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“De volta a maio”, atos contra aumento da tarifa sinalizam um 2015 com grandes lutas sociais Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação; fotos: Raphael Sanz   
Quarta, 21 de Janeiro de 2015
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Estava cantado. O ano de 2015 jamais poderia ser acusado de começar depois do carnaval, praxe para definir o início dos trabalhos políticos brasileiros. Depois de um acirradíssimo 2014 e uma eleição que terminou repleta de rancores, dentre outros fenômenos sociais em ascensão, os novos governos começam a se deparar com uma recessão econômica sem fim previsto e crises estruturais em setores essenciais, a exemplo da água e energia.

 

Estamos diante de um rico cenário para as mais diversas movimentações políticas. Dessa forma, os governos estaduais e municipais de todo o país começaram o novo período “corrigindo” seu erro estratégico de 2013 e anunciaram o aumento das tarifas quando ainda espocavam os fogos do novo ano, época em que vastos setores da sociedade estão de guarda baixa.

 

Vale lembrar: em 2013, previu-se o aumento da tarifa em janeiro, o que não se concretizou, por se tratar de uma medida demasiado amarga para o primeiro mês de mandato do prefeito Fernando Haddad e a esperança de uma gestão menos clientelista e proibicionista. Desacostumados à pressão popular, após anos de anestesia das antigas referências de luta, deixou-se, sem temores, o reajuste para maio. O resto da história é conhecido.

 

Silenciosamente, o Movimento pelo Passe Livre (MPL) manteve seu trabalho de difundir estudos e experiências a respeito da tarifa zero, promovendo atividades em diversos bairros e regiões da cidade, mesmo em momentos de poucos holofotes. Beneficiou-se também da memória coletiva das grandes jornadas de 2013 e da adesão definitiva de vários outros grupos, como o MTST, à pauta da mobilidade urbana.

 

Passando livre

 

Pode-se dizer que a opção de tirar a manifestação do centro foi bem sucedida. Concentrados na praça Silvio Romero, os grupos envolvidos fizeram uma assembleia e decidiram o trajeto do terceiro ato contra a tarifa. Com menos policiamento, os cerca de 5 mil manifestantes percorreram algumas ruas do Tatuapé tranquilamente, sem esquecer de declarar solidariedade aos demitidos do metrô em 2014.

 

Ao passar pelo McDonalds da rua Serra de Bragança, talvez o momento mais marcante: seus funcionários, em peso, foram à grade saudar o movimento, segurando cartazes com o escrito “aumento não!”. E ali ficaram por alguns bons minutos. Adiante, funcionários de um restaurante japonês também mostraram seu apoio. Nos prédios do bairro, muitas sacadas e áreas comuns estavam ocupadas por pessoas que observavam, e novamente muitos gestos de apoio foram vistos.

 

“Que coincidência, não tem polícia, não tem violência”, cantaram os manifestantes, dado que o efetivo militar e suas provocações foram drasticamente reduzidos. Apenas na Radial Leste, sentido centro, pairou no ar um princípio de tensão, por conta do “faixão” que o movimento tentou manter sobre o viaduto Guadalajara.

 

Ao contorná-lo, o ato foi ao largo do Belém, onde, ali sim, o policiamento era ostensivo. No entanto, a barbárie não disse presente. Acabada a manifestação, ainda tentou-se um catracaço na estação Belém, evitado pela tropa de choque, que não se privou de apontar suas armas letais a tudo e todos.

 

Repetindo a estratégia de 2013, o MPL continua marcando atos seguidamente. De volta ao centro, o “4o grande ato contra a tarifa” já está agendado para sexta-feira, dessa vez em caráter nacional. Antes, a quinta-feira terá sete manifestações simultâneas espalhadas pela capital e região metropolitana, marcando, de vez, a entrada em cena do MTST.

 

“Chega de tarifa/ e de político babaca/ a gente tá lutando/ por uma vida sem catraca!”, resumiram os manifestantes, que dessa vez voltaram pra casa do mesmo jeito que saíram, como deveria ser sempre.

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Cada um de volta ao seu lugar?

 

A nova tarifa dos ônibus, trens e metrôs, de R$ 3,50, passou a vigorar na segunda-feira, 5. As manifestações, por sua vez, começaram na sexta, 9. Mais de 20 mil pessoas compareceram à primeira. No dia 16, cerca de 15 mil foram ao segundo ato, que pretendia se dar por encerrado nas portas da prefeitura e da secretaria municipal de transportes.

