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EUA: um Estado terrorista inimigo da humanidade Imprimir E-mail
Escrito por Miguel Urbano Rodrigues   
Sexta, 26 de Setembro de 2014
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O chamado Estado Islâmico, que se apresenta como refundador do Califado, é a última aberração gerada pela estratégia de terrorismo de Estado do imperialismo estadunidense.

 

Essa estratégia surgiu como consequência de efeitos não previstos da execução do projeto de dominação perpétua e universal sobre a humanidade, concebido ainda em vida de Roosevelt, no âmbito do War and Peace Program, um projeto que identificava nos EUA o herdeiro natural do Império Britânico.

 

O Oriente Médio foi a área escolhida pelo Pentágono e o Departamento de Estado para a arrancada do ambicioso Programa, precisamente porque o Reino Unido, muito enfraquecido pela guerra, iniciou ali a sua política de retirada escalonada de bastiões imperiais no mundo islâmico.

 

Nas décadas seguintes, a CIA promoveu golpes na região com destaque para o que derrubou Mossadegh e restabeleceu no trono do Irã o Xá Reza Pahlevi.

 

O pântano afegão

 

A partir de 1980, o governo Reagan financiou e armou as organizações terroristas sunitas de Peshawar que combatiam a Revolução Afegã. Alguns dos seus dirigentes foram recebidos como heróis na Casa Branca como “combatentes da liberdade”; Reagan saudou-os como combatentes da liberdade e “novos Bolívares”. Os bandos desses heróis cortavam os seios de mulheres que não usavam a burca ou cegavam-nas com ácido sulfúrico.

 

Nessa época, o saudita Bin Laden interveio ativamente como aliado de confiança dos EUA (seu pai fora amigo da família Bush) nas campanhas que visavam a derrubada do governo revolucionário de Cabul.

 

Quando Mikhail Gorbatchov abandonou o Afeganistão e os 7 de Peshawar tomaram o poder no país, essas organizações desentenderam-se e iniciou-se um período de guerras fratricidas.

 

No final da presidência de Bush pai, os EUA, que tinham patrocinado a guerra de Saddam Hussein contra o Irã, reagiram à ocupação do Kuwait desencadeando a primeira guerra do Golfo, em 1991. Com o apoio de uma grande coligação avalizada pelo Conselho de Segurança, os iraquianos foram rapidamente derrotados. Bagdá foi submetida a bombardeios destruidores, mas Washington não se opôs a que Saddam permanecesse no poder.

 

No Afeganistão, cujo subsolo encerra recursos fabulosos, a situação assumiu aspectos tão caóticos, com os senhores da guerra a digladiarem-se, que Washington abriu a porta à entrada em cena dos Taliban, uma organização terrorista que a CIA havia criado no Paquistão como “reserva”.

 

Os autointitulados “estudantes de teologia” conquistaram facilmente o país e, instalados em Cabul, assassinaram Muhammad Najibullah, o último presidente legítimo, asilado na sede da ONU, e promoveram uma política de fanatismo religioso que fez regressar o país à Idade Média. Bin Laden, mudando de campo, surgiu então como aliado preferencial do mullah Omar, chefe espiritual dos Taliban.

 

Os EUA recolhiam frutos amargos da sua política agressiva contra o Islã e de apoio incondicional ao Estado sionista de Israel.

 

Mas foi somente em 2001, após os atentados contra o World Trade Center e o Pentágono, que a Casa Branca, onde então pontificava Bush filho, tomou a decisão de invadir e ocupar o Afeganistão. Bin Laden foi guindado a inimigo número 1 dos EUA e a Al Qaeda, por ele fundada, adquiriu na propaganda norte-americana as proporções de um polvo demoníaco, cujos tentáculos envolveriam todo o mundo islâmico.

 

Mas, contrariando as previsões de Washington, o povo afegão resistiu à ocupação do país pelos EUA e pela OTAN.

 

O presidente Obama, que prometera acabar com aquela guerra impopular, enviou para o país mais 120.000 militares. Sucessivas ofensivas de “pacificação” fracassaram e generais prestigiados foram demitidos. Anunciada para este ano a total retirada das forças de combate, a promessa não será cumprida.

