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China desbanca os EUA, mas “oposição democrática” tem cheiro de separatismo em Hong Kong Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania   
Terça, 07 de Outubro de 2014
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A partir de 26 setembro, Admiralty, o bairro central de Hong Kong, começou a ser teatro de grandes manifestações dos estudantes universitários, oportunamente organizadas pelo Occupy Central, cujo líder, Eddie Chung, nunca escondeu seus sentimentos anti-chineses e a sustentação financeira de muitas Ongs estadunidenses e britânicas. Não foi por acaso que, no dia 27 de setembro, logo após as primeiras manifestações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, mostrando que o governo chinês estava vigilante, deu um aviso aos Estados Unidos e aos países da União Europeia declarando: “...Esperamos que os países importantes saibam frear as declarações e conter as ações e assim não interferir nas questões internas de Hong Kong e, portanto, não dar sustentação ao Occupy Central ou apoiar qualquer tipo de atividades ilegais...”.

 

Apesar da ponderação da diplomacia chinesa, a mensagem foi dirigida, em particular, à Casa Branca, cujo porta-voz, Josh Earnest, logo após a primeira manifestação de 26 de setembro, havia declarado “...Os Estados Unidos seguem de perto a situação de Hong Kong e sustentam as aspirações da população...”.

 

Afirmações que confirmavam o conteúdo dos relatórios que os serviços de inteligência chinesa apresentaram ao primeiro ministro, segundo os quais, desde 2012, os funcionários da Freedom House e sobretudo do NED (The National Endowment for Democracy) desempenharam uma intensa atividade em quase todas as faculdades da University of Hong Kong, com o título (ou disfarce) de “pesquisadores associados”, para nortear as lideranças estudantis anti-chinesas com o objetivo de promover novas formas de oposição, sem cair no tradicional e corriqueiro anticomunismo do presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou.


De fato, aos 27 de março de 2013, o padre Chu Yiu-ming e os professores Benny Tai Yiu-ting e Chan Kin-man  convocaram, na Universidade de Hong Kong, uma conferência de imprensa para apresentar o manifesto da OCLP (Occupy Central whit Love and Peace), com o qual se lançava uma vaga mensagem de oposição democrática, que pretendia emular o OWS de New York, mundialmente conhecido por Occupy Wall Street.

 

A iniciativa dos líderes do OCLP nunca teria conseguido sair dos salões acadêmicos da elitista “University of Hong Kong” sem o apoio do bilionário Jimmy Lai, que, desde 1997, agita e financia todos os movimentos, os grupos de opinião, os intelectuais, os jornais, os bloggers, enfim, todos os meios que, direta ou indiretamente, fazem oposição ao acordo de 1997, que devolveu a colônia britânica à República Popular da China.

 

Foi com o suporte logístico, financeiro e midiático do conglomerado de Jimmy Lai que o OCLP perdeu o Love and Peace para ficar com o direto “Occupy Central”, cujo principal objetivo era provocar um choque político com o governo local e, consequentemente, enfrentar a repressão da polícia. Um cenário que poderia recolocar em discussão, em nível internacional, a gestão pró-chinesa do território de Hong Kong, e não apenas a destituição de Leung Chun-ying, governador da Região Administrativa Especial de Hong Kong.

 

Um programa que faz lembrar as provocações da direita ucraniana na Maidan Nezalejnosti (Praça da Independência) de Kiev, onde as manifestações nunca foram espontâneas, mas cientificamente organizadas, dirigidas e monitoradas para provocar uma crise política institucional.

 

Talvez, a experiência da Praça Maidan e das ditas primaveras árabes motivou o governo de Pequim e o próprio governador de Hong Kong em não caírem na armadilha da repressão, deixando que as contradições políticas e sociais do Occupy Central viessem à tona após a primeira semana de manifestações e de bloqueios das ruas da cidade.

