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‘Há uma proliferação de blocos de carnaval em São Paulo, mas falta chegar mais na periferia’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Sexta, 13 de Fevereiro de 2015
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Conversamos com Selito SD, um dos animadores do Cordão da Mentira, bloco de carnaval que tem suas marchinhas voltadas a temas relacionados à memória da ditadura militar. Apesar de se tratar de uma festa, a entrevista destacou que o carnaval de rua e a apropriação do espaço público não deixam de estar relacionados à política, ainda mais numa cidade como São Paulo.

 

“Há uma série de inquietações da sociedade, de forma geral, o que acaba convergindo. Essa coisa de ‘por o bloco na rua’ pra protestar também está em voga. Talvez seja um modo um pouco mais eficaz em manifestações de contestação, uma virada estética, inclusive carnavalizando-a. Entendemos que carnavalizar a estética da manifestação consegue até atingir uma maior contundência na hora de extravasar inquietações políticas”, afirmou.

 

Selito também falou do crescimento do número de blocos pela cidade, o que refletiria uma “demanda reprimida” da população em termos de uso e convívio em espaços abertos, mas ponderou que tal fenômeno ainda está um pouco restrito ao centro e adjacências. Já nas periferias, a festa popular ainda sofre para conquistar seu espaço, mas, em sua visão, também tende a aumentar nos próximos tempos.

 

“Quanto à glamourização do samba, tem o fato de que, quanto mais avançar, mais apartado ficará negro, como passista, como folião. Ele vai sendo distanciado para se produzir um espetáculo economicamente virtuoso. E para participar dessa festa, no sambódromo e tal, o povo fica fora mesmo”.

 

A entrevista, gravada nos estúdios da webrádio Central 3, pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Qual sua expectativa para o carnaval de rua de São Paulo neste ano? Estaríamos diante de um crescimento do envolvimento popular em blocos?

 

Selito: Realmente, há uma proliferação recente dos blocos, principalmente nas regiões mais centrais. Tem crescido bastante. Outros blocos de bairros periféricos, porém, não têm tido a mesma visibilidade. De qualquer maneira, há um crescimento geral.

 

Correio da Cidadania: Nesse sentido, considera que isso represente uma certa “demanda reprimida” pelo próprio direito à cidade, por sua vez pauta recorrente dos mais recentes e vigorosos movimentos sociais?

 

Selito: Acredito que sim. Temos vivido, nos últimos tempos, em São Paulo, quase um cerceamento à mobilidade. Medidas como o Psiu!, bares que fecham cedo, entre outras coisas, mostram um cerceamento à boemia.

 

Além disso, há uma série de inquietações da sociedade, de forma geral, o que acaba convergindo. Essa coisa de “por o bloco na rua” pra protestar também está em voga. Falando um pouco do próprio Cordão, do qual faço parte, têm sido pensadas novas proposições estéticas, diferentes da tradição das passeatas, no sentido de sair à rua para protestar, contestar.

 

Talvez seja um modo um pouco mais eficaz em manifestações de contestação, uma virada estética, inclusive carnavalizando-a. Entendemos que carnavalizar a estética da manifestação consegue até atingir uma maior contundência na hora de extravasar inquietações políticas.

 

Correio da Cidadania: A exemplo do Cordão da Mentira, temos visto o surgimento de outros blocos com viés politizado, ainda que de forma mais lúdica. A razão estética que você mencionou é o mote de todo esse grupo, é algo que tem se ampliado no pensamento de quem os anima?

 

Selito: Especificamente sobre o Cordão, uma coisa que diferencia nossa ação é que optamos por carnavalizar, mas não necessariamente na data do carnaval. E no 1º de abril, por ser a data do golpe. Após alguns desfiles desde a fundação do Cordão, voltamos às ruas com o tema dos 50 anos desse golpe.

 

Mas quando pensamos na história da ditadura, dos 21 anos de chumbo, costumo dizer que o período é um recorte cultural, dentro de um processo ditatorial mais amplo que desde sempre assolou os setores menos abastados.

 

O período da ditadura de 1964-85 foi realmente cruel, mas esse período é um recorte cultural porque marcou uma época em que se ousou tocar nos privilégios e vantagens de um segmento da população que até então era intocável, inclusive nas classes médias.

 

Temos tradição de matar e torturar preto, mestiço, índios. Mas isso não ocorre contra os segmentos médios, não vemos o Estado atentar contra a integridade física das pessoas “bem nascidas”, ou remediadamente nascidas. É uma discussão que trouxemos para dentro do Cordão, uma das temáticas que levamos à rua: a ditadura que sempre existiu. Uma ditadura que sempre praticou o genocídio contra alguns setores da população.

 

Quando fazemos esse carnaval fora da data, tratamos de reforçar tais questões. Temos pessoas ligadas a vários movimentos, diversificados, mas que também têm a preocupação de, ao carnavalizar, despolitizar a política. Porém, vemos atividades como os “escrachos” seguirem um pouco essa linha.