 

Transcorridos 13 anos da invasão, a Resistência Afegã (que transcende largamente os Talibans) controla quase todas as províncias, com as tropas estrangeiras concentradas em Cabul e nas principais cidades. O país, devastado pela guerra, está mais pobre do que antes da chegada dos norte-americanos, mas a produção de ópio aumentou muitíssimo.

 

O assassínio de Bin Laden no Paquistão numa operação de comandos nebulosa, montada pela CIA e o Pentágono, não contribuiu, aliás, para melhorar a imagem de Obama.

 

Iraque, Líbia, Síria

 

Longe de extraírem lições da sua política para a região, os EUA desencadearam em março de 2003 a segunda guerra do Iraque, desta vez sem o aval da ONU. O pretexto invocado – a existência de armas de extermínio massivo – foi forjado por Bush e Tony Blair. Tais armas, como foi provado, não existiam.

 

Na invasão, foram utilizadas armas químicas proibidas pelas convenções internacionais. Crimes monstruosos foram cometidos e as torturas (incluindo abusos sexuais) infligidas pela soldadesca norte-americana aos prisioneiros iraquianos tornaram-se tema de escândalo de proporções mundiais.

 

Saddam Hussein foi executado após um julgamento sumário, com o aplauso de um governo fantoche. Mas, transcorrida mais de uma década, o Iraque regrediu meio século. Centenas de milhares de iraquianos morreram de doenças curáveis e de desnutrição.

 

Hoje, ocupado por dezenas de milhares de mercenários ao serviço de empresas mafiosas, o Iraque é na prática uma terra humilhada e ocupada, onde o poder real é exercido pelas transnacionais que se apropriaram do seu petróleo e do seu gás.

 

Incapazes de encontrar soluções para a sua crise estrutural, os EUA prosseguiram com a sua agressiva estratégia (ampliando-a) de dominação imperial.

 

A política de cerco à China e à Rússia intensificou-se. De documentos secretos do governo federal, tornados públicos por influentes mídias, constam planos para arruinar e desmembrar a Rússia, reduzindo-a a potência de segunda classe.

 

A multiplicidade de objetivos a atingir quase simultaneamente tem contribuído, porém, para que os resultados dessa política não correspondam às esperanças da Casa Branca.

 

As mal chamadas “primaveras árabes” foram ideadas para produzirem no Islã um efeito comparável ao das “revoluções coloridas”. E isso não aconteceu. No Egito, após uma cadeia de crises complexas e um golpe de Estado que derrubou o presidente Morsi, os EUA conseguiram o que pretendiam. No Cairo, ocupa o poder um governo militar do agrado do imperialismo norte-americano e que Israel encara com simpatia.

 

Mas o balanço da intervenção militar na Líbia é desastroso. Derrubaram e assassinaram Kadafi, numa guerra de agressão imperial, viabilizada pela cumplicidade da ONU, guerra em que participaram ativamente a França e o Reino Unido, preparada com antecedência pela CIA e os serviços secretos britânicos e a Mossad israelense. Destruíram as infraestruturas do país para se apossarem do seu petróleo e do seu gás.

Mas o desfecho da operação criminosa não correspondeu ao previsto no organograma da agressão.

 

A Líbia é hoje um país ingovernável. Uma parte significativa dos “rebeldes”, treinados e armados pelo imperialismo para lutar contra Kadafi, passou a atuar por conta própria, em milícias que desconhecem o governo títere de Trípoli. O terrorismo tornou-se endêmico. O atentado terrorista contra a missão diplomática dos EUA em Benghazi confirmou o estado de anarquia existente e a incapacidade de Washington para controlar as organizações terroristas que o imperialismo introduziu no país. Do caos líbio não foram, porém, extraídos também os ensinamentos neles implícitos.

 

A escalada de agressões prosseguiu. A Síria foi o alvo seguinte. Washington repetiu a fórmula. Uma campanha midiática ampla e ruidosa demonizou o presidente Assad, apresentado como ditador brutal. Depois, “rebeldes” patriotas – muitos dos quadros são estrangeiros – iniciaram a luta contra o governo legítimo do país.

