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O efeito estufa e a cocoicultura em 2007 Imprimir E-mail
Escrito por Rodolfo Salm   
Quarta, 31 de Outubro de 2007
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Em artigo publicado em março do ano passado nesta coluna (“O efeito estufa e a cocoicultura”) lamentei que, apesar das profundas implicações para o futuro da humanidade representadas pelo efeito estufa, o assunto do descontrole climático não aparecia com destaque nas discussões nem nas manchetes da época. Ao contrário do acirramento da campanha presidencial e das reações às charges de Maomé, para citar exemplos em destaque no Correio da Cidadania naqueles tempos. Hoje, certamente devido ao trabalho de divulgação do painel sobre mudanças climáticas (IPCC) da ONU (e também às campanhas de Al Gore), estamos todos pensando, falando e escrevendo mais e de forma mais explícita sobre o aquecimento global.

 

No referido artigo, falei ainda do trabalho com o qual estava envolvido na época. Atendendo a uma reivindicação dos índios Kayapó e com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai), enviamos três mil mudas de coqueiro-anão à Terra Indígena Kayapó, localizada no sul do Pará. Levei pessoalmente duas mil, em uma expedição descrita em “A cocoicultura: relatório de viagem” (1 e 2- Clique aqui para ver fotografias da expedição). A viagem foi uma corrida contra o relógio (e a burocracia), pois, quanto mais cedo as mudas fossem plantadas, no período das chuvas, maiores seriam suas chances de sobrevivência na primeira seca de suas vidas. As últimas foram entregues já bem tarde, em meados de abril, e, não tendo retornado ainda à terra indígena, ainda não sei ao certo a extensão da mortalidade associada à seca de 2006. Concluí a mini-série dos artigos-relatório com a esperança:

 

“Com mais tempo para planejar o trabalho, no início das próximas chuvas, levaremos, quiçá com o financiamento da Funasa, através do programa Iniciativas Comunitárias em Saúde Indígena, mais uma leva de coqueiros para outras aldeias Kayapó ao longo dos rios Xingu e Iriri. E também uma diversidade de mudas de outras espécies, como pupunha, cacau, cupuaçu, sapoti, laranja e acerola, para as aldeias já contempladas com o coco”.

 

Sobre este trabalho, escrevi um artigo acadêmico (“Conservation value of an exotic species: the case of coconuts on the Kayapo indigenous lands, south-eastern Amazonia”- os eventuais interessados em receber o artigo em PDF por favor solicitem o envio pelo e-mail rodolfosalm(0)terra.com.br) acerca dos potenciais benefícios do coco para a conservação da biodiversidade em terras indígenas (tratados no Correio da Cidadania no artigo “O valor de uma espécie exótica para a conservação”) e o preconceito equivocado que encontrei, no meio acadêmico, contra a utilização do coqueiro devido ao fato de o coco ser uma espécie exótica (“Da precaução à paranóia”).

 

Resumidamente, descrevo como, em um encontro entre a Funai e os Kayapó da aldeia Aukre, em outubro de 2005, os índios pediram apoio para aumentar a cultura de cocos em suas terras. A introdução de espécies exóticas é uma causa de perda de diversidade biológica em todo o mundo. Entretanto, isto não é de forma alguma aplicável a todas as espécies exóticas. Na verdade, argumento que a cultura de cocos pode, inclusive, ser um instrumento para a conservação das terras indígenas do país. Coqueiros podem ser uma importante fonte de matérias-primas para os povos indígenas, que estão vivendo um momento de explosão demográfica. Para os Kayapó do sudeste da Amazônia, esta explosão, associada à sua crescente dependência de dinheiro para comprar bens industrializados, tende a aumentar substancialmente a pressão sobre suas terras, que ainda contêm uma quantidade substancial de florestas sazonalmente secas. Na Amazônia, cocos podem ser particularmente úteis para a nutrição dos índios, devido ao elevado valor energético da “carne” do coco. Assim, dada a importância das terras indígenas para a conservação da floresta amazônica, o suporte da cultura de subsistência de cocos em terras indígenas é defensável como medida para a conservação da biodiversidade.

 

Volto esta semana ao assunto, pois conseguimos, através da Associação Floresta Protegida, financiamento da Funasa (R$ 35 mil) para a compra e envio de oito mil novas mudas de coqueiro-anão, um ano depois da data desejada, para dez aldeias Kayapó. Este ano, além de desenvolver uma operação com uma quantidade maior de mudas entregues aos índios, graças à parceria com a associação indígena, pudemos planejar com mais tranqüilidade o cronograma de distribuição e plantio das mudas, antecipando-o para o início da estação chuvosa. É nesta empreitada que estarei envolvido nas próximas semanas, quando devo desaparecer temporariamente desta coluna. Assim que puder mando notícias.

 

Estendi-me tanto sobre a cocoicultura, o artigo já está grande demais, e ainda não falei do aquecimento global. As faces da mudança estão em toda parte: dos incêndios nas matas destruindo mansões na Califórnia (para quem gosta de filme americano, com helicópteros e Arnold Schwarzenegger) e casebres de taipa no Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia (para quem preferir um drama nacional), ao desabamento do túnel Rebouças, na primeira chuva torrencial depois de meses de seca intensa no Rio de Janeiro. Na região das florestas amazônicas sazonalmente secas, a projeção é que a elevação da temperatura seja particularmente pronunciada. Os incêndios florestais e a desertificação serão freqüentes.

 

Nestas condições, palmeirais de espécies nativas e exóticas terão grande importância para as populações humanas (por fornecerem madeira de construção, folhas e talos para a cobertura de casas, fabricação de esteiras, cordas, sacos, cestos, chapéus a alimentos na forma de palmito, frutos, óleos e doces), quando a vida será cada vez mais difícil por lá. Por ora, fico contente de ter vários meses de chuva pela frente antes da seca de 2008.

 

 

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi.

 

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