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‘Candidaturas à presidência não têm nada a ver com as manifestações de 2013’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader, da Redação   
Sexta, 03 de Outubro de 2014
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Festa da democracia. Assim convencionou-se qualificar os processos eleitorais de um país que ainda enxerga a ditadura no retrovisor. Mais de 100 milhões de brasileiros poderão ir às urnas eleger seus novos representantes formais, numa campanha já conhecida por ter sido a mais cara da história. O Correio da Cidadania entrevistou o sociólogo Chico de Oliveira, histórico pensador da esquerda brasileira, para analisar o processo e sua perda constante de conexão com as ruas.

 

“As candidaturas de hoje para a presidência não têm nada a ver com as manifestações de junho. A Marina Silva não representa essa movimentação de 2013 e a Dilma Rousseff, já presidenta, tampouco representa. Em geral, é um fenômeno presente em todas as democracias: elas perderam a capacidade de representar as demandas populares”, refletiu.

 

Diante do quadro, Chico não se anima com um debate em nível mais elevado no segundo turno, uma vez que, em sua visão, estamos em um estágio da democracia que permite à “classe política”, com teórica representação das classes sociais, trilhar caminhos próprios. Em resumo, uma política institucionalizada, incapaz de atender às reivindicações populares.

 

“Quando há eleições, há uma espécie de novo fôlego da retórica. Mas logo a realidade econômica, política e social se impõe e as demandas subsistem apenas no discurso. Nenhum governo realiza demandas populares de acordo com a força com que elas aparecem nas ruas”, afirmou.

 

A entrevista completa com o sociólogo Chico de Oliveira pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Como vê junho de 2013 nessas eleições? Esteve presente e representado pelas candidaturas?

 

Chico de Oliveira: As candidaturas de hoje para a presidência não têm nada a ver com as manifestações de junho. A Marina Silva não representa essa movimentação de 2013 e a Dilma Rousseff, já presidenta, tampouco representa. É um fenômeno interessante ver que a política institucionalizada está afastada das manifestações reais da sociedade. Isso é lamentável, uma política apenas institucionalizada, sem relação com as expressões da população.

 

Correio da Cidadania: Por que a rebelião urbana não teve expressão política no processo eleitoral?

 

Chico de Oliveira: Em geral, é um fenômeno presente em todas as democracias: elas perderam a capacidade de representar as demandas populares. Não só no Brasil. Ocorre porque os partidos ficaram institucionalizados e a disputa pelo poder, característica da democracia, posto que em ditaduras não há essa disputa, está cada vez menos associada às demandas populares. Em alguns casos, de forma bem clara. Por isso a política virou uma atividade institucionalizada e afastada das demandas e necessidades populares.

 

Correio da Cidadania: E o que diria quanto aos candidatos que irão ao segundo turno? Representarão de alguma forma aqueles que estão embaixo e que neles votaram?

 

Chico de Oliveira: O segundo turno tampouco melhorará o debate. Não há perspectiva disso. A Marina cresceu na intenção de voto, mas na realidade é uma falsa oposição. Ela não tem programa – por exemplo, econômico – diferente do que está aí. É até pior, por estar mais próxima do liberalismo, um equívoco teórico e ideológico que termina sendo o equívoco das eleições.

 

Países subdesenvolvidos não podem adotar programas liberais. Nem países desenvolvidos, que são as matrizes do pensamento liberal, adotam algo de liberal. Isso é conversa de teórico que não está no poder. Quando chegam ao poder, não aplicam nada de liberalismo.

 

Portanto, esse segundo turno entre as candidatas mais fortes fica marcado pela Marina e seu liberalismo condicionado e uma Dilma que não tem um programa liberal.

 

Correio da Cidadania: De acordo com o que o senhor disse, quais seriam as causas da falta de sintonia entre a população e a chamada classe política?

 

Chico de Oliveira: A política institucionalizada circula num ambiente próprio, criado pelo próprio fato de que as eleições são um fenômeno previsível. Assim, instituiu-se uma espécie de classe política, que não é exatamente a representação das classes sociais. Tal classe política funciona fora da representatividade das classes sociais, embora essas sejam seu fundo teórico. Mas ela liberou-se e funciona em seu próprio circuito.

 

Correio da Cidadania: Uma nova vitória do PT poderia ajudar o partido a recalibrar seu diálogo com as ruas?

 

Chico de Oliveira: Pelo contrário. Partidos que se mantêm no poder, numa sequência longa, liberam-se das demandas populares. A retórica continua popular, mas, na verdade, o partido tem seu circuito próprio de política institucionalizada e só remotamente dialoga com a sociedade.

 

Correio da Cidadania: E o que vê pela frente como desdobramentos dessa crise de representatividade, da falta de sintonia entre a população e a classe política, que mina a credibilidade dos políticos?

 

Chico de Oliveira: Por ora nada. Há eleições, partidos elegem seus representantes, mas isso não corrige nenhuma crise de representatividade. É o fenômeno das democracias modernas. Os políticos se elegem pela representação popular, mas seguem seu caminho próprio, deixando o resto na retórica.

 

Correio da Cidadania: Finalmente, acredita que, com os futuros mandatos já em andamento, e sua desconexão com as ruas, estará se pavimentando o caminho para novas manifestações e revoltas de massa?

 

Chico de Oliveira: Não necessariamente. Explosões populares têm pouco a ver com o que as eleições representam. São fenômenos de difíceis explicações sociológicas e políticas, mas não estão diretamente vinculados às eleições.

 

As perspectivas de desdobramento da crise de representatividade, que já é uma crise longa, não se resolvem nem deixam de se resolver nessas horas. Quando há eleições, há uma espécie de novo fôlego da retórica. Mas logo a realidade econômica, política e social se impõe e as demandas subsistem apenas no discurso. Nenhum governo realiza demandas populares de acordo com a força com que elas aparecem nas ruas.

 

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Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

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Última atualização em Terça, 14 de Outubro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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