 

Working Class X Occupy Hong Kong

 

O professor de Direito e líder do Occupy Central, Benny Tai Yiu-ting, acreditou cegamente em seus assessores do NED estadunidenses, segundo os quais a pretensa ocupação dos prédios do governo, no centralíssimo bairro de Admiraty, devia se movimentar em direção ao bairro comercial Cause Way Bay e, depois, seguir rumo ao bairro popular de Mong Kak na península de Kowlaon, com o objetivo de paralisar o porto e, portanto, mobilizar os protestos da “working class” da região portuária. Por isso, Eddie Chuing, braço direito de Benny Tai Yiu-ting, anunciou no dia 1 de outubro que o Occupy Central se transformava em Occupy Hong Kong, com o objetivo de derrubar o governador Leung Chun-ying e acabar com as imposições dos comunistas chineses, pois eles queriam eleições livres para proclamar o fim do “jugo chinês”.

 

Foi nesse preciso momento que toda a mídia ocidental inventou a “revolução dos guarda-chuvas”, querendo criar uma equação com as ditas revoluções anti-russas do passado: “a laranja” na Ucrânia e a “das rosas” na Geórgia.

 

Porém, a perfeita organização logística do staff do bilionário Jimmy Lai - que meteu em campo centenas de ônibus para movimentar os estudantes das faculdades em direção aos bairros da península de Kowlaon - e os inúmeros postos de abastecimento - de forma a dar aos manifestantes água mineral, frutas, sanduíches, máscaras antigas, camisetas, celulares, panfletos, faixas, outdoors etc. - não conseguiram conquistar as mentes e os corações dos trabalhadores, na maioria emigrantes chineses, dos funcionários públicos e dos comerciantes, que não podiam chegar a seus locais de trabalho.

 

Também o lumpesinato dos bairros portuários se sentiu prejudicado, visto que as ruas ficaram repletas de policias, e isso, na prática, prejudicava a indústria da economia ilegal (prostituição, venda de drogas e contrabando). Consequentemente, quando os trabalhadores e os comerciantes começaram a empurrar os estudantes para furar os bloqueios das ruas no bairro comercial de Cause Way Bay, no bairro popular de Mong Kak, os lúmpens começaram a bater forte nos estudantes, que tiveram que se retirar destes bairros, inclusive porque o prometido apoio popular garantido pelos homens do staff do bilionário Jimmy Lai não ocorreu.

 

É claro que a reação violenta dos trabalhadores e dos comerciantes tem pouco a ver com a bandeira vermelha do Partido Comunista Chinês. O motivo principal do “Não” dos trabalhadores é que: 1º) a grande maioria desses são imigrantes chineses que não têm filhos nas faculdades elitistas de Hong Kong; 2º) eles, em função do altíssimo custo da vida de Hong Kong, não podiam permitir-se uma “folga de 7 dias no salário”.

 

Por outro lado, todo o mundo sabe que Hong Kong e a ex-colônia portuguesa de Macau são territórios denominados Regiões Administrativas Especiais, onde, em função da lógica dos acordos de 1997, “um país com dois sistemas”, permanece grande parte das contradições da época colonial, enquanto a soberania é ainda limitada. Um contexto que inviabilizou qualquer tipo de solidariedade por parte dos imigrantes chineses, do momento que, em Hong Kong, todos os privilégios continuam nas mãos das camadas sociais e dos clãs que, sempre, apoiaram o modelo colonial da “Union Jack” britânica.

 

Por que Occupy Hong Kong?

 

Em janeiro desse ano, todos os indicadores econômicos e financeiros confirmavam que a China havia desbancado os EUA, tornando-se a primeira potência comercial do mundo, com um crescimento de 7,6% na sua balança comercial, movimentando 4.160 trilhões de dólares, dos quais 2.210 com suas exportações. Por sua parte, os EUA ficavam atrás com um “trend” comercial de 3.560 trilhões de dólares, dos quais 368,4 bilhões de importações da China.

 

Em março, os principais bancos comerciais e de investimento da China multiplicavam suas operações nos EUA, prosseguindo na compra de títulos da dívida pública, bem como de uma grande parte dos produtos financeiros de Wall Street. Por isso, na mídia explodia a felicidade dos operadores de Wall Street, que finalmente abocanhavam dinheiro vivo. Mesmo assim, os principais analistas políticos dos EUA julgavam arriscado deixar que a China, após as decisões do terceiro plenário do politburo do PCC (novembro de 2013), comprasse grande parte das ações das empresas estadunidenses, no momento em que o novo governo chinês estava decidido em romper com a “política de Deng”, procurando novos rumos de âmbito estratégico. Por exemplo, em maio, o novo presidente Xi Jinping havia revitalizado as relações com a Rússia, assinando tratados de cooperação militar e de segurança, além de fixar em 30 anos o prazo dos acordos energéticos para o fornecimento do gás e do petróleo que a Rússia extrai na Sibéria.

