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A roubalheira na Petrobras Imprimir E-mail
Escrito por Otto Filgueiras   
Segunda, 05 de Janeiro de 2015
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O objetivo das denúncias de corrupção por parte importante da mídia comercial, de grandes multinacionais do petróleo, do PSDB, do DEM, das burguesias nacional e internacional é a privatização total da Petrobras.

 

Mas a roubalheira existiu e envolve, além do PP de Paulo Maluf, o PMDB, o PSDB, o DEM e até o PT, que se lambuzou com o dinheiro fácil da Petrobras. Ao invés de dar o exemplo de rigor no trato da empresa que devia ser pública, petistas chapa branca meteram a mão, incluindo personagem do livro da Ação Popular.

 

Tudo pela grana e também a governabilidade do sistema capitalista. Embora diga que se diferencia dos tucanos e dos demos, que está preocupado com o petróleo do pré-sal, pois precisa de dinheiro para programas sociais, o PT está intensificando a desnacionalização do nosso petróleo com os leilões, particularmente do campo de Libra.

 

É certo que os governos FHC pretendiam até mudar o nome da empresa para Petrobrax e deixaram cama de gato para os governos petistas chapa branca e de comunistas de logotipo, particularmente transformando a empresa numa SA e subordinando as decisões da Petrobras aos interesses milionários de grandes investidores nas bolsas de valores, do Brasil e do mundo.

 

Mas o petismo chapa branca, comunistas de logotipo e os governos Lula/Dilma meteram os pés pelas mãos.

 

A crise está instalada e parte da direção do PSDB quer dar o golpe e anular a eleição. Defendia que a justiça eleitoral declarasse o impedimento de Dilma. Embora o tucano Aécio Neves afirmasse que não via motivos para um impeachment da presidente.

 

Em entrevista para a rede Globo de televisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello (aquele indicado para o STF por Fernando Collor de Mello, o presidente do impeachment), já disse que há nuvens carregadas em Brasília, dando a entender que teremos tempestades políticas pela frente.

 

Enquanto isso, boa parte da esquerda revolucionária não consegue sair do isolamento, mas escreve suas críticas, e com razão, aos governos Lula/Dilma.

 

Por outro lado, movimentos sociais, como o Passe Livre, que desencadeou as vitoriosas jornadas de rua de 2013, mas apoiou a candidatura Dilma no segundo turno eleitoral, em 2014, continua com discurso anarquista e contra o partido da classe operária, como se fosse possível o prosseguimento da luta com postura autonomista.

 

Naturalmente, muitos fazem comparação com as condições da revolução bolchevique de fevereiro 1917 e depois a de outubro, com a perseguição contra Leon Trotsky, o seu posterior assassinato a mando de Josef Stalin, a consolidação do estalinismo, o fim da União Soviética e a queda do muro de Berlim.

 

Mas não podemos esquecer que muitos dos que se diziam trotskistas foram tanto para a esquerda que terminaram na direita, a exemplo de Antonio Palocci e outros mais.

 

Embora a presidente Dilma Rousseff invente que houve uma anistia que possibilitou uma composição, um acordo, não houve nenhum pacto político.

 

Mas é preciso entender, não apenas teoricamente, e mostrar ao povo trabalhador, que o capitalismo provoca, ele mesmo, as crises do sistema e a infelicidade da grande maioria da população, intensificando cada vez mais a exploração de mulheres e homens.

 

De pouco adianta dizer e repassar mensagens e matérias de que o objetivo dos inimigos é privatizar de vez a Petrobras, sem reconhecer que há roubalheira, inclusive de expoentes do PT, sendo que muitos ficaram ricos, de forma legal ou ilegal, outros se acostumaram com os negócios da China e alguns dão até tombo na praça.

 

Da mesma forma não é producente se intitular de esquerda organizada, se dizer deste ou daquele partido ou organização revolucionária, e não conseguir fazer com que uma faísca incendeie a pradaria. Afinal, como escreveu Lênin, o esquerdismo é a doença infantil do comunismo, assim como ser doutrinarista e autonomista não ajuda em nada a revolução socialista.

 

Basta o petismo, que só atrapalhou, iludindo a classe operária e o conjunto dos trabalhadores.

 

 

Otto Filgueiras é jornalista e está lançando o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular.

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Última atualização em Segunda, 05 de Janeiro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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