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Guerra ou paz em 2015 Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Segunda, 05 de Janeiro de 2015
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As duas grandes crises internacionais estão próximas do seu desfecho em 2015. Nas questões do programa nuclear iraniano e da Palestina, tudo indica que haverá avanços extremamente significativos, talvez definitivos.

 

Paz ou guerra no Oriente Médio pintam como conseqüências das decisões que se aproximam. Um acordo entre o Ocidente e Teerã, que parecia iminente antes do prazo de nove meses de negociação, vencido em 24 de novembro, não aconteceu.

 

Até a última hora, os iranianos fizeram de tudo para se chegar a uma solução satisfatória para as partes.

 

O próprio John Kerry, secretário de Defesa dos EUA, parecia entusiasmado com essa perspectiva, mas, subitamente, os EUA tiraram o time de campo, apoiando uma proposta da França de adiamento, dando mais sete meses para se discutir a questão.

 

O que não parece nada fácil. Há ainda sérias divergências quanto ao número de centrífugas que o Irã poderá manter e o timing para o levantamento das sanções. A falta de confiança entre os países é o grande obstáculo.

 

Os EUA querem reduzir as centrífugas iranianas ao mínimo para que Teerã não tenha condições de poder produzir uma arma nuclear rapidamente. E não têm pressa para por um ponto final nas sanções.

 

O Irã acha que, tendo aceito eliminar centrífugas e sua infraestrutura nuclear, mesmo sendo as sanções suspensas, elas poderiam voltar a ser aplicadas mais tarde, caso os EUA decidissem.

 

Por isso, em vez de suspensas, as sanções precisariam ser canceladas formalmente. Querem também que se reconheça em princípio o direito do seu programa nuclear de enriquecer urânio em escala industrial – o que, aliás, não é proibido pelo Tratado de Não-Proliferação de Armas Atômicas –, embora concordem em limitá-lo nos anos seguintes.

 

Acham ainda excessivo o corte de centrífugas que pretendem lhe impor. O que, porém, complica tudo é a posse em 6 de janeiro do novo congresso norte-americano, dominado pelos republicanos.

 

A influência do agressivo governo de Netanyahu sobre essa gente é total.

 

Além da afinidade ideológica, há o peso da AIPAC e outras associações pró-Israel, que há muitos anos vêm financiando as campanhas eleitorais de grande parte dos senadores e representantes.

 

Sabe-se que eles já têm pronto um projeto de lei que impõe novas sanções ao Irã. Sua aprovação é mais do que certa.

 

E se Obama vetar – o que é discutível –, bastarão os votos de mais 12 democratas para os republicanos imporem uma derrota ao presidente, ao acordo nuclear e à paz no Oriente Médio.

 

Assim como Obama, Rouhani sofre a oposição de poderosos grupos radicais, tão belicosos quanto os membros do war party estadunidense, que não vão deixar por menos: diante de novas sanções, forçarão o governo a desistir de um acordo com o Ocidente. Rouhani não poderá fazer nada, pois, numa situação assim, o Supremo Líder Kamenei passará a ficar contra ele.

 

Aí, é fatal que o Irã retome seu programa nuclear a todo vapor, motivo para Netanyahu exigir que os EUA se juntem a seu exército num bombardeio às instalações nucleares iranianas. Mesmo que Obama consiga tirar o corpo, não vai escapar de fornecer armas, munições e apoio logístico a Israel.

 

Dá para prever que o Irã retaliará, não só atacando o território israelense, como também bloqueando o transporte de petróleo dos países do Golfo Pérsico, inclusive a Arábia Saudita, para o Ocidente.

 

Tudo isso, além de coisas ainda mais graves, pode acontecer, deflagrando uma guerra que arrastaria o Oriente Médio como um todo.

 

Para evitar esse desastre anunciado, esperava-se que EUA e Irã aproveitassem os 30 dias de dezembro para tentarem chegar a um acordo que resolvesse a questão nuclear e salvasse a paz.

 

Infelizmente, perdeu-se muito tempo e somente no dia 16 os dois países começaram as discussões. E, assim mesmo, em nível hierárquico menor, sem as presenças dos ministros do Exterior dos dois países.

 

Momentos decisivos

 

Enquanto eles tentam realizar esse sonho, que em tal prazo parece impossível, as coisas fervem na Palestina.