 

Não sei se os outros desfilam com a mesma contundência, mas tem acontecido uma politização de certos blocos. Claro que a maioria é pela festa, brincar o carnaval, extravasar, o que por si só não é pouca coisa, se pensarmos que moramos numa cidade que cerceia cada vez mais, permite cada vez menos. O significado de poder arregimentar um número grande de pessoas para a festa não é desprezível, pelo contrário, é bacana e considerável. E se der tempo de protestar, escrachar, passar uma mensagem à sociedade, melhor.

 

Correio da Cidadania: E a restrição de horário imposta pelo poder público? Acredita que possa gerar problemas, inclusive em relação à segurança das pessoas?

 

Selito: Já gera muito, com toda a série de medidas que cerceiam a liberdade, o ir e vir, o direito à cidade. Para o segmento populacional historicamente desassistido, sempre houve um toque de recolher. O próprio modo como se gerencia o transporte coletivo o demonstra. Salvo exceções, não temos transporte 24 horas por dia. Isso é um toque de recolher.

 

O trabalhador, que está na correria da vida, só tem direito a circular na cidade no período de trabalho. Só quem tem carro que pode circular na cidade o tempo todo, ou seja, as pessoas que têm uma condição um pouco melhor.

 

Uma cidade do tamanho de São Paulo e que fecha seu metrô à meia noite está dando um toque de recolher. Portanto, já temos o entendimento de que a circulação do trabalhador, do pobre, é impedido, inclusive no final de semana, quando o transporte é praticamente retirado da rua. Temos um recrudescimento disso e não é de hoje.

 

Correio da Cidadania: Como que você tem visto, para alem do calendário do carnaval, a relação do poder público com o aumento do número de eventos e festas pela cidade, em espaços públicos, como, por exemplo, o Minhocão, que tem cada vez mais eventos agitados por lá?

 

Selito: No geral, tem uma série de fatores que dificultam a promoção de tais eventos, mas, de qualquer maneira, os grupos têm se organizado e conseguido por os blocos na rua. Ainda enxergo um problema: estamos falando de uma ocupação da cidade que é bastante interessante, bem vinda, mas que ainda se restringe a bairros mais centrais, no próprio centro ou adjacências.

 

O que sempre me preocupa é o acesso a tais manifestações ser baixo para as periferias. Porém, acredito que a coisa tenda a se expandir para lá também. Acontece que o foco, de modo geral, está nos bairros centrais. E começa a acontecer, também, uma parte da juventude das periferias tendendo a engrossas os blocos, o que nesse momento incipiente pode gerar algumas tensões, talvez devido ao contingente de pessoas, mas até de caráter classista. De qualquer forma, ainda não tive tempo suficiente para poder tirar um diagnóstico de tal situação.

 

Correio da Cidadania: De modo mais amplo, o que acha do carnaval hoje em dia, aquele glamourizado, no âmbito das grandes escolas de samba, da televisão e dos desfiles no sambódromo?

 

Selito: Primeiramente, existe uma confusão que o pessoal faz: quando se fala em escola de samba, automaticamente liga-se ao carnaval. É compreensível por conta dos grandes eventos, glamourizados mesmo. Mas é bom deixar marcado que, quando falamos de samba, estamos falando da cultura do samba, do povo do samba, ou seja, de um segmento da população que tem o samba no seu cotidiano. É cultura mesmo! Hábito. Samba é uma coisa, carnaval é outra. É claro que existe esse encontro, sazonalmente, na data do “reinado de Momo”. A coisa ganha glamour, mas, depois que termina, o samba está lá em seu cotidiano. E no geral é bastante desassistido.

 

Quanto à glamourização do samba, tem o fato de que, quanto mais avançar, mais apartado ficará o negro, como passista ou como folião. Ele vai sendo distanciado para se produzir um espetáculo economicamente virtuoso. E para participar dessa festa, no sambódromo e tal, o povo fica fora mesmo.

 

No entanto, existe também carnaval de escolas de samba nos bairros, de escolas menos famosas, pequenas, e é a este que a população mais carente tem acesso. É uma festa bonita também, mas acaba não aparecendo, fica invisibilizada no meio do processo que discutimos aqui, ou seja, é um evento para o qual quase ninguém olha.

 

Temos uma espetacularização cada vez maior para um evento cada vez mais glamouroso e inacessível para a grande maioria. Seria interessante reverter. Não é o caso de acabar com a glamourização do sambódromo e das avenidas principais, mas de ter uma maneira de a população excluída poder assistir a esses eventos também, que realmente têm um apelo popular. A chamada glamourização não tem volta, mas ela exclui, pois existe uma série de “eventos precarizados” que o poder público não incentiva.

 

Ouça o áudio da entrevista.


Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Sexta, 20 de Fevereiro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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