A polícia e as eleições

 

 

A polícia e a extrema-direita estão aproveitando as divergências entre a esquerda revolucionária, que pretende votar nulo no segundo turno, e a esquerda do PT, tentando provocar a cizânia.

 

Por isso, ao defender nossos pontos de vista, é sempre melhor tratar no geral, inclusive para evitar que certos blogueiros de extrema-direita usem as informações em favor da direita.

 

Mas, infelizmente, alguns sindicalistas, incluindo personagens do livro da AP, fazem o jogo da polícia. No segundo turno da campanha eleitoral de 2010, um personagem repassou mensagem da extrema-direita que acusava José Serra, levianamente, de ter participado da colocação da bomba no Aeroporto de Guararapes, em Recife, em 1966.

 

Além de não estar no Brasil, Serra era contra esse tipo de ação foquista e militarista. No livro Combate nas Trevas, o historiador Jacob Gorender esclarece a autoria do desatino.

 

No início da década de 1980, a extrema-direita divulgou em Salvador, na Bahia, o boletim Iskra, e plantava notícias na mídia como se fosse gente de esquerda.

 

Diretores de Sindicatos, muitos petistas, e até o pessoal do PCdoB, acharam que o material era de esquerda, por causa das contradições no movimento sindical, entre CUT, PCdoB e o pessoal do PCB.

 

O jornalista José Carlos Prata, do PCB, trabalhando no Sindicato dos Metalúrgicos, foi acusado levianamente de ser o mentor do Iskra.

 

Aí a extrema-direita falsificou boletim do Sindicato dos Eletricitários da Bahia, como fez com o jornal O São Paulo, da arquidiocese, e procurou envolver o comunista David Capistrano, o filho. A trama foi desmascarada na imprensa em Salvador e, em São Paulo, pelo jornal Política, editado pelo jornalista Raimundo Rodrigues Pereira.

 

Há quase três anos, o texto Incidente na USP, com porrete tucano, publicado pelo Brasil de Fato, Correio da Cidadania e Caros Amigos, reproduzido corretamente pela Articulação de Esquerda, teve o título alterado, sem autorização do autor, para Violência na USP, com porrete tucano, num blog de comunista combativo.

 

Por tudo isso, precisamos ficar atentos às investidas da polícia, procurando tirar proveito de divergências para fazer confusão. E nunca esquecer que ainda não conquistamos a democracia.

 

Otto Filgueiras é jornalista e está lançando, pela editora Caio Prado Júnior, o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular.

 

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