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O ano em que deveríamos ter saído de férias Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Sexta, 19 de Dezembro de 2014
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É muito fácil resumir o ano esportivo que finda. Basta este singelo vídeo de 7 minutos. Como bons camaradas que tentamos ser, avisamos: não era pra ter Copa do Mundo no Brasil. De consciência leve, pois longe de termos sido comentaristas de fatos consumados, avisamos desde o princípio que a aventura seria inglória. Estão aí os arquivos deste Correio para confirmar os insistentes alertas.

 

O que temos para dizer é apenas um resumo do que já foi publicado neste jornal ao longo dos anos. Antes de tudo um paradoxo, pois as “dádivas” esportivas foram articuladas num momento em que a desilusão popular com a política se cristalizava.

 

Eram tempos de crises seguidas no Congresso, desmoronamento da esperança que vencera o medo e fortalecimento, razoavelmente injusto, dos conceitos de que o povo brasileiro se despolitizava como nunca – ideia que o tempo, felizmente, tem mostrado questionável.

 

Neste contexto, com a tradicional lavagem cerebral que caracteriza o ‘jornalismo’ de alguns oligopólios econômicos, conseguiu-se criar um clima de quase unanimidade em torno da importância de sediarmos Copa e Olimpíadas, e a certeza inabalável de que o país seria outro depois do apagar da pira olímpica, em meados de 2016.

 

Assim, preservamos a vantagem de não sentir decepção e revolta. Pois não era possível que um partido que se descomprometeu a lutar por transformações estruturais, ao lado de gente como os recentes mandatários do Rio de Janeiro, marcados para sempre como símbolos máximos da política como negócio, promovessem o “progresso” tantas vezes martelado em belas projeções gráficas e matérias da Globo.

 

A essa altura, é fácil falar que tudo não passou de um lamentável embuste, golpe, assalto. Porém, segue necessário denunciar, dado que a Copa apenas inaugurou um novo modelo de negócio para o futebol brasileiro.

 

Foi tudo como previsto. Os critérios de escolha das sedes foram meramente politiqueiros e capitais tradicionais no futebol foram preteridas; as obras atrasariam o máximo possível, para que no final fossem financiadas a todo custo, sem nenhuma transparência, o que também redundaria numa superexploração do trabalho; obras realmente úteis para a vida cotidiana das cidades eram conversa pra boi dormir; nenhuma política esportiva progressiva foi implementada.

 

Por um mês, para ricos e turistas, o Brasil funcionaria bem, obrigado. Tal como na paupérrima África do Sul, todo e qualquer esforço para garantir o sucesso da festa da FIFA seria garantido, inclusive com a implantação de Estado de Exceção, se necessário. Direitos foram suspensos, legislações repressivas vieram pra ficar e os jogos correram perfeitamente. Aliás, alguém viu caos aéreo na Copa? Mas, enquanto se acreditava nisso, eles conseguiram privatizar os aeroportos mais rentáveis, agora sob administração da turma lava-jato.

 

Não haveria a chamada “modernização”, a não ser a conservadora, tal como vemos. Sob os auspícios dos mesmos dirigentes - que sempre fizeram os clubes insolventes, jamais organizaram um calendário decente e práticas de gestão respeitáveis, ou sequer respeitaram os regulamentos escritos por eles próprios, além de terem tapado os olhos para a decadência técnica e mental de nosso futebol em troca de grandes negócios com a camisa amarela -, o castigo só poderia vir a cavalo.

 

O que é ruim sempre pode piorar

 

Claro, ninguém imaginou que a tragédia do Maracanazo seria tão largamente superada, com uma vergonha que será lembrada enquanto existir futebol. Mas absolutamente tudo foi feito para tal. A ponto de a saída de Ricardo Teixeira da CBF ter significado uma piora. Desde então, dirigentes ainda mais obscurantistas assumiram o trono.

 

Até as famigeradas viradas de mesa voltaram a ocorrer. Aliás, podemos considerar ilegítimas as edições de 2014 do Campeonato Brasileiro, pelo menos das séries A e B. Vale lembrar que o MP afirma que a escalação supostamente irregular de jogador da Portuguesa, na verdade, foi uma negociata do próprio clube, que assim teria vendido sua vaga para que Vasco ou Fluminense, ao menos um, se salvasse do rebaixamento.

 

Já na série B desse ano, o América Mineiro foi destituído de pontos por escalação irregular de um jogador, justamente no momento em que o Vasco escorregava da zona de classificação. Bizarramente, parte foi devolvida, mas não o todo.

