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Disputa entre PT e PSDB e o pêndulo do eleitorado frustrado e descontente. Entrevista com Rudá Ricci Imprimir E-mail
Escrito por Patricia Fachin, IHU Online   
Terça, 07 de Outubro de 2014
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“Há espaço para uma candidatura alternativa ao PT e PSDB. (...) Mesmo havendo espaço, ainda não surgiu uma liderança que convença este eleitorado desejoso da terceira via (30% do eleitorado)”, pontua o sociólogo.

 

O país está dividido e “a polarização clássica do sistema eleitoral no período pós-ditadura retornou com força neste primeiro turno, inclusive em termos regionais”, avalia Rudá Ricci, ao comentar o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil. Na entrevista a seguir, concedida com exclusividade à IHU On-Line por e-mail, o sociólogo, surpreso com a disputa entre Dilma e Aécio no segundo turno, explica que o candidato do PSDB “teve uma superação espetacular na reta final, não previsível porque não capturada pelos institutos de pesquisa”.

 

Para ele, o eleitorado de São Paulo foi responsável pelo resultado do segundo turno: “30% do total de votos que Aécio recebeu no primeiro turno vieram do estado de São Paulo, 10 milhões de votos, mais que a soma dos votos obtidos por Skaf e Padilha (o segundo e terceiro lugares na disputa pelo governo paulista). Aécio teve quase o dobro de votos que Dilma e Marina, somadas, obtiveram naquele estado. Pesou muito, ainda, o desempenho do candidato tucano nos estados do Sul do país. Com este 'sprint', Aécio entra no segundo turno em ascensão e Dilma em estabilidade”. E acrescenta: “Os tucanos elegeram quem quiseram. Elegeram Alckmin no primeiro turno, fizeram o senador e reduziram drasticamente a bancada do PT no Parlamento. A campanha de Aécio no segundo turno está nas mãos de Alckmin”.

 

Na avaliação de Rudá Ricci, Marina “perdeu para si mesma”, “não acreditou no seu discurso de que seria a nova política” e “rapidamente, ficou parecida com o que PT e PSDB já fazem, seja programaticamente, seja em termos de alianças. Se todos eram iguais, este eleitor decidiu cravar no que tem mais segurança”. Com a queda de Marina e a impossibilidade de conquistar eleitores indecisos e os que desejavam uma terceira via, o “PSB diminuiu de tamanho”, enquanto o PT “se firmou nas regiões Norte e Nordeste do país e parte do Centro-Oeste”, e o PSDB teve um desempenho melhor no Centro-Oeste e Sul do país.

 

Rudá Ricci menciona ainda que “o fantasma de junho de 2013 rondou todo o processo eleitoral e pode ser referência nos próximos anos. Ele não se expressou claramente nas candidaturas porque o sistema partidário brasileiro não representa as ruas, mas os acordos de cúpula. Mesmo assim, o amplo favoritismo de Dilma Rousseff, depois de reduzido com as manifestações de junho, nunca mais retornou aos patamares anteriores”. Apesar da derrota de Marina, ele assegura que a disputa dela nessas eleições “revelou o quanto o eleitorado foi influenciado pelas manifestações”. E acrescenta: “Com a frustração das promessas de Marina, este eleitorado descontente retornou à postura cínica (voto pragmático, sem empatia) anterior às manifestações. Este é o pêndulo deste eleitorado frustrado e descontente: entre o cinismo e a manifestação de recusa do status quo político institucional”.

 

Confira a entrevista.

 

Como o senhor interpreta o resultado das eleições presidenciais? Qual é o significado do segundo turno entre Dilma e Aécio, com a diferença de sete pontos entre eles?

 

Aécio teve uma superação espetacular na reta final, não previsível porque não capturada pelos institutos de pesquisa. O fato é que São Paulo foi responsável por este feito - 30% do total de votos que Aécio recebeu no primeiro turno vieram do estado de São Paulo, 10 milhões de votos, mais que a soma dos votos obtidos por Skaf e Padilha (o segundo e terceiro lugares na disputa pelo governo paulista). Aécio teve quase o dobro de votos que Dilma e Marina, somadas, obtiveram naquele estado. Pesou muito, ainda, o desempenho do candidato tucano nos estados do Sul do país. Com este "sprint", Aécio entra no segundo turno em ascensão e Dilma em estabilidade. Torna-se o favorito no segundo turno.

