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Objetivos estratégicos dos EUA: avassalar a UE, quebrar a Rússia e a Venezuela, derrotar o fundamentalismo Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania   
Segunda, 05 de Janeiro de 2015
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O acordo entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos, realizado com a mediação do papa Francisco para sancionar o fim do bloqueio e, consequentemente, retomar as relações diplomáticas, será o argumento político que a Casa Branca deverá usar para voltar com força na América Latina.

 

Uma decisão que, evidentemente, não foi ocasionada pelo “espírito cristão do presidente Obama”, mas que corresponde a duas exigências: a primeira, ditada pelos analistas da CIA, segundo os quais o bloqueio militar, econômico, financeiro, cultural e diplomático, em vigor desde 1961, havia perdido todos os seus fundamentos estratégicos. Uma resultante que se afirmou, sobretudo, após o fracasso do processo dos “cinco mártires”, visto que nenhum deles renegou Cuba pedindo asilo político e no mundo inteiro a campanha pela libertação dos cinco ficou cada vez mais eficaz.

Para a CIA, a desestabilização do governo cubano deverá continuar por outros meios e num contexto político e econômico diferente.

 

A segunda exigência se refere às pressões dos conglomerados financeiros que ficaram bastante preocupados com a dinâmica dos investimentos efetuados em Cuba, pela Venezuela e, principalmente, pelos países do BRICS, em particular a China e o Brasil. As excelências de Wall Street acreditam que, com a retomada dos investimentos estadunidenses em Cuba e a volta dos dólares dos turistas estadunidenses a “ditadura comunista de Raul e Fidel Castro” não tem futuro. De fato, Obama conseguiu por fim ao bloqueio depois de ter prometido aos republicanos e ao poderoso lobby cubano de Miami que até 2020 haverá uma “revolução democrática pelo respeito aos direitos humanos, capaz de acabar com a hegemonia do Partido Comunista Cubano”.

 

Avassalar a União Europeia

 

As relações dos EUA com os países da União Europeia continuam difíceis, apesar do servilismo canino do governo britânico – e do italiano. Pois o contexto europeu é bem complexo. Em primeiro lugar, porque nem todos os países europeus estão dispostos em renunciar à própria soberania política e militar e, sobretudo, a minimizar o poder de decisão em matéria de aprovisionamentos energéticos. Em segundo lugar, a estrutura financeira e econômica dos países da União Europeia não é homogênea, por isso fica mais difícil para a Casa Branca obter o consenso e, assim, uniformizar as decisões tomadas pelos burocratas de Bruxelas.

 

Em 2015, devem acabar as negociações secretas entre os EUA e a União Europeia para a implementação do “TTIP” (Tratado de Livre Troca para Investimentos e Produtos). Um megaprojeto que pretende entregar a economia, os parques industriais e os principais serviços públicos às transnacionais, contra os quais os governos quase nada poderão fazer, do momento que o TTIP vai introduzir uma nova legislação que defende, em absoluto, os interesses dos investidores, isto é, as transnacionais. Por isso, em todos os países da União Europeia haverá grandes batalhas para rejeitar a imposição do TTIP estadunidense.

 

A OTAN, sob pressão da Casa Branca, deverá reforçar e ampliar o atual esqueleto estratégico e criar uma “fronteira viva” no Leste da Europa, com a qual defrontará militarmente a Rússia. Além disso, os EUA pretendem cortar o cordão umbilical que liga a maior parte dos países europeus à Rússia, que é o principal fornecedor de gás e grande importador de produtos industriais e alimentares europeus.

 

É nesse âmbito que o presidente dos EUA, Barack Obama, pretende impor aos países da União Europeia a substituição do gás vindo da Sibéria pelas importações do “shale-gas”, produzido nos EUA a partir dos xistos betuminosos. Para facilitar essa operação, o presidente Obama decidiu subsidiar 45% dos custos de produção e, assim, tornar o “shale-gas” mais barato que o gás russo.

 

Uma proposta que será decisiva se a Rússia cometer o erro de interromper o fornecimento de gás à Ucrânia por conta da insolvência de quase 30 bilhões de dólares. Consequentemente, os EUA declararam que vão transformar a Ucrânia em uma “praça de guerra”, onde a OTAN deverá instalar uma excepcional “linha de fogo” com bases de lançamentos para foguetes terra-ar, centrais de escuta e centrais para a espionagem eletrônica.

 

Quebrar a Rússia

 

Após a desastrosa administração de Boris Yeltsin e mesmo com a imposição das regras da economia de mercado, Putin e Medvedev conseguiram ajeitar o país, tanto que, hoje, em termos geoestratégicos e militares, a Rússia voltou a competir com os Estados Unidos. Por isso, explodiu a crise política e institucional na Ucrânia, onde a Rússia – depois de ter recuperado a Crimeia – vai continuar a sustentar o separatismo russófilo que se afirmou nas regiões do Leste da Ucrânia, com a formação da República Popular de Donetsk e a de Lugansk.

