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‘Votos de protesto foram o que mais de perto representaram junho de 2013’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Leandro Iamin, da Redação   
Segunda, 13 de Outubro de 2014
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O Brasil se prepara para o embate final entre Dilma e Aécio, novamente polarizando ânimos por todo o território, mas um detalhe não pode passar ao lardo de qualquer análise da primeira eleição após as famosas jornadas de junho: o recorde de votos nulos, brancos e abstenções, que atingiu 30% na primeira rodada. Aliás, não parece absurdo pensar em uma cifra até maior no dia 26.

 

“Grande parte da população não encontrou um caminho, não encontrou um candidato que realmente fosse alternativa, e não teve medo de fazer o voto de protesto, seja branco, nulo ou na abstenção. Acreditamos que a eleição demonstra uma maturidade política de trabalhadores e juventude e deixa um sentimento muito positivo”, disse Rafael Padial, da Frente pelo Voto Nulo, em entrevista ao Correio da Cidadania.

 

Em meio a variadas análises que buscam traçar um vínculo entre os grandes protestos de 2013 e os resultados nas urnas, de modo geral ainda mais conservadores, o militante anti-eleitoral não poderia deixar de fazer a sua. “Em parte, as bandeiras de junho foram aproveitadas, às vezes de forma até oportunista, mas o anseio geral, os desejos e o ambiente emanados de junho não se realizaram nas grandes candidaturas. Sem dúvida, se realizaram nos votos de protesto”, apontou.

 

Para Padial, novos junhos podem vir, uma vez que, em sua visão, o país se encontra no fim do ciclo político representado pelo PT, o que se agrava em meio a uma crise econômica internacional que cada vez mais rebate no país. “São tão grandes e tão profundas as contradições no Brasil que, independentemente do governo que entrar, não deve demorar muito para tudo estourar numa revolta mais séria, inclusive maior. E significativamente mais importante que as revoltas que tivemos em junho de 2013”, concluiu.

 

A entrevista completa, realizada em parceria com a webrádio Central3, pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Em primeiro lugar, como vocês, da Frente do Voto Nulo, analisam os resultados gerais das eleições, no que diz respeito ao rearranjo das forças políticas?


Rafael Padial: Avaliamos que o resultado das eleições foi muito favorável para o conjunto de lutas da classe trabalhadora e da juventude. Não me refiro àquele resultado oficial, que aparece para a maioria das pessoas, sobre quem saiu na frente, quem elegeu mais... Falo do registro histórico de recorde do número de votos de protesto.

 

Ou seja, grande parte da população não encontrou um caminho, não encontrou um candidato que realmente fosse alternativa e não teve medo de fazer o voto de protesto, seja branco, nulo ou na abstenção. Justamente para não se vincular, compactuar e aceitar os grandes candidatos que estavam colocados, no caso, Marina, Aécio e Dilma.

 

Portanto, acreditamos que a eleição demonstra uma maturidade política de trabalhadores e juventude e deixa um sentimento muito positivo.

 

Correio da Cidadania: Como já falado, tivemos 30% de abstenções (entre brancos, nulos e ausentes) nas eleições, índice que tem crescido levemente ano após ano. O que esse número sugere como possível tendência?


Rafael Padial: O atual ciclo político do país está esgotado. Em grande sentido, o Partido dos Trabalhadores era a última esperança da maioria da população. Ao chegar ao poder e não resolver os principais problemas dos trabalhadores, essa última alternativa se esgotou.

 

Assim, há um vazio político nacional crescente, muito demarcado a partir do mensalão, em 2005, que agora se coloca de forma cada vez mais clara e acintosa como tendência. Tal vazio, infelizmente, não é ocupado por algum grupo político-partidário. Ou o é de forma muito incipiente. Por isso, a tendência geral dos trabalhadores e da juventude extravasa no voto de protesto.


Correio da Cidadania: Como vocês, partidários do voto nulo, lidam com os críticos, de diversos matizes políticos, dessa opção anti-eleitoral?

Rafael Padial: Evidentemente, respeitamos tais posições, independentemente de quem a pessoa vote. Mas existe muita lenda sobre o voto nulo, sobretudo nas afirmações de que o voto nulo iria para quem estivesse ganhando. Ideias disseminadas, em geral, por quem estava em segundo lugar nas pesquisas, já em 2010 e mesmo antes, para pressionar um “voto útil”. Foi o PSDB quem propagou tal lenda, para tentar quebrar o descontentamento popular, que vem aumentando, e absorver parte dele no chamado voto útil, supondo ser útil votar no PSDB pra tirar o PT do governo.

 

Temos dialogado pra mostrar que é falaciosa e mentirosa a ideia de que votos brancos e nulos vão para quem estiver na frente. São votos inválidos que não vão para ninguém e marcam uma deslegitimação do que está em disputa, principalmente o nulo. Assim, temos feito um processo de discussão, boca a boca, com trabalhadores e outros setores.

 

É claro que há quem defenda que a Dilma seja um caminho, ou o Aécio, ou a Marina, antes o Campos, mas dizemos que é ilusão. Nossa postura é sempre respeitosa e falamos que se trata de ilusão, de políticos cujas máscaras caem rapidamente.


