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Estados Unidos e Brasil – Cuba e a Cúpula das Américas de 2009 Imprimir E-mail
Escrito por Virgilio Arraes   
Qui, 05 de Março de 2015
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No primeiro semestre de 2009, o ponto de maior expectativa entre Estados Unidos e Brasil localizava-se na política externa, mas sem relação direta entre os dois governos. O tópico referia-se ao status político formal de Cuba diante dos demais países latino-americanos, no caso perante a Organização dos Estados Americanos (OEA).

 

Aos olhos de Brasília, chegava o momento de se encerrarem a suspensão política e, por conseguinte, o embargo econômico imposto a Havana, um anacronismo, dado que originado na época da Guerra Fria; aos de Washington, havia a inclinação para modificá-lo, porém sem avaliar de que maneira e em que momento.

 

Na visão do grupo bolivariano, Caracas e La Paz especificamente, a hora de abordar o tema naquele ano seria na Cúpula das Américas, de abril de 2009, realizada em Trinidad e Tobago, em decorrência da posse do presidente Barack Obama em janeiro último, democrata considerado menos conservador que seu antecessor republicano, George Bush.

 

Diante disso, Venezuela e Bolívia enxergavam naquela cimeira a primeira oportunidade para debater com os Estados Unidos a alteração do antigo tratamento dispensado a Cuba, ou seja, o cancelamento da suspensão do pequeno país caribenho na OEA.

 

Na reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em dezembro de 2008, o presidente Evo Morales havia solicitado o encerramento do embargo cubano. O pedido seria aceito pelos integrantes e comporia a declaração final do encontro.

 

Caso não acontecesse o final do embaraço econômico, propunha o mandatário boliviano a saída dos representantes dos Estados Unidos dos países membros da entidade, algo não aceito pelo Brasil.

 

O Planalto vislumbrava a impossibilidade de a Casa Branca revogar a medida de maneira imediata, até em função da postura mais intransigente de parte do Congresso norte-americano; no entanto, aguardava um aceno com vistas à distensão, relacionado à circulação de pessoas ou ao envio de remessas, por exemplo, o que agradaria também ao segmento bolivariano.

 

Cuba, embora se satisfizesse com a movimentação da diplomacia boliviano-venezuelana, não desejava que os Estados Unidos interpretassem a pressão bolivariana além da questão mercadológica ou de prestígio interno e, destarte, retrucassem com a confirmação do isolamento político indefinidamente.

 

Durante a campanha presidencial norte-americana no ano anterior, os democratas apontavam mais uma vez a necessidade de aproximar-se da América Latina. Após assumir o poder, indicavam a constituição de um plenipotenciário destinado somente à região, com a possibilidade de despachar direto com a própria Casa Branca. De modo paralelo, havia a possibilidade de substituir de forma gradativa os embaixadores nomeados pela administração predecessora.

 

Sem uma metamorfose interna em Cuba, não haveria sinalização por parte do Departamento de Estado de alteração de postura dos Estados Unidos. Todavia, qual caminho restaria a ser ratificado por Havana?

 

Provavelmente, o chinês em escala menor, isto é, a permanência de um partido único com um capitalismo de Estado, voltado, em um primeiro momento, para turismo, agronegócio, como cana de açúcar e tabaco, e quiçá petróleo.

 

Diante da divergência entre Washington e Caracas-La Paz, Havana optou por privilegiar Brasília como interlocutor nas negociações com a burocracia estadunidense. Poucos dias antes do início do encontro regional de Trinidad e Tobago, a presença do ministro das relações exteriores, Bruno Rodríguez, na capital brasileira subscreveria a posição cubana.

 

A cautela se justificava, à medida que, na Declaração de Compromisso da 5ª Cúpula das Américas, a condição do país não seria sequer mencionada - http://www.summit-americas.org/V_Summit/decl_comm_pos_pt.pdf.

 

De todo modo, haveria tempo para persuadir o governo de Barack Obama a adotar nova posição até a assembleia geral da OEA em junho, em Honduras.

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição. http://bit.ly/1AMf0qg

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