 

Neste âmbito, as excelências da Casa Branca elaboraram três pacotes de sanções financeiras e econômicas, que na realidade não conseguiram quebrar a economia da Rússia. Por isso, o governo dos EUA, com o apoio dos países do Golfo membros da OPEP (Arábia Saudita, Emirados Unidos e Catar), e a cumplicidade do mercado, idealizaram a repentina queda dos preços do petróleo e do gás que, em pouco menos de uma semana, caiu de 105 para 58 dólares. Uma situação que criou graves problemas financeiros não só na Rússia, mas também ao Irã e, sobretudo, na Venezuela, onde a inflação pode sair de controle.

 

Muito dificilmente, os preços do petróleo voltarão a crescer, visto que a maioria dos países “não-produtores” quer que o preço do barril do petróleo, nos próximos seis meses, se mantenha na faixa de 55 a 62 dólares. Apesar disso, é pouco provável que Vladimir Putin decida recuar e pedir desculpa aos EUA e à União Europeia. Aliás, parece que a Rússia está aproveitando a crise para reestruturar seus ciclos industriais com vista a limitar sua dependência tecnológica e alimentar.

 

Provocar o default na Venezuela

 

O pacote de sanções contra o governo bolivariano, a abertura de novos contenciosos comerciais com as refinarias que a PDVSA possui nos Estados Unidos e o financiamento de artistas, blogueiros, intelectuais e movimentos contestadores dispostos a promover, sobretudo em Caracas, uma variegada “guerra midiática pelo retorno da democracia na Venezuela” serão os meios que o governo Obama vai utilizar para desestabilizar a Venezuela em 2015. O objetivo final disso tudo será um “levantamento popular contra o governo autoritário de Maduro”.

 

De fato, a queda do preço do barril de petróleo deverá ampliar os efeitos da inflação na Venezuela, determinando uma situação difícil para o governo bolivariano, que deverá fazer frente à falta de produtos alimentares que o setor privado se empenhará em desviar pelos canais seletivos do “mercado negro”, destinados, apenas, a quem poderá pagar em dólar. Por sua parte, a economia oficial ficará cada vez mais penalizada pela inflação, os desvios, as sabotagens e os cortes orçamentários que o governo determinou após a queda do preço do petróleo.

 

Um contexto que pode introduzir a necessidade de uma radicalização política se o exército estiver disposto a defender o poder popular, após 15 anos de sabotagens e de conspirações por parte da direita e dos EUA.

 

Derrotar as guerras fundamentalistas

 

Esta será a tarefa mais difícil e complexa que a Casa Branca deverá resolver em 2015, visto que o exército sírio de Bashar el-Assad consolidou sua presença ao derrotar os rebeldes da Frente Al-Nusra, impedindo a balcanização da Síria, outrora planejada pela França e Israel.

 

Por outro lado, os estrategistas do Pentágono acreditam que a Rússia, após a queda do preço do gás e do petróleo, deverá reduzir as facilidades de crédito aos países beligerantes, a Síria em primeiro lugar. Porém, será nesse preciso momento que entrarão em ação os emissários dos bancos chineses, com a proposta de financiar as despesas militares da Síria e, assim, poder jogar um papel preponderante na futura reconstrução do país, cujas infraestruturas (rodoviária, habitacional e industrial) foram praticamente destruídas.

 

No Iraque, os EUA e a OTAN preveem fazer um importante esforço militar para finalizar a guerra no centro do país, onde permanecem os fundamentalistas sunitas do IS (Estado Islâmico). De fato, essa guerra fortaleceu a proposta de transformar o Iraque em um Estado federativo, com a formação de um Estado curdo no Curdistão.

 

Os EUA apoiam essa tese e por isso, na primavera, devem lançar outra grande ofensiva com o uso massivo de drones e caças-bombardeiros para eliminar fisicamente a estrutura de comando do IS, ligada ao líder Al-Bagdadi. Uma vez alcançado esse objetivo, será mais fácil negociar com os comandantes sobreviventes, originários do antigo partido Baath, e impor uma solução negociada para criar “uma federação iraquiana formada por três Estados federados: o xiita, o sunita e o curdo”.

 

Na Líbia, no Mali, na Nigéria, no Sudão, no Iêmen e na Somália serão cada vez mais dramáticas e infrutíferas as tentativas do Pentágono e da OTAN de derrotar, em 2015, os movimentos fundamentalistas islâmicos locais.

 

Na Líbia, a guerra civil será cada vez mais sanguinária por conta da queda dos preços do gás e do petróleo, que reduziram, drasticamente, o fluxo de dólares destinados à sustentação e ao armamento das 151 milícias. Por isso, as matanças serão generalizadas e ficarão na ordem do dia.

 

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania".

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