esmagado por cordilheiras de neves menos enormes que suas montanhas de ressentimento, um professor de escola escreveu: ‘ Só tenho piedade para com os rios que chegam limpos ao mar’. As águas que entregam intactas ao oceano o caudal que receberam das alturas nevadas só merecem desprezo. É fácil ser puro quando não se é miserável, mas são melhores as águas que se misturam, as correntezas que se tornam lodo, limo fecundo”.

 

Otto Filgueiras é jornalista e está lançando o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular.

 

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Última atualização em Qui, 23 de Abril de 2015
 

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