 

Como explica a disputa com Aécio no segundo turno e a queda de Marina? A ascensão de Aécio foi uma surpresa?

 

A ascensão final de Aécio foi uma grande surpresa. Os tucanos paulistas fizeram corpo mole durante todo o primeiro turno. Com a derrota em Minas Gerais, ficaram confortáveis para jogar todas suas fichas por lá. Elegeram quem quiseram. Elegeram Alckmin no primeiro turno, fizeram o senador e reduziram drasticamente a bancada do PT no Parlamento. A campanha de Aécio no segundo turno está nas mãos de Alckmin. Quanto à Marina, ela perdeu para si mesma. Não acreditou no seu discurso de que seria a nova política.

 

Duas semanas depois de aparecer como candidata, caiu nos braços do grande empresariado e fez reverência a pastores evangélicos criticados publicamente, inclusive entre igrejas evangélicas. Enfim, traiu a base de seu eleitorado (metade dos indecisos, dos que diziam anular o voto ou votar em branco antes da sua entrada na disputa) que buscava uma terceira via.

 

Em que momento Marina passou a perder espaço na disputa para Aécio? Quais foram os erros de Marina?

 

Duas semanas depois de se lançar candidata à presidência. Primeiro, apareceu ao lado de empresários de agronegócio (impensado para quem defende o desenvolvimento sustentável), de banqueiros e lideranças evangélicas muito agressivas e ultraconservadoras.

 

Depois, passou a adotar um movimento errático em muitos pontos programáticos. Finalmente, estas mudanças foram profundamente exploradas pelo PT e PSDB. Sem estrutura partidária, não resistiu aos ataques e não tinha como se defender.

 

Como avalia o discurso de uma nova política da campanha de Marina, e sua queda apesar desse discurso? O que isso revela sobre esses discursos e a política brasileira?

 

Primeiro, que há espaço para uma candidatura alternativa ao PT e PSDB. Segundo, que mesmo havendo espaço, ainda não surgiu uma liderança que convença este eleitorado desejoso da terceira via (30% do eleitorado). Terceiro, que este eleitorado não é homogêneo em suas convicções políticas e que vem oscilando entre o cinismo político (voto utilitarista, naquele candidato que lhe garante consumo familiar) e a negação do sistema político vigente (voto em outsider ou decidido em se abster, votar nulo ou em branco). Marina não conseguiu sustentar sua promessa de ser o novo.

 

Rapidamente, ficou parecida com o que PT e PSDB já fazem, seja programaticamente, seja em termos de alianças. Se todos eram iguais, este eleitor decidiu cravar no que tem mais segurança.

 

Quais as razões de Dilma receber mais votos nos estados do Norte e Nordeste e menos no Sul e Centro-Oeste? Como interpreta os dados?

 

Os programas sociais. O Nordeste foi a região que recebeu mais recursos do Programa Bolsa Família e mais recursos do BNDES, que alavancaram a economia da região. A Fundação SEADE, da Secretaria Estadual de Planejamento de São Paulo, revela que o fluxo histórico migratório inverteu: mais nordestinos voltam para sua terra natal que os que afluem para a região Sudeste.

 

O que explica a eleição do PT em Minas Gerais e também a vitória de Dilma no estado de Aécio?

 

Principalmente a escolha de um péssimo candidato ao governo do estado. A imposição do nome de Pimenta da Veiga veio do PSDB paulista, o que dividiu os tucanos mineiros. O presidente estadual do PSDB-MG, o deputado Marcus Pestana, saiu atirando, dizendo que sua postulação tinha sido corroída pelos segmentos conservadores de seu partido.

 

Pestana, aliás, liberou suas bases para votar em Fernando Pimentel, candidato do PT. Outro forte postulante como candidato tucano ao governo estadual era o presidente da Assembleia Legislativa, Dinis Pinheiro (ex-PSDB e, hoje, PP). Não se viu, da mesma maneira, Dinis fazer campanha para Pimenta da Veiga. Enfim, o candidato tucano ao governo mineiro foi um lastro negativo para Aécio Neves.

