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A voz da razão Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Metri   
Quarta, 08 de Outubro de 2014
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O que está acontecendo no Brasil, nesta eleição, assim como já ocorreu em outras com menor intensidade, é a velha luta de classes. Basta ver o mapa do país com os locais onde a maioria dos votos foi dada para Dilma, Aécio ou Marina. Esta última obteve a maioria só no seu estado natal e em Pernambuco, devido ao legado deixado por Eduardo Campos. Aécio ganhou nas regiões mais ricas, basicamente o sudeste (com exceção de Minas) e o sul, e Dilma, nas mais pobres, principalmente o norte, o nordeste e Minas. É claro que existe também pobreza no sul e sudeste, mas não na mesma proporção da população total quanto no norte, nordeste e Minas.

 

Mas este mapa da pobreza e riqueza difere, não muito, de mapas análogos do passado. Então, o que há de diferente desta vez? A diferença é consequência exatamente da atuação dos governos Lula e Dilma, pois eles revolucionaram a estrutura de renda do país. Conseguiram mexer com mais de 70 milhões de pessoas, ascendendo-as no gráfico dos ganhos. Ou melhor, mais de 30 milhões migraram da faixa da miséria para a da pobreza e mais de 40 milhões da pobreza para a classe média. Se todos os beneficiados por estas ascensões sociais houvessem votado na Dilma, sendo este, convenhamos, um forte fator para definição do voto, ela teria sido eleita no primeiro turno. Os deste grupo que não votaram em Dilma não o fizeram basicamente em função de nossa pouco informativa mídia pertencente ao capital.

 

Neste instante, alguns fanáticos conservadores dizem que esta é a prova que o Bolsa Família era um programa paternalista, eleitoreiro e que induz à preguiça. Dizer que um programa que supre as necessidades básicas dos seres humanos é paternalista é não ter piedade à dor alheia. Se empregos com ganhos maiores que os valores do Bolsa Família forem oferecidos, muitos dos beneficiários do programa aceitarão a proposta. O que eles não aceitam mais é serem explorados com remunerações que não extinguem a fome.

 

Betinho morreu feliz porque conseguiu implantar o “Natal sem fome”. Imagine como ele ficaria exultante se tivesse conhecido o programa “outros 364 dias sem fome”. Se o Bolsa Família é eleitoreiro, então é bom, uma vez que merece a aprovação do povo. O que há de errado nisso? Se não for assim, restará somente realizar o que não é bom para o povo, porque, desta forma, não se terá feito nada eleitoreiro.

 

A fatídica mídia foi citada e merece alguma análise. No Brasil, o cidadão, para ser consciente, tem que, primeiramente, fugir da mídia convencional, que defende somente o interesse do capital. Boa parcela da população busca inocentemente informação através destes meios de comunicação convencionais e, no entanto, fica mal informada ou desinformada. Por exemplo, nos últimos 12 anos, ela só tem trabalhado para desestabilizar os governos do PT ou não permitir que um governo de esquerda chegue democraticamente ao governo.

 

O cidadão mais consciente forma sua opinião através da leitura de bons artigos, livros, blogs e sites, ouvindo algumas TVs comunitárias, tendo acesso à imprensa alternativa (de sindicatos, associações de classes, de ONGs etc.) e pela interação em fóruns mais abertos e na internet. Para esta camada mais consciente, o presente artigo pode adicionar pouco ao que já sabem. Contudo, para os perdidos da mídia convencional, a conscientização traz grande benefício. Gostaria de mostrar como a linguagem, aliada à seleção tendenciosa de informações a serem divulgadas, podem ser usadas em uma trama para enganar a população e, como consequência, esta passar a ter um posicionamento que, se fosse consciente da questão, não concordaria.

 

Por exemplo, um governo adota um modelo econômico que prestigia os ganhos do capital, acarretando exclusão social, desemprego e perda na renda média dos trabalhadores. Ele seria repudiado por estes, se soubessem da realidade. Com este modelo, é formado um exército de desempregados e subempregados, que se dispõe a trabalhar por uma mínima remuneração, aumentando os ganhos do empregador. Assim, o desemprego e a fome gerada são imprescindíveis para engordar a velha mais-valia. No entanto, a mídia do capital filtra as informações que chegam aos trabalhadores, permitindo a perpetuação da exploração.

 

Ouvi antes do primeiro turno: “Torço para que haja segundo turno, pois será uma nova chance de termos um debate político de qualidade, que faltou até agora”. Seria mais honesto se a pessoa dissesse: “Torço para que haja segundo turno para a mídia tendenciosa e corrupta poder doutrinar mais e, assim, eventualmente, o povo irá votar ‘certo’”.

 

Ouvi também: “Torço para que o ódio, a grosseria e o medo sejam substituídos pela esperança, pela sensatez, pela generosidade, pelo respeito mútuo e pelo uso da razão. Quanto às redes sociais, espero que seus frequentadores descarreguem menos bílis e tenham menos ânimo publicitário, mais honestidade intelectual e mais disposição para o diálogo”. Quanto a “ódio, grosseria e medo”, gostaria de saber quais candidatos mais os incluíram nos debates, lembrando que mentir e buscar enganar são, no mínimo, grosserias. Quanto aos frequentadores das redes sociais, se comprovado o que foi dito, esta não seria uma reação humana compreensível à ditadura da mídia convencional?

