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Balanço da semana de luta contra o aumento em São Paulo Imprimir E-mail
Escrito por Raphael Sanz, da Redação (texto e fotos)   
Sábado, 31 de Janeiro de 2015
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A semana foi agitada pela luta contra o aumento da tarifa em São Paulo e aproximadamente 10 mil manifestantes tomaram as ruas da capital paulista em dois protestos convocados pelo Movimento Passe Livre. Incidentes menores de abuso de autoridade por parte da polícia não apagaram o caráter das manifestações, porém, sem a teatralidade da repressão, a pauta dessa vez não ganhou as manchetes da grande mídia como nas semanas anteriores.

 

Na terça-feira, 27 de janeiro, aproximadamente 4 mil pessoas se concentraram no Largo da Batata, na zona oeste da capital, para marchar pela região. Após uma difícil negociação com a PM, o ato conquistou o direito de passar pela pista local da Marginal Pinheiros, conforme foi decidido em assembléia aberta no local da concentração.

 

Saindo do Largo da Batata, a manifestação seguiu pela avenida Brigadeiro Faria Lima e virou à direita, na Rebouças, onde uma grande faixa foi estendida de cima da passarela do shopping Eldorado, com os dizeres “agora é de 3 reais para baixo.” De lá, a multidão tomou a Marginal Pinheiros e passou em frente ao prédio da Editora Abril, alvo de protestos direcionados, devido ao jornalismo praticado pela sua revista semanal, que entre outras coisas desqualifica e criminaliza movimentos sociais de forma grosseira e deliberada.

 

A próxima parada foi a Sabesp, localizada na rua professor Herman Jr. Também foi alvo de protestos em razão da crise no abastecimento de água. Pela rua Vupubussu, a manifestação voltou à Faria Lima para se encerrar no ponto inicial: o Largo da Batata. Mais esvaziado em relação aos anteriores, o ato foi pacífico até o final, mas novamente havia uma PM no meio do caminho.

 

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Manifestante iniciam marcha de terça-feira, no Largo da Batata.

 

Após o encerramento, muitos manifestantes se dirigiram ao metrô Faria Lima para irem embora e lá protestaram, conclamando as pessoas a não pagarem a passagem de metrô e pularem as catracas, procedimento mais que previsível se lembrarmos que o horizonte dos militantes é de alcançar a tarifa zero.

 

Inconformada com a incitação à desobediência civil promovida pelos manifestantes, a Tropa de Choque desceu as escadas da estação jogando bombas de gás lacrimogêneo para impedir que manifestantes de fato pulassem as catracas. A multidão foi dispersa, passageiros – entre eles crianças – entraram em pânico com o gás e houve detenções. Acontece que a estação é um ambiente fechado e os próprios policiais sentiram na pele o efeito do gás que eles mesmos lançaram e logo se espalhou pelo ambiente fechado. No desespero de se livrarem dos efeitos dessa arma química já banalizada pelo nosso “estado de exceção permanente”, alguns oficiais foram fotografados justamente pulando as catracas da estação em busca de ar para respirar. Santa ironia.

 

Dois dias depois – quinta-feira, 29 de janeiro – nova manifestação foi chamada, com concentração no vão do MASP. Novamente, o MPL tomava a Avenida Paulista, máximo símbolo do poder econômico paulista. Outra vez, a marcha começou apenas depois de dura negociação com a polícia militar.

 

Com pouco mais de 5 mil pessoas, o ato saiu do vão do MASP e seguiu no sentido do bairro do Paraíso. De lá, enveredou pela rua Afonso de Freitas, onde mora o prefeito Fernando Haddad, guardada por oficiais da Tropa de Choque. Foi feito um jogral ali mesmo, criticando o discurso do prefeito, que em teoria preza pelo diálogo com os movimentos sociais, mas na prática também se pronuncia através de bombas e balas de borracha. O jogral foi muito festejado pelos manifestantes.

 

Descendo a rua até o final, o ato tomou a avenida 23 de maio. Ao longo da caminhada, a multidão foi aumentando. Estima-se que ao chegar na 23 de maio, havia em torno de 8 mil pessoas. E a manifestação seguiu em direção da Câmara dos Deputados, em frente ao Parque do Ibirapuera, para encerrar o ato na praça Estilac Leal, onde está o famigerado Monumento às Bandeiras, popularmente conhecido como “empurra-empurra”.

 

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Ativistas e simpatizantes não deixaram de lembrar 
da seca que promete aterrorizar São Paulo.


Novamente, a manifestação foi pacífica e muito pouco divulgada pela dita grande mídia. Na saída, manifestantes fizeram o famoso “catracaço” na avenida Brigadeiro Luis Antônio, enchendo três ônibus sanfonados pelas portas traseiras. A entrada dos manifestantes foi testemunhada pela reportagem e passageiros, bem como motorista e cobrador apoiaram os manifestantes. Até alguns jornalistas desfrutaram do passe livre por um momento. O ônibus andou apenas duas quadras e lá estava a Força Tática parando-os e fazendo todos descerem. Algumas prisões foram feitas no local. Em todo o dia, 11 pessoas acabaram detidas e posteriormente liberadas.

 

O desfecho do ato foi muito comemorado. As tomadas das avenidas Paulista e 23 de Maio, bem como o aumento de participantes ao longo da caminhada e o jogral em frente à casa do prefeito, encheram os manifestantes de euforia. Ainda é uma incógnita o resultado final dessa série de mobilizações, mas algumas constatações quanto à atuação do poder público já podem ser cravadas: com relação ao governador, é óbvio o comportamento anódino às reivindicações; já em relação à prefeitura, ainda é um tanto surpreendente, dado que foi eleita com um discurso de mais diálogos e direito à cidade. No entanto, uma vez no poder, parece incapaz de cumprir parte de suas promessas de campanha.

 

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Sexto ato contra a tarifa se encerrou em frente à Câmara dos Deputados, no Monumento às Bandeiras.

 

Para o jornalista Caio Castor, “o verniz está derretendo. Lembre-se que no início da sua gestão a prefeitura de Fernando Haddad sustentava uma bandeira muito forte que dizia existe diálogo em São Paulo, inspirado no famoso slogan da empresa Fora do Eixo (existe amor em São Paulo). A imagem com homens da Tropa de Choque cercando a entrada de seu prédio foi bastante reveladora. Se a tarifa vai cair ainda não sabemos, mas que as máscaras vão, disso já temos certeza”, criticou.

 

Na próxima terça-feira, o MPL convocou três atos simultâneos a serem realizados na periferia de São Paulo. Na zona oeste, a luta contra a tarifa se concentra em Pirituba; na zona leste, em São Miguel Paulista; e, no lado sul, a manifestação acontecerá no Campo Limpo. O movimento promete “parar a cidade” com novas manifestações caso o aumento das tarifas não seja revogado.

 

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Raphael Sanz é jornalista.

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Última atualização em Quarta, 04 de Fevereiro de 2015
 

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