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2014, o ano em que o crescimento sumiu Imprimir E-mail
Escrito por Jurandyr O. Negrão   
Sexta, 19 de Dezembro de 2014
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Quando o ano estava começando, esperava-se que a economia brasileira fosse alcançar um ritmo de crescimento morno, na faixa de 2% a 3%. Ao findar-se 2014, a percepção é de que ela praticamente estagnou: se tiver havido alta do PIB, não deverá chegar a 0,5%.

 

O que fez o crescimento sumir? Podem-se destacar quatro elementos.

 

O primeiro é mais um ano decepcionante da economia global. Pelo quarto ano seguido, o PIB do mundo ficou aquém do que se esperava – deve fechar o ano com alta pouco acima de 3%, ritmo fraco e próximo ao de 2013. Em 2014, isso se deveu sobretudo à fraqueza da Europa – cujo PIB parou de cair (tinha encolhido 1% em 2012-2013), mas cresceu quase nada – e à desaceleração de várias grandes economias exportadoras de matérias-primas (como o Brasil).

 

Estas foram prejudicadas pela perda de impulso da demanda chinesa, que se traduziu em baixa nas cotações das commodities, e pela perspectiva de que os EUA continuem lentamente a reverter sua política excepcionalmente agressiva de estímulo monetário à reativação da demanda (juros praticamente zero, compras gigantescas de títulos para baixar os juros de mercado). Como reflexo disso, o dólar subiu bastante no mundo todo, dificultando o controle da inflação nas economias ditas “emergentes” e, portanto, dificultando o crescimento.

 

Essa influência adversa da economia global foi muito enfatizada pelo governo como justificativa para o desempenho pífio da economia brasileira. Mas os outros três elementos que geraram a estagnação foram domésticos.

 

Nos primeiros meses do ano, houve risco sério de que um racionamento de energia tivesse de ser iniciado. É claro que a escassez de chuvas no Sudeste foi um estopim de tal risco (ainda presente para 2015). Porém, o atraso na entrega de obras de expansão de capacidade de geração de energia também pesou. E, também é claro, o receio de falta de energia inibiu investimentos.

 

Outro fator doméstico que inibiu o crescimento brasileiro em 2014, provavelmente o mais importante, foi a queda pronunciada da confiança de consumidores e empresários. A confiança é apurada por meio de entrevistas, um indicador de sentimento, portanto, subjetivo. Mas dados objetivos corroboram essa constatação: os componentes da demanda que mais dependem da confiança, os investimentos e o consumo de bens duráveis, foram os que tiveram pior desempenho em 2014: o investimento (em máquinas e edificações) deve fechar o ano com queda próxima de 6%, e a produção de bens de consumo duráveis teve queda da mesma ordem de grandeza.

 

Não é simples responder o que derrubou a confiança. A queda ganhou impulso ainda em 2013, na época das manifestações contra os aumentos de tarifas de transporte público. Naquele momento, talvez, o otimismo exagerado suscitado pelos anos Lula tenha se rompido (à esquerda e à direita do espectro político). Outro fator pode ter sido o maior intervencionismo da política econômica, menos preocupada em demonstrar apego às teses liberais do que no governo Lula (especialmente no seu primeiro mandato). Um exemplo desse maior intervencionismo foi a decisão (tomada ainda em 2012) de, em nome da necessidade de coibir a valorização do real para proteger a competitividade da produção brasileira, taxar pesadamente capitais externos que ingressam no país para usufruir da taxa de juros por um prazo curto. A decisão (de bom senso) representou mexer com um tabu, rendeu muitas críticas e, ironicamente, foi logo revertida (dado que no plano global o dólar entrou em tendência de alta).

 

Foi na mesma linha a decisão de acelerar o crédito público (do BNDES, da Caixa e do Banco do Brasil), que afetou interesses dos grandes bancos privados. Entre 2009 e 2011, etapa de maior temor quanto aos impactos da crise financeira internacional, os bancos (e seus porta-vozes) se calaram. Mas passada a emergência, começaram a criticar o abandono do “tripé” câmbio flutuante (conspurcado também por intervenções do Banco Central), metas de inflação (cumpridas, mas por um triz) e “austeridade” fiscal.

 

É impossível deixar de comentar que faltaram ao governo habilidade e capacidade de comunicação para impedir que essas críticas repercutissem tanto. No caso das contas públicas, por exemplo, o governo nunca deixou claro que hoje as metas têm caráter totalmente diferente daquelas fixadas nos tempos em que tínhamos acordos com o FMI. Naquelas ocasiões, descumprir a meta trazia uma consequência dura: a suspensão dos empréstimos contratados para aliviar a grave penúria de dólares que atravessávamos. Já hoje em dia, o descumprimento da meta (ou manobras contábeis para impedir que o descumprimento se explicite) não suscita um “castigo” imediato – exceto pelo desgaste da credibilidade (e, assim, da confiança de consumidores, sobretudo, banqueiros e empresários).

 

O “castigo” mais direto pela redução da economia de receitas públicas para pagar juros da dívida é a possibilidade de que os títulos do governo brasileiro deixem de ser considerados um investimento de baixo risco pelas agências de classificação de risco (o que implicaria passar a pagar mais caro para conseguir empréstimos, pressionando também o custo de captação de recursos das empresas privadas brasileiras). É essa uma das preocupações que condiciona as opções do início do segundo mandato de Dilma – tema que trataremos no próximo artigo.

 

Para fechar, falta falar do quarto elemento que, associado aos anteriores, minou o crescimento em 2014. Nos anos anteriores, o governo estimulou compras de máquinas e de bens duráveis por meio de vantagens de validade temporária (IPI mais baixo, crédito do BNDES a custo excepcionalmente baixo). Para usufruir dessas vantagens, consumidores e empresários anteciparam parte das compras que em princípio fariam 2014.

 

O governo confiava que, ao chegar 2014, a situação estaria mais tranquila e essas vendas não “fariam falta”, mas o que se observou foi o contrário: a queda da confiança gerou um movimento de protelação de compras. Movimento que, se revertido, poderá facilitar um pouco as coisas em 2015. Mas, de novo, isso é tema para o próximo artigo.

 

Jurandyr O. Negrão é economista.

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