Tirania da grande mídia ameaça democracia

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A cobertura errática, oportunista, enviesada e mal-intencionada que os grandes meios de comunicação fazem das manifestações populares é emblemática do esforço sistemático de manipulação da opinião pública e de negação de todo e qualquer espaço para o contraditório. As tendências totalitárias da grande imprensa ficam patentes no objetivo, perseguido com obsessão, de desmoralizar a política.

 

Arvorando-se o papel de partido da ordem, como autoridade para ditar as bandeiras das manifestações – a branca da “paz social” e a verde amarela da “ordem e progresso” –, a grande imprensa usurpa a representação popular. Determina arbitrariamente as atitudes aceitáveis – as manifestações pacíficas que não questionam o status quo – e as condenáveis – as radicais que tocam na raiz dos problemas e culminam em conflitos com o batalhão de choque.

 

Ao cercear o debate sobre as causas e as consequências da revolta popular que surpreendeu os poderes estabelecidos, os grandes monopólios da comunicação bloqueiam o debate público e impedem o desenvolvimento da crítica. Sem disfarçar seu caráter fascistóide, lançam palavras de ordem para mobilizar as classes médias conservadoras e os grupos de extrema-direita como tropa de choque da reação para conter as mobilizações democráticas. Distorcendo grosseiramente os fatos, evidenciam a intenção de gerar confusão e insegurança, apostando na cristalização de um medo-pânico que, mais adiante, justifique o recurso à repressão violenta como forma de pacificação da sociedade.

 

Os magnatas da informação se arvoram bastiões absolutos da liberdade de imprensa. Representam, na realidade, o oposto. Atuam como Partido Único, acima do bem e do mal, estigmatizando tudo que não se submeter a seu desiderato. Não por acaso, a grande mídia é um dos principais alvos da fúria das ruas. “O povo não é bobo, fora rede globo” é um grito pela democratização radical dos meios de comunicação.

 

As jornadas de junho colocaram na agenda nacional a urgência de eliminar o monopólio que um punhado de famílias exerce sobre os meios de comunicação no Brasil. A manipulação descarada da opinião pública explicita a contradição insuperável entre a comunicação como o negócio a serviço do poder e liberdade de imprensa como instrumento democrático.

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