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‘A esquerda capitalizou junho na medida do possível’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader, da Redação   
Qui, 16 de Outubro de 2014
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Continuam as avaliações dos resultados eleitorais e, apesar de algumas diferenças de opinião, afirma-se um avanço do conservadorismo. Para analisar cenários futuros, o Correio da Cidadania entrevistou Ivan Valente, reeleito deputado federal pelo PSOL paulista.

 

“A onda conservadora, que se dá através de um voto que não vem de manifestações de rua, mas de uma lógica de pensamento ultraconservador, resgata, inclusive, valores da ditadura militar. Uma primeira estampa do Congresso mostra um avanço do conservadorismo. Isso não quer dizer que teremos, necessariamente e sem resistência, um retrocesso de bandeiras. Vamos combater isso na rua, na luta de massas e na resistência no Congresso Nacional”, resumiu.

 

Nesse sentido, Valente brindou o crescimento da bancada psolista, ainda que o espaço a ser ocupado pelos partidos de esquerda continue em aberto. “O PSOL, entre os partidos de esquerda, é o mais bem posicionado para ocupar o espaço que estava dado, conseguindo avanços importantes. Quanto ao espectro de centro-esquerda, eu diria que foi todo abatido. O PT encolheu e o PSB está, de alguma forma, detonado pelas divisões e pelas opções que fez”, observou.

 

Já sobre o segundo turno, cujo desfecho considera imprevisível, enxerga um Aécio embalado pelo fato de Marina ter queimado seu cartaz de “nova política” e, assim, permitido que o PSDB, mais conhecido do público, ocupasse o espaço do “despolitizado” voto anti-petista. “A ideia da ‘alternância de poder’ vem acompanhada de um projeto velho”, lamentou.

 

A entrevista completa com Ivan Valente pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Primeiramente, o que pensa do fato de que, desinflada a ‘bolha’ Marina, PT e PSDB novamente estarão no duelo final pelo Planalto?

 

Ivan Valente: Nós estamos diante de uma realidade na qual as duas maiores estruturas partidárias governaram e governam o país, desde 1994. Essas máquinas partidárias têm um peso muito grande no processo eleitoral.

 

Em segundo lugar, a polarização não vai ser quebrada com uma terceira via como a da Marina, que defende a mesma coisa, a exemplo do tripé econômico. Na prática, a população opta por aquilo que pensa já conhecer.  A política econômica é a mesma desde o Fernando Henrique, tanto faz se é o Malan ou o Palocci o ministro da Fazenda; ambos mantêm o superávit primário, as metas fiscais, o câmbio flutuante, essas questões todas...

 

Em terceiro lugar, para mudar tal polarização, precisaria, logicamente, que um setor de esquerda tivesse força política, em cima de um programa democrático-popular com bases estruturantes e plataforma mais ampla, como a reforma agrária, a democratização dos meios de comunicação, a auditoria da dívida pública brasileira, a elaboração de outro projeto de desenvolvimento (que não esteja baseado, fundamentalmente, no agronegócio), a defesa dos interesses da classe trabalhadora, dos direitos sociais e trabalhistas etc.

 

Todas as questões mencionadas estão colocadas numa plataforma de esquerda, mas ainda não se conseguiu alçar voos suficientes para chegar a disputar, efetivamente, corações e mentes.

 

Correio da Cidadania: Em sua visão, o que proporcionou a queda de Marina Silva na reta final da eleição e a votação inesperada em Aécio Neves?

 

Ivan Valente: Nós temos uma situação em que o PT mostrou certo esgotamento e desgaste. Seu modelo de caminhar contornando obstáculos, evitando os conflitos e promovendo a conciliação não muda fundamentalmente as estruturas. Chega ao esgotamento, apesar de ter conseguido alguns avanços na distribuição de renda e na oferta de algumas benesses importantes para os menos favorecidos. Mas hoje é insuficiente.

 

Penso que a mídia e a direita, apesar dos gravíssimos erros cometidos pelo PT (os mesmos do PSDB), conseguiram colar no partido o carimbo da corrupção, através de um trabalho sistemático. O partido ficou numa grande defensiva, também porque abandonou a lógica da organização popular e da pressão social de baixo pra cima, no enfrentamento às ofensivas dos setores conservadores e de direita.

 

Logo, o PT perdeu empuxo, vamos dizer assim, o que não quer dizer que a proposta do PSDB, de privatização total, neoliberal, de mais “segurança” e violação de direitos humanos, tivesse o apoio imediato de toda a população. Assim, a Marina apareceu como um anti-PT – ela se colocou no processo como capaz de vencer o petismo e incorporou uma grande parcela do eleitorado. Primeiro, tais votos recaíram sobre a Marina, que decolou e puxou o Aécio pra baixo; mais tarde, quando ela caiu, a estrutura tucana capitalizou o desgaste petista.