 

Depois, em julho, Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin promoveram a sexta “Cúpula de Fortaleza” dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Fortaleza, onde foi estabelecida a criação de um banco e de um fundo anticrise, cuja sede será na cidade chinesa de Xangai.

 

Um contexto que demonstra claramente o fim dos efeitos da política de contenção da China por parte dos Estados Unidos, que devem também ter em conta cinco questões importantíssimas de âmbito geoestratégico:

 

1)    O potencial da indústria militar chinesa não pode ser mais desconsiderado, inclusive agora que as relações com a Rússia começam a progredir em quase todos os setores, inclusive o militar;

 

2)     O fato de a China ser a principal potência comercial no mundo começou a modificar o pensamento político de muitos governantes do continente asiático. Tanto que Barak Obama não conseguiu obter a assinatura do Japão, da Malásia, da Indonésia, da Tailândia e da própria Coréia do Sul para o tratado comercial “Trans Pacific Partnership” (TPP), que foi aceito somente pelos governos de Brunei, Chile, Singapura e Nova Zelândia.

 

3)    O fornecimento por parte da Rússia de 38 bilhões de metros cúbicos de gás durante trinta anos e de 100 milhões de toneladas de petróleo nos próximos dez anos determinará a movimentação de 100 bilhões de dólares em 2015 e de 200 em 2020. Transações que deixarão de usar o dólar, visto que em agosto deste ano as bolsas de Moscou e de Xangai começaram a transacionar diretamente o câmbio do rublo (moeda russa) com o renminbi (moeda chinesa).

 

4)    As reformas invocadas no terceiro plenário do politburo do PCC pretendem “desmantelar o modelo da Era Deng” não só no âmbito comercial, articulando um “crescimento sustentado”, mas também no contexto social, ampliando a guerra à corrupção em todos os níveis, além de fortalecer a nascente classe média. O que significa esquecer as acelerações econômicas arriscadas, abandonar a prática das especulações imobiliárias, para regulamentar a política fiscal. Na realidade, a China deverá realizar uma série de pequenas modificações que deverão determinar grandes mudanças na economia e no social  para, evidentemente, não criar os mesmos desastres econômicos que massacraram os países europeus em 2006 e 2008.

 

5)    O desmantelamento da ”Era Deng”, em termos geoestratégicos, significa romper com um forçado pragmatismo para reforçar o espírito nacionalista chinês. De fato, todas as tentativas da Casa Branca de impor uma solução aos conflitos territoriais que a China ainda tem com o Japão, a Coréia do Sul e o Vietnam praticamente faliram.

 

Diante desse cenário, as excelências da Casa Branca permitiram que o Congresso continuasse a financiar os projetos da NED (The National Endowment for Democracy) em Hong Kong, apenas para cutucar o gigante chinês. Digamos que foi uma operação de política subversiva promocional, para entender de que forma o presidente chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqian reagiriam ao saber que o movimento de oposição democrática foi uma invenção do NED – que, como todos sabem, é a antessala da CIA. Uma espécie de laboratório intelectual para implantar e criar as condições políticas para, posteriormente, a CIA organizar a subversão institucional.

 

 

O drama disso tudo é que o Ocupy Central whit Love and Peace, depois Occupy Central e finalmente Occupy Hong Kong, na realidade serviram para manipular o pensamento de milhares e milhares de jovens estudantes universitários de Hong Kong que, após a derrota desses dias, devem amadurecer um rancor para com a China cada vez mais profundo. Um rancor e talvez um ódio que poderá explodir em 2017, quando a China, em função dos acordos de 1997, poderá exercer sua completa soberania.  Sentimentos que, certamente, serão muito bem cultivados e justificados pelos funcionários da NED e de muitas outras Ongs, para estender em Hong Kong os tentáculos do separatismo.


Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania"

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania

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Última atualização em Terça, 14 de Outubro de 2014
 

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