 

Ouvi, quando se falava sobre o passado dos candidatos: “Política inclui algum jogo sujo, não há por que ser moralista. Mas deve haver limite. Eleições não podem ser vividas em um combate quase sangrento, onde não há lugar para escrúpulos éticos”. Creio que o passado de um político tem mesmo que ser vasculhado para que o eleitor saiba quem ele é. Este passado nos permite aferir melhor como vai ser o futuro governo de cada alternativa do que as promessas eventualmente mentirosas. Não há debate eleitoral em que os políticos se comportam como freiras.

 

Finalmente, ouvi o absurdo: “O país está paralisado com o governo do PT”. Como está paralisado? A mobilidade social citada, como é de miseráveis e pobres, não conta? Na presente cobertura das eleições, não foi dada a voz a nenhum representante dos mais de 70 milhões. Ele poderia dizer como era a sua vida 12 anos atrás e como é hoje. A bem da verdade, o interlocutor está se referindo mais ao desempenho do PIB. É importante, sim, que o PIB cresça e o desempenho atual do Brasil não é dos melhores, devido, em grande parte, à conjuntura internacional. Por outro lado, deve ser lembrado que o PIB de um país pode ser alto e o bem-estar da sua população ser baixo, o que acontece, por exemplo, na Arábia Saudita. Isto significa que os ganhos da geração do alto PIB estão sendo canalizados para o exterior ou para a oligarquia dominante do país.

 

Assim, creio que não existirá "estado democrático de direito" enquanto existir um oligopólio da mídia conservadora. Falta um debate honesto neste país, onde o contraditório sobre qualquer tema deveria aparecer, coisa que esta mídia não faz. O que ainda salva nossa população, em época de eleições, é o horário eleitoral gratuito.

 

A imprensa pode e deve averiguar e fazer denúncias, mas com um mínimo de fundamento. Agora, uma coisa que a imprensa não pode fazer é substituir o judiciário, determinando, a priori, quem são os culpados. Também, a imprensa não pode só denunciar os maus feitos de alguns grupos e não denunciar os de outros.

 

Corruptos existiram em outras épocas com maior foco em outros partidos e, no entanto, a mesma mídia não foi tão rigorosa. Desinformado, o povo elege corruptos. Mas, com o passar do tempo, com suspeitas de roubos sendo denunciadas e sendo apuradas pelos órgãos competentes (Polícia Federal, CGU e TCU), as conclusões das apurações sendo entregues à Justiça pelo Ministério Público, que não as engavetará, e a Justiça condenando os comprovados culpados, o nível de corrupção certamente irá baixar.

 

O PSDB promoveu as maiores privatizações do país e por valores muito questionáveis. A Vale do Rio Doce, por exemplo, foi vendida por menos de US$ 4 bilhões, enquanto técnicos afirmam que valia em torno de US$ 100 bilhões. Um dos erros de autoria dos tucanos, denunciado à época, ocorreu na fixação do preço mínimo desta empresa, pois foram desprezados os valores dos demais minérios, que ela possuía, além do minério de ferro. Se comprovado, como chamar um erro de US$ 96 bilhões?

 

Renan, Sarney, Barbalho, Collor e outros, que fazem parte da base do governo no Congresso, correspondem ao preço da governabilidade. Se contrariados, causam grandes dificuldades ao governo, não importando qual seja. Aécio, se eleito, vai ter que absorvê-los se não quiser governar o caos. Não existe nova política que governe o país, se políticos deste tipo continuam sendo eleitos e tendo o controle do Congresso.

 

Um ponto que os eleitores precisam pensar é que, ao se aumentar muito os ganhos dos mais ricos, à custa da deterioração da vida dos mais pobres, um precipício enorme entre as satisfações das classes é criado. Quanto maior for esta diferença de satisfações, mais violentas serão as relações dentro da sociedade. Este é um dos fatores indutores da violência na sociedade, quiçá o mais importante. Não posso fugir da analogia que a violência oriunda da miséria e pobreza é análoga à descarga elétrica que ocorre entre dois pontos energizados com diferença de potencial. A solução paliativa da repressão policial, muito escolhida pela direita, não resolve o fulcro da questão. Não seria tão bom viver em um mundo sem fome e pobreza, e com um mínimo de violência? Está certo que, neste mundo, os muito ricos seriam menos ricos.

 

* Este é o terceiro artigo da trilogia “As vozes”. O primeiro foi “A voz dos mudos” e o segundo “A voz dos surdos”, ambos veiculados pelo Correio da Cidadania. Não há necessidade de ter lido os anteriores para poder entender este.

 

Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania.

Blog do autor: http://paulometri.blogspot.com.br

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Última atualização em Segunda, 13 de Outubro de 2014
 

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