 

Portanto, o voto de Marina, mesmo antes de ela declarar apoio ao Aécio, era de uma esmagadora maioria que já tinha decidido pelo voto anti-PT, um voto, na verdade, despolitizado. O problema é que o plano de governo e a postura da Marina mostraram que ela não era “nova política” coisa nenhuma. Autonomia do Banco Central os tucanos já defendem há muito tempo. E o petismo, quando botou o Meirelles lá, concedeu uma autonomia de fato. Desse modo, à medida que Marina recuou nas pautas relativas aos costumes pessoais, foi perdendo peso no eleitorado progressista que ainda estava com ela, ficando somente com o eleitorado anti-petista.

 

Nesse sentido, acho que há uma onda conservadora que também já se manifestou em junho do ano passado, embora um setor da esquerda não quisesse ver que a grande importância das manifestações de 2013 era o destravamento da luta social. A ida à rua começou com um embalo de esquerda, a exemplo do Movimento Passe Livre ou da luta contra a violência policial. Mas, depois, também assistimos a uma grande presença de movimentações claramente conservadoras, anti-partidos, anti-movimento social, difusa e com características de direita. Havia, inclusive, paramilitares em alguns momentos, que foram auxiliados por condutas e grupos anarquistas que também ajudaram a afastar uma grande parcela da juventude das ruas. Ali já estava presente esse sentimento mais conservador, latente.

 

De um lado, o lulismo (ou o petismo) não consegue mais dar o salto de qualidade de reformas estruturantes; de outro, é carimbado como corrupto. Assim, vira uma excelente presa para o discurso direitista, que, ao mesmo tempo, se encarregou de encampar a ideia da mudança, da alternância de poder etc.

 

Portanto, a eleição se repolarizou. Mas houve um espaço também para o crescimento das alternativas da esquerda, como foi o caso do PSOL, que cresceu um pouco dentro de suas possibilidades e de sua capilaridade política, mostrando que também há um espaço real à esquerda, que precisa ser ocupado e avançado. Foi o que fez, em parte, a candidatura da Luciana Genro e o crescimento da bancada do PSOL.

 

Correio da Cidadania: De modo geral, como enxerga os resultados eleitorais verificados Brasil afora? Quais forças sobem e descem no jogo político-institucional?

 

Ivan Valente: A eleição nos estados mostrou uma série de contradições. Há uma hegemonia muito conservadora no estado de São Paulo, como mostra a vitória do Alckmin. No Paraná também, com a vitória tucana. Já a derrota dos tucanos em Minas tem uma simbologia muito forte, por ser domicílio de seu candidato presidencial, e por ser a partir de lá que ele mostrava seus índices de eficiência e popularidade.

 

O cenário é, portanto, contraditório, como disse. O PT se saiu bastante derrotado em grandes centros, como São Paulo ou Rio de Janeiro, acabou se recuperando em alguns outros, como no caso da Bahia, um estado importante no qual ganhou em primeiro turno. Mesmo no Rio Grande do Sul, ocorreu uma recuperação do partido, ainda não consolidada, e que, aliás, está bastante a perigo.

 

No resto do país, há muitas peculiaridades regionais, como o caso de Pernambuco, marcado pela morte do Eduardo Campos e o consequente crescimento do PSB no estado. No Ceará, onde os irmãos Gomes ainda têm uma forte presença, há uma disputa. Já no Nordeste, como um todo, o voto dilmista ainda é muito forte. Mas é muito fraco em São Paulo e isso é muito grave, porque é o maior e mais industrializado estado da federação, local onde se decidem muitas questões.

 

Estamos diante de uma encruzilhada no atual momento.

 

Correio da Cidadania: E como fica essa encruzilhada ante a nova composição do Congresso Nacional?

 

Ivan Valente: Acho que essa onda conservadora à qual nos referimos, que se dá através de um voto que não vem de manifestações de rua, mas de uma lógica de pensamento ultraconservador, resgata, inclusive, valores da ditadura militar, como se vê na eleição do Bolsonaro como deputado mais bem votado do Rio de Janeiro, e até capaz de eleger um filho em São Paulo, mostrando a gravidade da situação.

 

É preciso também atentar para o avanço da bancada ruralista e para o fato de o deputado mais votado do Rio Grande do Sul ser o Luiz Carlos Heinze - chefe da frente parlamentar agropecuária, um sujeito que já demonstrou que sua bandeira não é somente o agronegócio, mas um conjunto de posições de extrema-direita, radicais, preconceituosas, bem conservadoras. Essa bancada chega a mais de 200 deputados.

 

Já as bancadas fundamentalistas combatem a visão de Estado laico, particularmente os evangélicos. Não todos, evidentemente, mas os mais expressivos estão apoiando o Aécio Neves. E elegeram mais religiosos. Poucos dos evangélicos são progressistas. Existe um no PSOL, mas os seguidores do Feliciano, os malafaias, são figuras que não carregam só o sentido religioso. Eles têm uma visão conservacionista, e reacionária, de não mudança, em relação a valores, liberdades civis, direitos humanos e assim por diante.