 

Contrariando as previsões da CIA, as forças armadas, unidas em defesa do presidente Assad, resistiram e as organizações terroristas, ostensivamente apoiadas pela Turquia e pela Arábia Saudita, sofreram severas derrotas.

 

Dezenas de milhares de civis, sobretudo mulheres e crianças, foram vítimas da guerra patrocinada pelos EUA.

 

Compreendendo finalmente que o plano elaborado em Washington estava a fracassar, Obama, numa guinada tática, informou num discurso ameaçador que tinha decidido bombardear a Síria.

 

A firme atitude assumida pela Rússia obrigou-o, entretanto, a recuar e a desistir da intervenção militar direta. Essa inocultável derrota política tornou necessária uma revisão da estratégia global dos EUA para todo o Oriente Médio.

 

Apercebendo-se de que haviam avaliado mal a correlação de forças, a Casa Branca e o Pentágono adiaram sine dia o projeto de agressão à República Islâmica do Irã, e abriram negociações sobre o tema nuclear com um governo que o imperialismo identificava como polo do “eixo do mal”.

 

A catástrofe ucraniana

 

A derrota sofrida pelo imperialismo na Síria coincidiu praticamente com o desenvolvimento de outro projeto imperial, mais ambicioso, que visava a integração, a médio prazo, da Ucrânia na União Europeia e na OTAN.

 

Dispenso- me de recordar, por serem amplamente conhecidos, os acontecimentos que conduziram ao poder em Kiev um governo neofascista após a derrubada do presidente Yanukovich. Era um aventureiro, mas havia sido eleito democraticamente.

 

Mais uma vez o plano golpista foi minuciosamente preparado em Washington.

 

Mas, novamente, a História seguiu um rumo diferente do previsto pelo sistema de poder imperial. A integração da Crimeia à Rússia demonstrou que o governo de Putin e Medvedev‎ não se deixava intimidar pela agressiva estratégia de Washington.

 

A recusa das populações russófilas do leste da Ucrânia a submeter-se aos golpistas de Kiev levou observadores internacionais a admitir que a ofensiva das forças armadas da Ucrânia contra os “separatistas” de Donetsk e Lugansk poderia ser o prólogo de uma III Guerra Mundial. Mas a prudência e serenidade de Putin contribuíram para uma redução de tensões na área, evitando o alastramento de um conflito que poderia ter trágicas consequências para a humanidade.

 

A crise persiste, mas a própria incapacidade militar do bando de Kiev conduziu ao atual cessar-fogo e às negociações de Minsk. Na Ucrânia, o tiro saiu também pela culatra ao governo dos EUA, cuja aliança com fascistas assumidos ilumina o desprezo pela ética política da administração Obama.

 

O pesadelo jihadista

 

Atolado no pantanal ucraniano, o imperialismo estadunidense (e os seus aliados) enfrenta nestes dias um desafio assustador para o qual sabe não ter solução.

 

Inesperadamente, uma organização de islamitas fanáticos irrompeu no noroeste do Iraque e em poucas semanas ocupou um amplo território naquele país e no norte da Síria.

 

Assumindo-se como intérpretes intransigentes da sharia, tal como a concebem, proclamaram a restauração do Califado árabe e declaram a sua intenção de promover a sua expansão territorial e espiritual.

 

Logo nas primeiras semanas, a passagem desses jihadistas por cidades e aldeias conquistadas ficou assinalada pela prática de crimes hediondos, inseparáveis do fanatismo exacerbado da seita jihadista.

 

O imperialismo sentiu que o empurravam para um impasse. Obama não pode aceitar a ajuda do governo de Bashar al Assad, nem a do Irã. Perderia a face também se recorresse a forças terrestres para combater os jihadistas depois de ter festejado como acontecimento histórico a retirada do Iraque das tropas de combate. Optou, então, pelo recurso a bombardeios aéreos.