Correio da Cidadania: Quanto à eleição presidencial, o que pensa da queda de Marina Silva e a subida de Aécio, culminando no quarto segundo turno seguido entre PT x PSDB?

Rafael Padial: A Marina foi um fenômeno justamente porque apareceu colada à imagem de mudança. Tão logo ficou claro que ela não era e nem podia ser a mudança, essa imagem sumiu.

 

Um fenômeno muito parecido ocorreu com a eleição para a prefeitura de São Paulo, quando o Russomano disparou e, ao final, caiu. A Marina tentou ocupar um espaço que ela própria destruiu, com seu programa e sua posição política. Afirmava-se como mudança, mas era obrigada a também fazer um discurso claramente conservador, que descontruía seu próprio solo enquanto bandeira da mudança. Foi sua gritante inconsistência que a fez cair. Ela tentou misturar PT e PSDB e isso, cedo ou tarde, ficaria claro ser insustentável.

 

Juntaram-se outros elementos, a exemplo da máquina petista, que é muito pesada. Os ataques da máquina petista fizeram efeito e, de outro lado, o apoio mais direto dos grandes meios de comunicação ao Aécio, que também atacaram e deslegitimaram a Marina.

 

De toda forma, o primeiro elemento, sem dúvida, é a própria inconsistência política do projeto da Marina. Nessa situação, a maioria dos votos que desejava uma suposta mudança entrou para o Aécio, como forma de talvez tirar o PT do governo. Votar no Aécio seria uma forma mais consistente e estável de alcançar esse objetivo.

 

Correio da Cidadania: A respeito das demandas eclodidas e expressadas em junho de 2013, acredita que estiveram representadas nas campanhas dos candidatos?

Rafael Padial: Algumas até estiveram. Por exemplo, o Eduardo Campos e a Marina defenderam a bandeira do passe livre. Mas só erguer as bandeiras não significa muita coisa. Elas significavam muito mais. O bordão “não é só por vinte centavos” já significa muito por si só. O sentimento geral de desejo de mudança, gerado em junho, não teve respaldo dentre os grandes candidatos, aqueles que foram postos como grandes opções.

 

Em parte, as bandeiras foram aproveitadas, às vezes de forma até oportunista, mas o anseio geral, os desejos e o ambiente emanados de junho não se realizaram nas grandes candidaturas. Sem dúvida, realizaram-se nos votos de protesto.

 

Correio da Cidadania: Os novos mandatos políticos, a depender de suas opções, podem ensejar novas revoltas de massa ou essas explosões pouco teriam a ver com resultados eleitorais?

 

Rafael Padial: O primeiro elemento que determina as revoltas que aconteceram no ano passado é uma situação geral da economia mundial. Num primeiro momento, o país ficou bem na crise global de 2007/2008, porque existiu um afluxo de capitais do mundo inteiro para o Brasil, Rússia, China, Índia etc.

 

Na medida em que esses capitais começaram a sair, na dita “inversão de capitais”, por volta de 2012 e 2013, o Brasil foi “integrado” à crise global mundial, o que estourou politicamente. Claro, esse quadro se juntou a uma conjuntura de inconsistência do ciclo político de dominação burguesa. A situação política da burguesia no Brasil está muito instável, ela não sabe, por exemplo, o que por no lugar do PT, partido cujo ciclo se esgotou. Assim, uniu-se um elemento claramente econômico, e mundial, com um elemento político, no caso, o da incapacidade de governança.

 

Significa que temos no Brasil uma grave crise estrutural. Não se trata, portanto, de uma crise conjuntural, que vai passar, mas de umas crise estrutural, no sentido de ser uma crise econômica muito grave e uma crise política muito séria, de incapacidade de domínio e controle da burguesia. A tendência é se aprofundar nos diversos governos que virão.

 

Quando essa nova crise política vai estourar é difícil de saber, mas certamente vai estourar nos próximos anos, tanto no âmbito federal quanto nos estados e diversos municípios. Trata-se da inconsistência estrutural de uma burguesia que já assumiu seu domínio de classe e que, sem dúvida, vai se expressar nos próximos anos. Pode ser que, com o PT, a derrocada demore um pouco mais, pois, se de um lado está totalmente interligado aos setores que controlam o Estado, como se vê nas alianças com Sarney, Renan Calheiros, Collor, o partido tem um controle social muito grande da classe trabalhadora e da juventude.

 

O PSDB, por estar relativamente dissociado desses setores -  assim como o PMDB etc. -, se chegar ao poder central, pode ter alguns conflitos no próprio uso e controle do Estado, que podem desatar em confrontações piores e maiores instabilidades no país. Também por não ter um controle das bases sindicais – tem o apoio da Força Sindical, mas esta é muito mais frágil do que a CUT –, a tendência, com o PSDB, seria acelerar a instabilidade.

 

Se o PSB de Marina tivesse chegado ao poder, seria a situação mais instável de todas. Mas são tão grandes e tão profundas as contradições no Brasil que, independentemente do governo que entrar, não deve demorar muito para tudo estourar numa revolta mais séria, inclusive maior. E significativamente mais importante que as revoltas que tivemos em junho de 2013.

 

Áudio da entrevista

 

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Gabriel Brito e Leandro Iamin são jornalistas.

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Última atualização em Segunda, 20 de Outubro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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