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Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 05 de Setembro de 2014
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“Uma grande guerra chegou às nossas portas, algo que a Europa não viu igual desde a Segunda Grande Guerra”.

 

Aparentemente, os EUA e a OTAN não consideram exagerado este brado de alarme de Valeriy Heletey, ministro da Defesa da Ucrânia.

 

Daí a criação pela OTAN de uma força-tarefa de quatro mil soldados para “responder ao comportamento agressivo da Rússia.”

 

Essa força estaria de olho no desenvolvimento dos combates entre o exército do governo de Kiev e os separatistas, agora reforçados por tanques, artilharia e cerca de mil soldados russos.

 

Tendo revertido a situação, graças aos apoios externos, os rebeldes não só expulsaram as tropas do governo das posições conquistadas em Donetsk e Lugansk, como também abriram uma nova frente, ao sul, aproximando-se do estratégico porto de Mariupol.

 

Caso sua tomada se concretize, como reagirá a OTAN? Não é fora de propósito que acabe intervindo militarmente. Afinal para que existe (ou vai existir) a força-tarefa de quatro mil homens?

 

Aí as coisas ficariam pretas,  pois haveria um confronto direto entre tropas do Ocidente e da Rússia. Do jeito que os dois lados estão exaltados, nada de bom poderia acontecer.

 

É como dizem: tudo que começa mal costuma acabar mal. E a crise da Ucrânia começou de uma forma, digamos, nada elogiável.

 

No golpe que derrubou o governo corrupto, porém legalmente eleito, de Yanukowicz, os EUA participaram ativamente.

 

O ex-presidente vinha mantendo uma aliança estreita com a Rússia, projetando ingressar num bloco econômico integrado por esse país, mais o Cazaquistão e a Belarus.

 

Por isso mesmo preferiu rejeitar a opção pela comunidade europeia. O que enfureceu a maioria da população de Kiev. Gigantescas manifestações de protesto se sucederam em Kiev, a partir de novembro de 2013, entrando por 2014. A repressão, inicialmente moderada, tornou-se violenta.

 

Nada comparável com a repressão da ditadura militar egípcia que matou cerca de mil oposicionistas nas ruas do Cairo.

 

Enquanto a Casa Branca apenas lamentava os excessos do governo do Egito, preferiu tomar firme partido em favor dos rebeldes de Kiev.

 

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, anunciou que a oposição ucraniana “…terá todo o apoio do presidente Obama e do povo americano a seus esforços”.

 

E Vassily Klitscko, um dos principais líderes oposicionistas, apressou-se em viajar para os EUA para manter contato direto com autoridades americanas.

 

Já em 2014, quando a revolução estava vencendo, através de grampo numa sua  ligação telefônica, Victoria Noland, subsecretária de Estado dos EUA, foi flagrada discutindo quem deveria ser nomeado primeiro-ministro do novo governo. Na ocasião, ela censurou a moderação com que os europeus vinham atuando no affair ucraniano, com termos nada diplomáticos (f…a Europa).

 

Na verdade, digamos, o interesse especial dos EUA na Ucrânia era muito anterior.

 

Em novembro de 2013, a mesma Victoria informara, em reunião sobre negócios na Ucrânia, que os EUA, desde 1991, já haviam aplicado 5 bilhões de dólares para promover a democracia no país (“uma boa forma de governo”).

 

Conforme Carl Hersham escreveu no Washington Post em 26 de abril de 2013: “A Ucrânia é o maior prêmio”. Ele falava como presidente da National Endowment for Democracy, entidade criada por Ronald Reagan, em 1983, para promover ações políticas e guerra psicológica contra países pouco amigáveis.

 

A vitória das forças revolucionárias favorece a  União Europeia – que ganhou um país importante para sua comunidade –  e os EUA, que ganharam um aliado propenso a aceitar bases americanas nas suas fronteiras com a Rússia.

 

Convém deixar as coisas claras: a rigor não se tratou de uma revolução do povo ucraniano, mas apenas do povo de Kiev, apoiado, é verdade, por grande parte do país.

 

Mas o leste, com 40% da população, quase toda de origem russa, ficou contra a derrubada do presidente legal e a posterior eleição do magnata Poroschenko para substituí-lo.

 

Logo começaram a acontecer manifestações de massa nessa região, opondo-se ao novo governo.

 

Por sua vez, a Rússia, derrotada com a queda do aliado Yanukowick, não passou recibo: reagiu prontamente, mandando tropas para a Criméia.

 

Autorizadas por tratado assinado quando da independência da Ucrânia, ela tinha direito a isso, mas não de tomar as instalações militares ucranianas na região – aliás, sem um só tiro.

 

Logo em seguida, Putin veio com mais dois lances audaciosos: proclamou a integração da Criméia à Rússia, depois de referendo absolutamente livre, e incentivou a ocupação da maior parte do leste por grupos separatistas.

 

Os governos da Ucrânia, dos EUA e da Europa protestaram energicamente contra essas violações do direito internacional.

 

E o presidente ordenou que seu exército atacasse as regiões ocupadas pelos separatistas, que ele chama de “terroristas”.

 

Na verdade, essa classificação seria mais adequada a certos grupos que o apoiam.

 

Em Odessa, milicianos do fascista Setor da Direita incendiaram um edifício repleto de separatistas e impediram a tiros que eles tentassem escapar de serem queimados vivos.

 

40 deles foram assim assassinados.