 

Recebeu o apoio dos governos de Hollande e de Cameron, mas os especialistas do Pentágono acham que esses bombardeios, ditos “cirúrgicos”, terão uma eficácia muito limitada. Os jihadistas responderam degolando dois reféns britânicos em seu poder e ameaçam abater outros se os bombardeios prosseguirem.

 

É imprevisível no momento o desfecho do confronto. Mas os generais do Pentágono afirmam que o exército iraquiano e as milícias do Curdistão autônomo, aliado de Washington, não têm capacidade militar para derrotar os jihadistas.

 

Em Washington, a administração está mergulhada num pesadelo. A mídia mais influente, do New York Times à CNN, também.

 

Muitos quadros jihadistas são, afinal, provenientes de organizações terroristas criadas e financiadas pelos EUA para combater regimes que não se submetiam à dominação imperial. Alguns foram treinados por oficiais da US Army. O desconforto da mídia também é compreensível.

 

As guerras de agressão que atingiram o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e a Síria foram precedidas de gigantescas campanhas de desinformação. Durante semanas, os povos dos EUA e da Europa foram massacrados com um tipo de propaganda que apresentava as intervenções militares como exigência da defesa da liberdade e dos direitos humanos em prol da democracia, contra a ditadura e a barbárie.

 

Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler, afirmava que uma mentira repetida mil vezes é aceita como verdade. As técnicas de desinformação utilizadas na época parecem hoje brincadeira de crianças se comparadas com a monstruosa máquina midiática controlada pelo imperialismo para anestesiar a consciência dos povos e justificar crimes monstruosos.

 

O presidente Obama cumpre neste jogo criminoso o papel que lhe foi distribuído. Na realidade, o poder nos EUA está nas mãos do grande capital e do Pentágono. Mas isso não atenua a sua responsabilidade; a máscara não funciona, o presidente desempenha com prazer e hipocrisia a sua função na engrenagem do sistema de poder. Comporta-se na Casa Branca como inimigo da Humanidade.

 

Nos últimos séculos, somente a Alemanha de Hitler criou uma situação comparável, pela monstruosidade dos crimes cometidos, à resultante, hoje, da estratégia de poder dos EUA. Com duas diferenças fundamentais: a política do III Reich suscitou repúdio universal, mas apenas a Europa foi cenário dos seus crimes.

 

No tocante aos EUA, centenas de milhões de pessoas são confundidas pela fachada democrática do regime, mas os crimes cometidos têm dimensão planetária. Qual o desfecho da perigosa crise de civilização que ameaça a própria continuidade da vida na Terra?

 

Vivemos um tempo, após a transformação da Rússia num país capitalista, em que as forças da direita governam com arrogância em quase toda a Europa. Em Portugal, sofremos um governo em que alguns ministros são mais reacionários que os de Salazar.

 

Mas a Historia é, há milénios, marcada pela alternância do fluxo e do refluxo. O pessimismo e o desalento não se justificam. A maré da contestação ao capitalismo está a subir.

 

Não esqueço que Marx, após a derrota na Alemanha da Revolução de 1848-49, quando uma vaga de desalento corria pela Europa, criticou com veemência o oportunismo de esquerda e o de direita, que contaminava a Liga dos Comunistas. Dirigindo-se à classe operária, afirmou que os trabalhadores poderiam ter de lutar 15, 20 ou mesmo 50 anos antes de tomarem o poder. Mas isso não era motivo para se desviarem dos princípios e valores do comunismo.

 

A revolução socialista tardou 70 anos. E não eclodiu na Alemanha ou na França, mas na Rússia autocrática. O ensinamento de Marx permanece válido. Mas neste início do século 21 não será necessário esperar tanto tempo.

 

A vitória final depende das massas como sujeito da História. A advertência de Rosa Luxemburgo - Socialismo ou Barbárie - não perdeu atualidade.

 

Ou o capitalismo, hegemonizado pelo imperialismo norte-americano, empurra a humanidade para o abismo, ou a luta dos povos o erradica do planeta. A única alternativa será então o socialismo.

 

 

Miguel Urbano Rodrigues é jornalista e escritor português.

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Última atualização em Terça, 09 de Dezembro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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