 

Os palestinos estão apresentando no Conselho de Segurança da ONU, através da Jordânia, projeto já anteriormente divulgado por Mahmoud Abbas, seu presidente. Na ocasião, estabelecia dois anos para o exército israelense retirar-se da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. O que significaria a independência da Palestina.

 

Em janeiro, com a entrada no Conselho de seis novos países membros, todos eles sem relações com Israel, a causa dos palestinos teria em tese os 9 votos necessários para ser aprovada.

 

Nesse caso, o veto norte-americano seria certo, o que deixaria muito mal a Casa Branca, pois insistir em negociações bilaterais depois do fracasso da última tentativa patrocinada por ela é prova de má fé, de quem, na verdade, prefere adiar ad aeternum a solução da questão. O que deixaria Obama desmoralizado, particularmente nos países árabes aliados – a Arábia Saudita, o Kuwait, o Bahrein e os Emirados do Golfo –, alimentando o antiamericanismo e a adesão de jovens revoltados aos grupos terroristas.

 

Para salvar a imagem das lideranças estadunidenses e da Europa, cujos povos são majoritariamente pró-palestinos, o governo da França, apoiado pela Alemanha e o Reino Unido, apresentou uma proposta alternativa que convoca novas negociações árabe-israelenses, dando prazo de dois anos para conseguirem um acordo de paz.

 

Acreditavam que os EUA, aliviados, correriam a aceitar e os palestinos, graças à conhecida covardia de Abbas, acabariam se conformando na base do “pouco é melhor do que nada”. Afinal, a proposta francesa não é tão ruim assim, pois estabelece uma data final para a tese das “negociações bilaterais” que vinha sendo defendida por Israel e o Ocidente.

 

Ninguém duvida de que os dois anos de prazo das negociações terminariam sem acordo algum. Com isso, soluções através da ONU surgiriam como a única forma de dar independência à Palestina, seja através de prazo para retirada das forças da ocupação, seja através de mediação entre as partes. Ou ainda pela formação de uma comissão neutra, com participação de israelenses e palestinos, para fixar as fronteiras entre os dois Estados e regulamentar as demais questões controversas.

 

O único problema é que Israel ganharia mais dois anos para tomar mais terras de palestinos e enchê-las de assentamentos e colonos, dificultando cada vez mais a transição do novo desenho do mapa da região, incluindo o Estado da Palestina.

 

Não foi surpresa quando, na hora de apresentar sua proposta ao Conselho de Segurança da ONU, Abbas, com medo de ser renegado pelos EUA, acabou amenizando os conteúdos originais.

 

A Palestina concorda agora com novas negociações com prazo certo (como quer a França), mas de apenas um ano, em vez de dois. Seguindo-se uma retirada dos exércitos de Israel por etapas, não ultrapassando o fim de 2017. Portanto, a ocupação continuaria por mais dois anos do que o proposto originalmente.

 

E mais: não se fala mais numa decisão rápida, pelo contrário, sugerem-se longas análises, o que o Ocidente interpreta como disposição de fazer concessões. O objetivo é ganhar a boa vontade norte-americana.

 

Por que a de Netanyahu, já se sabe, nunca conseguirão. Até a proposta francesa ele rejeitou duramente. Clamou que tanto ela quanto a antes apresentada por Abbas eram inaceitáveis, pois ameaçariam a estabilidade de Israel.

 

A bola foi para a diplomacia norte-americana, que parece indecisa. Acorrentado a Israel, Obama não tem como ficar com a proposta de Abbas, apesar do sensível desgaste internacional que o veto traria.

 

Mas a proposta francesa é boa para ele, porque salva sua face e adia a discussão do problema para daqui a dois anos, quando, tendo terminado seu período presidencial, desatar o nó seria missão do seu sucessor.

 

A nova posição palestina torna possível uma combinação da sua proposta com a da França, a qual, no dia em que escrevo este artigo (19 de dezembro), não começou a ser discutida.

 

É de se crer que os palestinos aceitarão aumentar o prazo das negociações para dois anos, como querem os europeus.

 

Mas dificilmente renunciarão a se marcar data certa para a retirada das tropas de Israel. Sentem que o momento deles é agora, quando a opinião pública mundial ainda está sob o choque das barbaridades cometidas pelo exército adversário na guerra de Gaza.

 

E os europeus pressionam seus governos para reconhecer a Palestina como país. Os parlamentos da França, Reino Unido, Espanha, Irlanda e até o da União Européia já exigiram o reconhecimento da Palestina como Estado independente pelos governos de seus países.