 

Há, ainda, méritos na candidatura petista: Pimentel é muito moderado, não utilizou as cores oficiais do PT na campanha, não reagiu aos ataques do candidato tucano e fez acordos que geraram um armistício interno histórico no PT mineiro. Era o candidato talhado para fazer a transição do PSDB para o PT.

 

O que explica a reeleição do PSDB em SP?

 

Trata-se de um poder real do PSDB. Não se explica a vitória incontestável dos tucanos paulistas por uma ou outra candidatura. O PSDB paulista é uma força real, que conseguiu criar forte identidade com o eleitorado, talvez o mais conservador do país, mais focado no sucesso individual e na lógica empresarial e mais refratário às propostas de promoção da igualdade social. O PSDB vai se tornando o partido mais identificado com os paulistas.

 

Vê alguma relação das eleições com as jornadas de junho de 2013?

 

Sim. O fantasma de junho de 2013 rondou todo o processo eleitoral e pode ser referência nos próximos anos. Ele não se expressou claramente nas candidaturas porque o sistema partidário brasileiro não representa as ruas, mas os acordos de cúpula. Mesmo assim, o amplo favoritismo de Dilma Rousseff, depois de reduzido com as manifestações de junho, nunca mais retornou aos patamares anteriores. A entrada de Marina revelou o quanto o eleitorado foi influenciado pelas manifestações (não exatamente composto por manifestantes, mas fortemente influenciado, como se os protestos revelassem a possibilidade real de mudança).

 

Com a frustração das promessas de Marina, este eleitorado descontente retornou à postura cínica (voto pragmático, sem empatia) anterior às manifestações. Este é o pêndulo deste eleitorado frustrado e descontente: entre o cinismo e a manifestação de recusa do status quo político institucional. Temos que registrar que 19% do eleitorado se abstiveram e 9% anularam ou votaram em branco.

 

Em 1994 a soma de abstenção com brancos e nulos no primeiro turno ficou em 32%, em 1998 subiu para 36%, em 2002 caiu para 25%, passando para 24% em 2006 e os cerca de 27% de 2010. Embora de forma ainda tímida, os descontentes aumentam continuamente desde 2010.

 

Considerando os resultados preliminares das eleições presidenciais, já é possível identificar quem são os ganhadores e perdedores?

 

O PSDB, em função do prognóstico de todos os institutos de pesquisas, foi a surpresa deste primeiro turno, em especial, em função de seu desempenho no Centro-Sul do país. O PT se firmou - mas já era esperado - nas regiões Norte e Nordeste do país e parte do Centro-Oeste. O PSB diminuiu de tamanho. Enfim, a polarização clássica do sistema eleitoral no período pós-ditadura retornou com força neste primeiro turno, dividindo o país, inclusive em termos regionais. O país está dividido.

 

O que é possível esperar para o segundo turno? Arrisca para que lado Marina e o PSB irão pender?

 

Segundo o Datafolha (mas é preciso, a partir de agora, ponderar sobre estes dados em função da grande volatilidade do eleitorado nesta eleição), 50% do eleitorado de Marina votará em Aécio Neves e 20% em Dilma Rousseff. Se Dilma ficasse estacionada nos 41%, Aécio necessitaria de 30% dos votos de Marina. Contudo, é provável que Dilma absorva votos do eleitorado de Luciana Genro e Eduardo Jorge.

 

Também parece mais provável que o eleitor pernambucano e fluminense seja mais favorável à reeleição de Dilma Rousseff que a Aécio Neves (bastando verificar como houve rejeição ao candidato tucano no primeiro turno). Aécio tem, contudo, possibilidade de reforçar o voto no Centro-Sul, declaradamente antipetista, não dependendo dos votos cravados em Marina no primeiro turno. O discurso de campanha neste segundo turno será o discurso anti-PT de Aécio (destacando a corrupção e aparelhamento do Estado) contra o discurso de promoção social e ataque ao elitismo tucano de Dilma Rousseff.

 

Patricia Fachin é jornalista do IHU Online, onde esta entrevista foi originalmente publicada.

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A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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