 

Pode se comparar ambas aos dias 11 e 13 de junho de 2013, estopim final daqueles dias de explosão popular que lograram um lugar na história do país. Pela brutal repressão da polícia militar, mais ainda. No entanto, as semelhanças comportamentais não param aí.

 

Parece incrível, mas todos os principais atores políticos do país “voltaram para maio”. Os tucanos são de fácil explicação. Carentes de qualquer projeto solidário e popular, resolvem todas as crises causadas por suas gestões – seja na água, metrô, saúde, educação – da mesma maneira: na porrada.

 

Foi assim que sua polícia encerrou os dois primeiros atos, conforme inúmeros relatos e imagens produzidos por militantes e comunicadores presentes. Sempre sob a inconsistente justificativa de que black blocs ou vândalos em geral promoveram alguma violência.

 

Para bancar essa narrativa falaciosa, passemos ao segundo elemento que se exaspera pela volta ao passado: a mídia comercial. Tanto a Folha como o Estado, entre outros, esqueceram seus pruridos “democráticos” acionados após o movimento conquistar a opinião pública em 2013 e voltaram a pedir sangue através de seus editoriais.

 

Apesar de sempre acusarem os manifestantes de atiçarem a violência e defenderem as ações de uma polícia ultra-equipada e preparada para o combate militar, seus enviados usam escudos, coletes e capacetes em meio aos que marcham. Aliás, o uso de tais equipamentos de segurança é questionado por vários jornalistas, pois segurança deve ser garantida a todos sem distinções e diversos manifestantes que também os utilizam são confiscados pelas tropas, “sabe-se lá por que”.

 

A senilidade

 

Completando o círculo da volta dos que não foram, temos a ala lulopetista. Novamente, são os autores das piores leituras dos fatos. Se em 2013 a direita viu nos protestos uma grande janela de oportunidade para impulsionar seu projeto de poder, o petismo apenas se apavorou, recusando-se a uma conexão com as ruas e reconhecimento da validade de diversas pautas que versam sobre direitos básicos da cidadania.

 

Conforme inúmeras análises publicadas pelo Correio nesses longos 18 meses, a reação de seu aparato apenas reafirma a redução progressiva de seu horizonte histórico, ao menos como instrumento de promoção da boa e velha luta de classes e por emancipação das maiorias.

 

Novamente, a reação variou entre a indigência analítica e o ressentimento de quem parou no tempo e não quer compreender quem são os novos movimentos e ativistas, e sua evidente rejeição ao velho modelo de política partidária. Alguns chegaram ao cúmulo de imputar ao MPL a eleição do “Congresso mais conservador desde 1964”.

 

Esquecem que, em meio às velhas castas que mandam no país, seu partido possui base aliada que conforma maioria congressual. Isso pra não falar das nomeações ministeriais, que deixaram de cabelo em pé aqueles que aceitaram, mais uma vez, a ideia do “mal menor” no segundo turno presidencial e foram responsáveis diretos por dar mais uma chance de o PT mostrar a que veio no governo central. Não à toa, aliás, a nova equipe de Dilma terminou de ser anunciada num sorrateiro 23 de dezembro.

 

Dentro de tal contexto, de incapacidade de compreender, e até respeitar, o novo, Fernando Haddad voltou a decepcionar aqueles que ainda esperam uma gestão mais humana da cidade.

 

Enquanto alguns bate-paus do governismo investiam em argumentos tecnocráticos ou falsificavam o significado do passe livre para fazer loas ao político preferido do “hipsterismo”, sem dividir os mesmos méritos com Alckmin, Haddad articulou movimento que visou enfraquecer a mobilização por dentro. Convocou os setores governistas presentes aos primeiros atos e em reunião quase secreta combinou um movimento de aceitação do aumento, sob a tentativa de espalhar a tese de que o MPL não se solidarizava com os estudantes pobres beneficiados pela “tarifa zero” petista (e tucana).

 

Somado à declaração infeliz do prefeito, que comparou o movimento aos terroristas que dizimaram a redação do periódico satírico Charlie Hebdo, provocou a revolta de inúmeros grupos e ativistas.

 

É certo que as fileiras presentes aos primeiros atos e rapidamente cooptadas não fazem a mínima diferença para a manutenção do vigor das mobilizações, mas tais atitudes podem prejudicar a formação de movimentos mais amplos.