 

O governo da Suécia, aliás, já o fez. Espanha e França estão próximos de seguir este exemplo. É uma onda irresistível que percorre a Europa e muitos países de outros continentes. França, Reino Unido e Alemanha poderão entrar nela, firmando uma proposta conjunta com os países árabes, que certamente vencerá no Conselho de Segurança da ONU.

 

A importante eleição em Israel

 

Claro, os palestinos poderão acabar falando sozinhos. Será uma luta inglória contra o poder de pressão e de veto dos EUA. Derrotados, os palestinos não irão mais limitar-se a lamentações.

 

Agora não haverá vacilações, eles garantem que irão ao Tribunal Criminal Internacional (ICC), pedindo a punição de Netanyahu e principais personagens do seu governo pelos crimes de guerra cometidos em Gaza.

 

Nesse caso, Mahmoud Abbas fará de tudo para evitar essa decisão, pois está comprometido com a ideia de conseguir a independência sem perder o apoio dos EUA.

 

Lembre-se que ele já fez concessões sérias à diplomacia estadunidense, como quando retirou o apoio dos palestinos à moção dos países árabes, condenando Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

 

Ao escolher o caminho do ICC, os palestinos sofrerão certamente fortes sanções por parte dos EUA.

 

Por sua vez, Israel tem meios para retaliar de forma ainda mais dura, conforme o próprio Netanyahu acaba de anunciar.

 

Se for assim, será que os palestinos, particularmente o Hamas e, mais ainda, a Jihad Islâmica, vão ficar omissos?

 

Como já aconteceu antes, ataque puxa ataque, que puxa outro ataque e que pode acabar dando em guerra.

 

Que não ficará restrita a Gaza: o Hizbollah e, portanto, também o Líbano, serão envolvidos. Mas não desanimemos, as guerras que se vislumbram no Irã e na Palestina podem ser brecadas e substituídas por esperanças concretas de paz em ambas as regiões, estendendo-se pelo Oriente Médio.

 

Haverá eleição em Israel em 17 de março. Recente pesquisa do Canal 10 de televisão de Israel revela que Netanyahu e seu belicoso governo de direita podem ser derrotados.

 

Um bloco formado pela fusão do Partido Trabalhista com os partidos centristas Hatnua e Kadima derrotaria o Likud, partido de Netanyahu, elegendo 22 parlamentares contra 20 do adversário.

 

Perguntados sobre quem preferiria ver como primeiro-ministro, os 23% dos respondentes escolheriam Netanyahu, tendo o trabalhista Herzog ficado em segundo, com 22%, empate técnico, portanto.

 

Como cabe ao partido vencedor escolher o primeiro-ministro, existem boas chances de a coligação de centro-esquerda vencer.

 

Caso isso se concretize, as coisas podem mudar na questão da independência palestina. A posição do grupo de centro-esquerda é aberta e muito mais moderada do que a do governo Netanyahu.

 

Não que agora tudo o que os palestinos pretendem seria concedido.

 

Mas haverá desejo honesto de mudança por parte desse novo governo israelense e moderação nas suas exigências – coisas que não existiam com Netanyahu –, tornando possível o impossível: um acordo entre Israel e palestinos.

 

Essa boa vontade pode atingir as difíceis relações judaico-iranianas. Não se imagina que os dois países virão a eliminar todas as suas diferenças agora. Acredito, sim, que o ódio pode virar apenas inimizade, que os possíveis novos dirigentes vão procurar desarmar os espíritos, buscar a paz através da diplomacia, sem perder de vista a segurança.

 

E, assim, na questão nuclear iraniana, não terão por que rejeitar um acordo sensato entre o Irã e o Ocidente.

 

Mudando as posições de Israel, mudam seus seguidores nos EUA: a AIPAC e os congressistas norte-americanos. Ficam mais tolerantes.

 

O suficiente para não atrapalharem soluções de bom senso no Irã e na Palestina. Claro, apesar dos números favoráveis da pesquisa, ainda faltam três meses para as eleições israelenses.

 

Mesmo enfraquecido, Netanyahu pode vencer. Seu governo será ainda mais radical e direitista, pois não terá os dois ministros moderados que permaneceram até novembro, quando foram demitidos por ele.

 

Nesse caso, contemos com guerras nos dois fronts. Adeus paz.

 

Luiz Eça é jornalista

Website: www.olharomundo.com.br

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Última atualização em Domingo, 04 de Janeiro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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