Estados Unidos: o infrutífero 2014

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2014 não será possivelmente recordado como um momento venturoso na política externa norte-americana, não obstante o recente e surpreendente anúncio de aproximação com Cuba, após mais de cinco décadas de tensão.

 

Outrossim, a desativação da base militar de Guantánamo como centro de detenção singular poderá auxiliar mesmo de forma indireta o processo de distensão amero-cubano.

 

Como em anos anteriores, o centro do problema estadunidense localiza-se no Oriente Médio e arredores, como o Afeganistão, por exemplo, onde o extremismo de raiz religiosa não é contido de modo eficaz.

 

Integrista também aos olhos da Casa Branca, malgrado a visível diferença com os grupos emergentes nos últimos tempos, figura o Irã. Com aspirações regionais de poder, Teerã estrutura um programa nuclear em que não há convergência no sistema internacional sobre sua finalidade.

 

Se for considerado apenas civil pelas potências ocidentais, sanções econômicas efetuadas pelo governo norte-americano seriam suspensas. Por conseguinte, isto contribuiria para desanuviar os ânimos entre as duas sociedades em um momento no qual o preço do petróleo, principal produto da economia irânica, sinaliza decrescer mais e mais.

 

Após uma desgastante década de combates em toda aquela região, os Estados Unidos deparam-se com a fixação de outro agrupamento fundamentalista, de condição geográfica assaz distinta dos seus predecessores ou inspiradores: o autodenominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que se aproveita do conflito civil na Síria para encorpar-se.

 

A despeito do drama médio oriental, Washington ainda tem de preocupar-se com a movimentação de Moscou em torno de territórios na fronteira com a Ucrânia. Sua recente independência ainda é desconsiderada do ponto de vista político por segmentos mais conservadores do poderoso país vizinho.

 

Além do mais, com a continuidade da estagnação econômica global, faltam condições diplomáticas à Casa Branca para encaminhar de maneira mais célere um acordo de livre comércio com governos asiáticos, entre os quais sobressai o do Japão, que, por sua vez, não desfruta do entusiasmo necessário para impulsionar nova onda de desenvolvimento.  Sem o entendimento com a Ásia, Bruxelas não terá interesse em firmar entendimento similar com Washington.

 

De modo paralelo, os norte-americanos têm dificuldade de levar a cabo negociações de forma satisfatória com os chineses no tocante à preservação das atuais condições climáticas, já deterioradas em vista dos objetivos de impedir o aquecimento maior do globo.

 

Maiores poluidores planetários, estes desejam que a responsabilidade não seja somente sua, uma vez que contam com o aval tácito de consumidores em todos os continentes, em especial no presente período do ano, em que a justificativa natalina hipnotiza a sociedade ao redor das compras de quinquilheiro.

 

Destarte, a sociedade estadunidense não espera no curto prazo a solução dos itens acima mencionados, dado que seis anos de gestão de Barack Obama já demonstraram a incapacidade de ao menos reduzir a intensidade dos problemas, em face da injustificada manutenção da postura da política externa antecessora.

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

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