 

Portanto, temos, realmente, uma primeira estampa do Congresso que mostra um avanço do conservadorismo. Isso não quer dizer que teremos, necessariamente e sem resistência, um retrocesso de bandeiras. Vamos combater esta situação na rua, na luta de massas e na resistência no Congresso Nacional.

 

Correio da Cidadania: Como analisa os resultados dos partidos mais à esquerda do espectro político?

 

Ivan Valente: Para o PSOL, é um resultado muito positivo. Nós praticamente dobramos a votação presidencial, para 1,6 milhão votos. Conseguimos também aumentar a votação dos deputados federais, de 1,170 milhão para 1,730 milhão, um crescimento importante, porque alcançou uma bancada de cinco deputados federais e doze estaduais. Com uma bancada desse porte, consegue-se aumentar o tempo de TV, o fundo partidário e, principalmente, ter uma estrutura de liderança que possa apresentar emendas, projetos e intervir em todas as sessões.

 

Assim, eu diria que o PSOL, entre os partidos de esquerda, é o mais bem posicionado para ocupar o espaço que estava dado, conseguindo avanços importantes. Para a esquerda, é o que há no momento.

 

Quanto ao espectro de centro-esquerda, eu diria que foi todo abatido. O PT encolheu e o PSB está, de alguma forma, detonado pelas divisões e pelas opções que fez. Houve, no  PSB, um avanço conservador, não só pelo apoio à Marina, mas pelas declarações e pelo programa que passou a defender agora.

 

Isso mostra uma desestruturação, o que colocará dificuldades ainda maiores, porque bandeiras muito caras à esquerda, representadas por muitos parlamentares desses dois partidos, também vão ter dificuldades aqui no Congresso Nacional.

 

Correio da Cidadania: Acredita que tais correntes, o PSOL entre elas, devam declarar apoio em Dilma, como se fez majoritariamente em 2010?

 

Ivan Valente: Não. O nosso partido tirou uma posição em que se nega o Aécio Neves. É a posição da direção, que não indica qualquer tipo de voto nele e abriu um leque de opção para o voto branco, nulo ou na Dilma.

 

A partir daí, as principais figuras públicas do partido, quatro deputados federais e o deputado estadual Marcelo Freixo, de grande expressão, declaramos apoio crítico a Dilma. Não porque a Dilma represente avanços grandes, mas porque o Aécio representa um retrocesso brutal, acompanhado das forças mais retrógradas do capital financeiro, do latifúndio, do agronegócio, dos setores fundamentalistas etc.

 

Não vamos subir em palanques, nem vamos participar de qualquer eventual governo. Vamos continuar a nossa posição programática, de esquerda, mas no momento o voto possível, em minha opinião, é na Dilma. Mesmo que o nosso projeto já esteja fora do jogo.

 

Correio da Cidadania: É possível dizer que as bandeiras e sentimentos expressados em junho de 2013 estiveram, em algum momento, representados nas campanhas eleitorais?

 

Ivan Valente: Certamente, estiveram. Não como alguns setores de esquerda achavam, como se todo aquele movimento fosse de esquerda. Não necessariamente. Quando se massificou, o movimento ganhou grande heterogeneidade e uma inorganicidade. O sentimento de repúdio aos governos, de negação da política dos partidos e até das entidades representativas da sociedade civil, é, em grande parcela, um pensamento conservador, de direita, que agora se manifesta no apoio ao Aécio.

 

No entanto, a esquerda também teve presença, na medida do possível capitalizou o sentimento de junho, porque o PT não participou desse movimento. Os governistas, em geral, estiveram fora. O PSOL participou e em parte capitalizou o sentimento de mudança, que também marcou forte presença, em especial no começo das manifestações.

 

Correio da Cidadania: O que espera da disputa pelo segundo turno presidencial, entre Dilma e Aécio, o quarto consecutivo entre PT e PSDB?

 

Ivan Valente: Realmente, o resultado é imprevisível. Eu diria que o Aécio tem a vantagem da “novidade”, do embalo que teve na reta final e das adesões que recebeu. Mas é um projeto velho. A ideia da “alternância de poder” vem acompanhada de um projeto velho.

 

Se o petismo ainda tiver fôlego para fazer a polarização até o fim, se novas denúncias de corrupção, como no caso da Petrobrás, não forem amplamente aproveitadas pela mídia em favor do Aécio Neves, ainda há chance de a Dilma virar, porque a diferença é muito pequena e qualquer erro ou ineficácia nos debates, de ambas as partes, pode decidir o resultado. Além disso, as máquinas estão colocadas. Nesse momento, o tempo de TV é igual e as máquinas partidárias e financiamentos privados de campanha não são obstáculos para ninguém.

 

É difícil prever o resultado. Mas eu diria que o Aécio vem com um embalo maior. Acho que o PT e seus aliados estão ainda um pouco estonteados pelo resultado do primeiro turno e precisam verificar as possibilidades de uma retomada da ofensiva, coisa que ainda não apareceu nos programas de TV.

 

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Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

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Última atualização em Terça, 28 de Outubro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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