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ISSN 1983-697X
Ameaçada, livraria que traria Battisti a Caxias lamenta intolerância e agressões Imprimir E-mail
Quarta, 01 de Agosto de 2012

 

A visita de Cesare Battisti a Caxias do Sul (RS) para uma sessão de autógrafos, no último final de semana, gerou polêmica em função de opiniões contraditórias dentro da sociedade caxiense. Um grupo não apenas demonstrou contrariedade à visita do italiano, como fez ameaças que resultaram em ocorrência policial. Além de Battisti, o alvo foi a livraria Do Arco Da Velha, localizada no centro da cidade.

 

O estabelecimento havia reservado seu espaço para uma sessão de autógrafos com o autor, que acaba de publicar seu 18º livro, Ao pé do muro (Martins Fontes). Foi o suficiente para surgirem diversas manifestações agressivas através das redes sociais, além de telefonemas e cartas anônimas que ameaçavam a livraria com bombas, queima de livros e até mesmo “jurando de morte” o ex-militante do Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Cesare Battisti.

 

Frente a essa situação, a livraria optou por cancelar o evento, que estava previsto para o último sábado (28). “Assumindo nossa parte na responsabilidade em garantir o bom andamento do evento e a segurança do autor e de nossos clientes, informamos o cancelamento do lançamento. Consideramos a intolerância um retrocesso no processo democrático, e lamentamos que o uso de agressões violentas chegue ao ponto de nos levar a essa decisão”, declarou o estabelecimento através de nota.

 

O proprietário da livraria, Germano Weirich, lastimou o fato de nenhuma instituição ou autoridade ter se posicionado em defesa da liberdade após a polêmica ter se tornado pública, o que deixou o estabelecimento isolado frente a situação. Como exemplo disso, ele citou o pouco caso das autoridades policiais ao tomarem conhecimento das ameaças contra a livraria e matérias publicadas na imprensa que acentuaram a atmosfera de conflito. Além disso, declarações de personalidades da cidade, como o escritor e professor José Clemente Pozenato, não serviram para acalmar os ânimos:

 

“Trata-se de uma situação muito conflitiva e complexa, ele está expondo a si e ao público. Acho que a vinda dele é imprudente do ponto de vista político. Ele tem que ter consciência de que deve explicações à sociedade. Eu também não vou à livraria se ele vier a Caxias”, declarou o escritor ao Pioneiro.

 

Cesare Battisti acabou reunindo-se com leitores e amigos numa residência da cidade.

 

Por Nícolas Pasinato, Sul 21

 

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