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O caso Petrobrás e as entranhas do regime Imprimir E-mail
Escrito por Ney Nunes   
Quarta, 01 de Abril de 2015
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A operação Lava Jato da Polícia Federal destampou o bueiro da corrupção na Petrobras. Através dela, tomamos conhecimento do poderoso esquema montado por empresários, políticos e burocratas para saquear a petrolífera que tanto sacrifício custou para muitas gerações de brasileiros. As campanhas eleitorais bancadas pelas megaempreiteiras garantem a eleição dos políticos amigos; estes, por sua vez, indicam comparsas para ocuparem postos chaves na diretoria da empresa. A partir daí é que se articulam os engenhosos contratos superfaturados, origem do dinheiro que jorra como o petróleo direto nas contas dessa máfia.

 

O escândalo vem sendo destacado como o maior da história e tratado como uma grande novidade. Será mesmo? Ou estamos diante de uma regra geral, onde o que varia é o montante apurado? Reparem que não passamos uma semana sem que o noticiário registre um caso de desvio de recursos públicos envolvendo prefeituras, câmaras municipais, assembleias legislativas, governos estaduais, Congresso Nacional, governo federal e o Judiciário, ou seja, atingindo praticamente todo o aparelho de Estado. O somatório dessa sangria ao longo do tempo corresponde a quantos “petrolões”?

 

A novidade do caso Petrobras está na exposição pública das entranhas do regime político instituído a partir da Constituição de 1988, substituindo a ditadura que se encontrava esgotada como sustentáculo do capitalismo. O desenrolar das investigações trouxe à tona o mecanismo de manutenção do poder nesse regime e de como tal poder serve aos interesses econômicos de uma determinada classe: o grande empresariado nacional e estrangeiro. Não que tais fatos fossem desconhecidos, mas faltava um flagrante para que não restasse qualquer dúvida sobre a relação direta e subordinada das instituições e seus partidos da ordem (PT, PMDB, PSDB, PP, PTB, DEM e etc.) com os interesses e a ética da classe dominante.

 

Aos que diante dos odores liberados pelos bueiros abertos se apressam em clamar pela volta da ditadura, apelando aos quartéis por uma intervenção militar, não custa lembrar que a corrupção não é exclusividade do Brasil atual. Não foram poucos os escândalos durante os governos oriundos do golpe burguês-militar desfechado em 1964.

 

Apenas para refrescar a memória oportunista dos esquecidos, ou esclarecer os ignorantes, podemos citar alguns deles, como o escândalo da Mandioca, da Delfin, do banco Econômico, da Lutfalla, da Capemi, entre muitos outros, sem falar das obras superfaturadas que enriqueceram algumas altas patentes e empreiteiros. Na maioria das vezes, ficaram impunes e foram encobertos, tanto pela imposição da censura como pela cumplicidade da mídia empresarial. Caso não bastasse, a ditadura prendia, torturava ou perseguia os poucos jornalistas que na época reuniam coragem suficiente para denunciar a roubalheira.

 

O caso Petrobras, portanto, não se enquadra como um “desvio de conduta”; pelo contrário, ele confirma a regra. Não reconhecer isso é uma artimanha dos que objetivam ocultar das grandes massas que a corrupção assume características estruturais no capitalismo, não sendo brasileira, norte-americana ou francesa, mas variando sua intensidade de acordo com as conjunturas através da história. Ela faz parte da lógica capitalista de maximização dos lucros, onde importa menos o método do que o resultado final.

 

 

Ney Nunes é membro do Comitê Central do PCB.

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Última atualização em Qui, 02 de Abril de 2015
 

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