 

Em especial do momento em que os próprios cabeças do petismo se animam com a ideia defendida por lideranças como Guilherme Boulos, do MTST, de formar uma “Frente de Esquerda” para evitar ofensivas de direita e extrema-direita, num período em que o país enfrentará recessão, desemprego, rebaixamento de direitos trabalhistas e o governo reeleito lida com escândalos de corrupção de proporções indefensáveis.

 

Ainda uma incógnita, dia 28 será marcado pelo chamado das centrais sindicais contra o arrocho e o corte de direitos, anunciados nas MPs 664 e 665. A reversão de 800 demissões na Volkswagen no ABC, em luta protagonizada pelo tradicional Sindicato dos Metalúrgicos, é um bom indício. Só o tempo dirá se o discurso de resistência da CUT ganhará as ruas, mas no atual momento, marcado também por greves independentes das direções, é provável que todos se vejam impelidos a elevarem sua contestação ao atual governo.

 

Diante disso, se for viabilizada a “Frente de Esquerda”, ela poderá ser bastante útil para colocar os setores governistas à prova. Se vão, de fato, mobilizar pelas reformas e contra os ajustes e os tarifaços, ou se vão querer usar a frente para blindar o governo.

 

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A insensibilidade histórica

 

Sobre o “passe livre estudantil”, mais uma vez o petismo discursa para os pobres enquanto faz a alegria dos mais ricos, no caso, os empresários do transporte. Alegando que só 8% da população sentirá o aumento, ignora-se o fato de que o tal passe livre para estudantes da rede pública contempla apenas 48 passagens mensais. Ou seja, casa-escola-casa. Basta fazer o mínimo raciocínio para entender a limitação do plano, pois não são poucos os que trabalham e estudam em três períodos, além do “detalhe menor” de que aos domingos e para fins de lazer não há gratuidade alguma.

 

No mais, esse PT, “moderno”, “técnico”, “maduro”, “realista”, mostra seu descompasso com a história que o projetou e o simbolismo das lutas e vitórias populares. Para uma geração que jamais teve algo a celebrar pela via política, tida até como a mais desencantada que já houve, a vitória de 2013 não era pouca coisa. Era, provavelmente, a única vez na vida em que experimentou um triunfo relevante através da organização coletiva.

 

Tivesse o mínimo de sensibilidade, Haddad faria todo o esforço para terminar o mandato sem tocar na tarifa. Mesmo porque subsídios não lhe faltam, dado que a própria auditoria que contratou para averiguar as contas das empresas que privatizaram os ônibus paulistanos apontou a impressionante cifra de 640 problemas contábeis, divididos em diversas categorias, dando toda a dimensão do obscurantismo de que desfruta o setor.

 

Mesmo assim, a ideia é renovar as concessões. E não adianta chorarem que se cobre o mesmo de Alckmin, pois é óbvio demais que movimento algum jamais mirará o tucanato como possível agente de diálogo produtivo numa pauta anti-mercado, como a tarifa zero.

 

Passar o trator na única vitória de toda uma geração tem tudo pra cobrar um preço altíssimo. O aumento para $3,50 é um fardo que compromete sua reeleição e mostra toda a incapacidade petista em manter relações com novos movimentos e ativistas que se destacam em lutas contra-hegemônicas, ao passo que seus seguidores sempre hiperbolizam qualquer movimento de direita e extrema-direita que se especule.

 

Portanto, um imenso tapa na cara. E com direito à correção monetária, dado que o aumento de 2013 era para R$ 3,20.

 

Quanto às exortações de alguns cegos em tiroteio, de que o movimento deve também pautar a crise hídrica ou o cartel do metrô (além da volta dos demitidos em 2014), informamos apenas que já há grupos se dando a tal trabalho. Só não participa quem não quer. Ou quem quer terceirizar até o protesto enquanto ficam em casa, ainda que se digam grandes rivais políticos e ideológicos. Não é o que transparece a “unidade programática” entre Alckmin e Haddad.

 

Trata-se, água, energia, cidades inviáveis, arrochos, faces de um mesmo modelo em colapso. E os grandes chefes que o pilotaram ao longo dos últimos anos e décadas, que em suas campanhas garantiram água, energia e direitos em 2015, o sabem perfeitamente.

 

Gabriel Brito e Raphael Sanz são jornalistas.

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Última atualização em Sexta, 06 de Fevereiro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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