O lulismo é maior que o petismo

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Segundo a nova pesquisa do Instituto Sensus (12 de outubro de 2007), a popularidade do presidente Lula e a aprovação do seu governo continuam altas. A pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra números positivos, tanto para a avaliação do presidente quanto para seu governo. Mais de 61% dos brasileiros aprovam o presidente Lula e 46,5% avaliam o desempenho do seu governo como positivo.

 

Apesar das crises e turbulências por que o partido do presidente (PT) passou nos últimos tempos, a imagem de Lula continua inabalável. Se o cenário político e econômico se mantiverem estáveis nos próximos anos, bem provável que, em 2010, o presidente Lula venha a fazer seu sucessor ao Palácio do Planalto. Alguns nomes já estão sendo cogitados: Dilma Rousseff, Marta Suplicy e Tarso Genro (do próprio PT), Ciro Gomes ou Nelson Jobim (da base aliada), ou, quem sabe, o dele próprio (caso mexa na Constituição). Não se descarta, também, a possibilidade de que Lula volte a concorrer à presidência da República em 2014.

 

O fenômeno do lulismo pode ser associado a uma nova onda de personalismos (culto à pessoa) e populismos (fenômeno político caracterizado pela liderança de uma pessoa que geralmente expressa carisma - popularidade), muito presente no cenário político da América Latina. O culto à pessoa é maior que a ideologia dos seus próprios partidos. Por exemplo, no Brasil, prevalece a imagem carismática e messiânica do presidente Lula, mesmo que o seu próprio partido, o PT, não vá tão bem assim.

 

Apesar de ter conquistado a presidência da República, cinco governos estaduais e de ter eleito a segunda bancada da Câmara de Deputados (83), percebe-se que os votos dados ao PT na Câmara Federal têm declinado. Foram 2,1 milhões de votos a menos se comparados com as eleições 2002, quando totalizou 16.094 milhões, contra 13.990 milhões de 2006. Isto significa que o PT perdeu no Congresso Nacional 13% de seu eleitorado entre uma eleição e outra. As perdas mais significativas deram-se no Sul, 675 mil a menos (-22%) e no Sudeste, menos 1.902 milhão de votos (-23%). Somente no estado de São Paulo o declínio foi de 1.062 milhão de votos (-21,5%). O declínio poderia ter sido maior caso as regiões Norte e Nordeste do país não houvessem incrementado a votação pró-Lula. No Nordeste (influenciado pelo Bolsa Família), o PT fez 374 mil votos a mais (13%) e, no norte, 207 mil votos (31%).

 

Por outro lado, se traçarmos um paralelo entre o voto petista no Congresso Nacional com o voto petista para presidente, constata-se que a votação de Lula foi duas vezes maior do que os votos atribuídos aos candidatos petistas a deputado federal. Lula fez nas eleições 2006 mais de 46.662 milhões no primeiro turno contra 13.990 milhões de votos para o Congresso. Se compararmos ainda os votos recebidos por Lula nas eleições de 2002 com as eleições 2006, percebe-se que houve um crescimento de 39.455 milhões, em 2002, para 46.662, em 2006, um crescimento de 7.207 milhões de votos (18,26%).

 

Em síntese, o lulismo pode ser caracterizado como uma forma de administração voltada para a manutenção das políticas de mercado (política econômica ortodoxa: controle da inflação, remessas recordes de lucros ao estrangeiro, benefícios aos banqueiros); do burocratismo estatal, gerenciado pelos companheiros sindicalistas (45% dos cargos de confiança são compostos por sindicalistas); e pela prática populista assistencial do “Bolsa Família” (beneficiando os extremamente pobres). Talvez por estas razões deu-se a vitória da reeleição e a manutenção dos percentuais de avaliação tão positivos. Por outro lado, o PT não consegue o mesmo êxito conquistado pela sua principal liderança, o presidente Lula. Lula pode sobreviver politicamente sem o PT. Mas e o PT, sobreviveria sem Lula?

 

 

Dejalma Cremonese é cientista político.


Web Site: www.capitalsocialsul.com.br
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