 

Nem um único dos milicianos foi preso, o que torna o governo de Kiev pelo menos cúmplice dessa atrocidade.

 

O chefe desses ultradireitistas, o parlamentar Oleg Lyashko, lidera pessoalmente um grupo que prende e tortura suspeitos de simpatias para com os separatistas. Ele costuma gravar esses atos em vídeo-tape e apresentá-los no seu web site.

 

Oficiais ucranianos lamentam, mas dizem não poder dispensar as tropas de choque de Lyashko por seu valor nos combates.

 

Enquanto o regime de Kiev atacava os separatistas, os EUA e a Europa faziam sua parte, aplicando sanções na Rússia sobre as indústrias militares e de energia russas.

 

Os bancos estatais russos foram expulsos do mercado de capitais europeu. E as empresas dos setores de defesa e de energia da Rússia não poderão mais importar equipamentos ocidentais hi-tech para uso militar e a exploração do petróleo do Ártico.

 

Julgavam que assim Putin iria entregar os pontos: parar de auxiliar militarmente os rebeldes, talvez convencê-los a se submeter a Kiev.

 

Por enquanto, não está dando certo.

 

Putin não ficou de braços cruzados. Fez seus adversários pagarem na mesma moeda: proibiu importações russas de alimentos e matérias-primas da Europa e dos EUA.

 

Obama tirou de letra. O comércio EUA-Rússia não pesa muito na economia americana.

 

Mas os agricultores europeus já anunciam perdas pesadas e forçam a Comunidade Europeia a alocar subsídios para não deixá-los na pior.

 

E a indústria sofre as consequências da redução brutal dos seus negócios com a Rússia, que importou 370 bilhões de dólares da comunidade europeia em 2012.

 

No mês passado ela caiu ao mais baixo nível dos últimos 13 meses.

 

No Reino Unido foi pior, a queda bateu o recorde considerando o  período de 14 meses.

 

Na França, pesquisa da PMI mostrou declínio, também o mais acentuado desde maio de 2013.

 

Na Itália a indústria já caiu há muito tempo, enquanto que na Espanha, e até na Alemanha, o ritmo de crescimento reduziu sua velocidade sensivelmente.

 

Agora, diante das novas intervenções militares de Putin, os EUA pressionam por sanções ainda mais duras.

 

Natural, eles não têm nada a perder.

 

Os países mais fracos da Europa resistem.

 

Diz um ministro checo: “O problema é se houver uma escalada nas sanções, a Rússia vai reagir e nós não podemos prever o impacto das novas sanções russas sobre as nações europeias”.

 

Se  é problemático vencer Putin com pressões econômicas, os EUA e a OTAN acreditam ser possível vencê-lo pela intimidação militar. Desprezando os riscos de que as coisas degenerem numa guerra, que ninguém deseja.

 

Enquanto isso, procuram  caracterizar a crise na Ucrânia como um conflito entre o Bem, representado por eles, e o Mal, personificado em Putin.

 

A verdade é que não estamos em Dodge City nem em Tombstone, não há good guys nem bad guys”, duelando no OK Corral.

 

Todas as partes não vacilaram em desprezar princípios do direito internacional, que deveriam respeitar como nações civilizadas que são.

 

O Ocidente, particularmente os EUA, começaram o tiroteio, intervindo na revolução popular de Kiev. Talvez patrocinando, talvez apenas ajudando, foi sempre um atentado à soberania ucraniana, representada por seu governo legal.

 

A intensidade dessa intervenção parece clara no telefonema gravado, no qual Victoria Noland, subsecretária de Estado americana, condenou a moderação da Europa na crise, com seu já famoso “F…a Europa”.

 

Tendo sido a disputa entre Rússia e Ocidente pela Ucrânia contaminada com a ilegalidade americana, Putin não destoou.

 

Interveio na Criméia – o que é também violação de soberania. Promoveu um referendo que levou a península a ingressar na Rússia. Incentivou o movimento separatista e o apoiou politicamente, enviando armas e provavelmente até soldados para lutarem contra o exército de Kiev.

 

Não há dúvida de que tudo isso atenta contra o direito internacional.

 

Apesar das culpas de Putin nesse particular, ele oferece também a melhor solução para a crise e as possíveis consequências ameaçadoras que pintam no horizonte: autonomia para as regiões de Donetsk e Lucanski, dentro da república da Ucrânia.

 

Alguns rebeldes que querem independência total vão resmungar, mas acabarão aceitando, como os demais já fizeram.

 

Região autônoma é um status que já existe na Europa, como a Catalunha, na Espanha, e a Escócia, no Reino Unido.

 

Putin deve estar querendo que seja conferido um grau de autonomia que permitiria a estas regiões celebrarem acordos econômicos com a Rússia, o que salvaria sua face.

 

O Ocidente, por enquanto, parece confiar mais nas soluções de força, mas, se o bom senso prevalecer, acabará topando.

 

Assim como Poroschenko, que diz aceitar negociar a ideia da autonomia só depois de os rebeldes entregarem as armas. O que é uma ideia absurda, pois, desarmados, os separatistas se sentariam à mesa das negociações praticamente inermes.

 

Pressionado pelo Ocidente, o presidente ucraniano certamente desistiria da sua pretensão, inclusive porque, feitas as pazes, ele terá tranquilidade para enfrentar os problemas de uma Ucrânia praticamente falida, cujo povo espera muito da agora certa integração na Comunidade Europeia.

 

E do governo do seu presidente.

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Quarta, 10 de Setembro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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