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Coletivo Tarifa Zero Salvador: “a luta contra a tarifa irá acontecer seja quem for o governante” Imprimir E-mail
Escrito por Irlan Simões   
Segunda, 26 de Janeiro de 2015
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Principal pauta das históricas Jornadas de Junho de 2013, a luta contra o aumento da tarifa do transporte público e pelo fim das concessões privadas volta a agitar as ruas brasileiras em 2015. Como aconteceu na maioria das grandes capitais brasileiras, Salvador terá um aumento de 7% na tarifa do ônibus, atingindo o valor impressionante de R$3,00.

 

A medida foi sancionada pelo prefeito ACM Neto naquele período que se tornou estratégico para os gestores municipais amarrados ao lobby das empresas de transporte público: no dia 23 de dezembro, no período de férias e festas, para efetivação a partir do dia 1º de janeiro.

 

O reajuste reacendeu os movimentos pelo passe livre na cidade. Em entrevista respondida em grupo pelo Coletivo Tarifa Zero, ficamos a par dos acontecimentos dos últimos anos e entendemos a diferença da nomenclatura local para o Movimento Passe Livre nacional.

 

Confira.

 

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“Mãos para o alto! A Tarifa é um assalto!”


Qual a atual conjuntura dos movimentos contra o aumento da tarifa?

 

Tarifa Zero: A luta não é somente local. Hoje há no país uma quantidade incontável de lutas acontecendo, puxadas por coletivos do MPL (Movimento Passe Livre) em diversos casos, porém, muitas delas por fora ou em articulação com o MPL. Em 2015, os prefeitos resolveram aumentar as tarifas no período de férias e de festas, aprenderam com a derrota imposta pelas ruas em junho de 2013 e isso projetou um movimento nacional, mas ainda muito desarticulado. Assim, temos que entender como a conjuntura nacional rebate em Salvador.

 

Em Salvador, o que há de especial é um prefeito extremamente habilidoso politicamente, com altos índices de popularidade, o que dá margem para medidas impopulares, como o aumento da tarifa. Por outro lado, o MPL estava extinto na cidade, só ressurgindo em 2013 na fagulha das mobilizações, com o nome de Tarifa Zero. Uma série de organizações ligadas ao PT usou e continua usando o nome do MPL para se autopromoverem, sem, contudo, assimilarem a história e as práticas do movimento. Em Salvador, portanto, há enormes barreiras para uma mobilização mais ampla e mais radical.

 

É preciso descontruir a popularidade do prefeito, lidar com a situação do sequestro da sigla do MPL e organizar a luta através de um coletivo recém-nascido. O que há a favor é a história da cidade de mobilizações mais radicais e alguns coletivos e movimentos que já existiam antes de 2013 que apoiam a luta. Entretanto, uma nova onda de protestos espalhada nacionalmente, com quase toda certeza, rebateria em Salvador e impulsionaria as lutas por aqui também. Hoje derrotar o aumento é algo muito difícil, mas tudo pode mudar em alguns dias.

 

O que ocorreu nos últimos anos relacionado a essa pauta? Congelamento? Enfrentamento? Aumento?

 

Tarifa Zero: Em Salvador, as mobilizações de rua impediram que fosse proposto o aumento da tarifa em 2013. A tarifa, portanto, não foi reduzida como em algumas cidades, mas ficou congelada por um bom tempo. Foi uma vitória. Entretanto, os aumentos em Salvador, anteriores ao ano de 2013, foram frequentes e acima da inflação. Salvador tem uma das tarifas mais altas do país e um dos piores sistemas de transporte público. A situação é muito massacrante para a maior parte da população, e a exclusão só se amplia.

 

Já é do conhecimento geral a Revolta do Buzu, de 2003, e na década de 80 aconteceu um grande quebra-quebra. Se continuarmos voltando no tempo, vamos encontrar mais episódios de revoltas generalizadas contra o sistema de transportes e questionamentos constantes à lógica de mercadoria, à qual se submete o transporte público.

 

Se nos atermos ao último ano, o que aconteceu foram alguns questionamentos dos movimentos sociais direcionados ao processo licitatório que vendeu o sistema de transportes por muito pouco às mesmas empresas de sempre, sem garantir melhoras significativas para a população. Houve questionamentos ao corte de linhas e à privatização da Lapa.

 

Também não podemos deixar de lembrar da greve dos rodoviários, por cima das direções sindicais, exigindo aumento salarial e melhores condições de trabalho. As peças do tabuleiro, após junho de 2013, se moveram muito rapidamente.

 

Como outras organizações se relacionam com a pauta, como sindicatos, movimentos sociais etc.?

 

Tarifa Zero: Já pontuamos que em Salvador aconteceu o sequestro da sigla do MPL. Setores ligados ao PT usam da sigla do MPL para se promoverem. Tentam, com isto, se aproximar de setores hostis aos partidos políticos usando do capital simbólico do MPL. A maioria dos grandes sindicatos e alguns dos movimentos sociais acaba por corroborar com esta prática, porém, eles não pautam de forma verdadeira a questão da mobilidade urbana. Quando o problema é colocado no centro dos debates, que é o que acontece quando novos aumentos são anunciados, há algum tipo de articulação, sem maiores pretensões.

 

Por outro lado, um conjunto de novos movimentos e coletivos, e até partidos políticos mais à esquerda que o PT, começou a se articular para pautar de forma mais consistente a questão da mobilidade urbana e promover lutas contra o aumento da tarifa. A pauta se coloca no centro da disputa neste momento, porém, correndo o risco de mais à frente ser esquecida pela grande maioria destas organizações da esquerda.

 

O desafio é enraizar a pauta da Tarifa Zero em todos os movimentos sociais, superar a ideia de “passe livre estudantil” e consolidar o transporte enquanto direito. Para tanto, também será necessário articular a Tarifa Zero com outras pautas do “direito à cidade”, como moradia e segurança. Não é uma luta fácil e está apenas no começo.

 

Qual a relação com o governismo?

 

Tarifa Zero: O governismo está muito confuso neste momento. Em São Paulo, acontece agora uma ofensiva contra o MPL, pois o prefeito da cidade é do PT e é uma das esperanças de renovação do partido. As mobilizações contra o aumento desgastam muito a imagem progressista de Haddad, então os governistas criticam muito o MPL, mas ainda não podem ir contra ele. Tentam a todo custo se apropriar da pauta e transformá-la em algo palatável aos governantes de plantão.

 

Em Salvador, por outro lado, o prefeito é de oposição ao governo federal e estadual, assim, os governistas podem usar do MPL com mais tranquilidade, mas retaliam em muito as práticas do movimento (autonomismo, apartidarismo, horizontalidade, ação direta etc.). Não se sabe até quando isso vai acontecer, ainda mais com a possibilidade real de nacionalização da luta contra a tarifa.

 

O governismo pode continuar a ter uma tática local para enfrentar o MPL: ofuscando o movimento, cooptando quando possível ou usando dele para obter seus ganhos; ou pode também partir para uma contraofensiva nacional. O que importa saber é que em Salvador, o Tarifa Zero, federado ao MPL, não colabora com os governistas, sejam eles ligados aos governos estadual e federal, sejam ligados ao governo municipal. A luta contra a tarifa irá acontecer seja quem for o governante.

 

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Irlan Simões é editor da Revista Rever.

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Última atualização em Terça, 27 de Janeiro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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