 

Enfim, trata-se de um futebol ainda montado para a imposição da lei do mais forte, estrategicamente vulnerável à ‘falcatrua necessária’, dispositivo acionado em situações-limite de alguns filhos diletos da Confederação que não sabe cuidar de inscrição de atletas. Se não sabe cuidar de inscrições, problema que jamais interfere em torneios da várzea, claro que não podemos esperar um projeto saudável de “modernização”.

 

E enquanto essas linhas são traçadas, os clubes e a chamada bancada da bola do Congresso articulam contrabando na MP 656/14 (que trata de isenção fiscal para importação de aerogeradores!), onde foi incluída a ‘discreta’ emenda que visa criar uma Lei de Responsabilidade Fiscal do futebol, sem nenhuma contrapartida. O recente movimento dos jogadores – Bom Senso Futebol Clube – já se mostra indignado com a lei que a cartolagem busca aprovar, a fim de refinanciar quase 5 bilhões de reais em dívidas. Ao menos, a presidente Dilma ainda pode vetar.

 

Esse é o legado da Copa do Mundo para o futebol brasileiro. E vem mais por aí. Como dito antes, o que temos é uma invasão neoliberal, que visa transformar tudo em torno ao jogo em dinheiro.

 

A face mais perversa do projeto é a visível elitização do acesso ao estádio. Antes festejado palco de encontro entre diferentes, hoje templo de consumo de frequentadores passivos, de preferência pouco habituados à cultura histórica do jogo e, portanto, prontos para abraçarem o novo modelo sem contestação. Eis o plano. Claro que “pelo nosso bem”, “pela família”, “contra a violência”...

 

Mais uma vez, o discurso ditatorial de que “é isso ou estamos no buraco”, ao melhor estilo das privatizações de empresas públicas ou exploração desenfreada de recursos naturais, deu o tom, impunemente. E, apesar de todos os fiascos, ainda continuaremos por um bom tempo bombardeados pelas cantilenas de mercado.

 

Se dentro de campo estamos péssimos, os ‘especialistas em gestão’ estão com a bola toda, a ponto de vermos torcedores – ou neotorcedores – falando de contratações de gerentes como se falassem de ídolos. Se não andamos vendo craques nos novos templos de mármore, temos advogados, auditores e gente com MBA debaixo do braço pra dividir os holofotes.

 

Depois do holocausto do Mineirão, essa gente que sempre tem razão até admitiu que precisamos refletir sobre a vida, reorganizar tudo e estudar mais o próprio futebol mundo afora, coisa que a grade da televisão jamais priorizou.

 

O problema é que talvez seja tarde demais. Pois todo esse impulso ocorreu exatamente quando o Brasil surfava em seu próprio boom, o mesmo que livrou a cara do governo Lula e alavancou nossa economia ao sexto lugar mundial. Foram tempos de bonança, o mercado publicitário esteve forte como nunca, os clubes, ao menos da casta principal, conseguiram contratos fabulosos de TV e patrocínio.

 

No entanto, a galinha parece próxima do pouso e o ano que vem não é dos mais alvissareiros economicamente. De modo que o modelo inaugurado na Inglaterra thatcherista deverá ser colocado em xeque mais rapidamente do que pensaram seus idealizadores. Mas, enquanto for possível, tentarão extrair o máximo, como vemos em jogos festejados por seus recordes de renda e seus ingressos de 500 reais.

 

Impotência olímpica

 

Pra não ficar só no futebol, o quadro não é menos desalentador. As Olimpíadas estão chegando e o processo é parecido com a Copa. Não há o menor clima esportivo no Rio, não temos mais atletas treinando e sendo formados e até o Estádio Olímpico é uma incógnita, pois o Engenhão continua interditado e o novo (ou ex) Maracanã é inadaptável ao atletismo, praticamente a principal modalidade dos jogos. “Só isso”, amigos.

 

Nas demais confederações, nada mais do que pequenas CBFs. No vôlei, o mais bem sucedido esporte nacional dos últimos 15 anos, escândalos de corrupção em consultorias fizeram a casa toda cair. Em vez de pensarem nas históricas façanhas de ganharem todas as medalhas de ouro em casa (na quadra e na praia), os atletas agora se chocam e mostram revolta com o proveito que os dirigentes tiraram de seu talento e suor (aliás, uma consciência muito superior à dos futebolistas).

 

Suspeita-se que o mesmo pode estar em andamento na Confederação de Tênis. Nas demais federações, nada de novo, nenhum trabalho destacável. E assim vai o sonho de “potência olímpica”.

 

Pra encerrar, só a frase que já virou jargão popular, próprio de povos que sabem tirar sarro de si mesmos: “gol da Alemanha!”.

 

Gabriel Brito é jornalista.

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Última atualização em Segunda, 22 de Dezembro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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