A resistência social em pauta

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No último dia 24, milhares de trabalhadores do setor público e privado, estudantes e entidades do movimento sindical e popular realizaram uma marcha em Brasília em defesa dos direitos da classe trabalhadora e pela anulação da reforma da Previdência.

 

Esta ação está no marco de uma retomada da resistência dos trabalhadores, que vem sendo verificada desde o primeiro ano do mandato da presidente Dilma Rousseff.

 

Em que pese os mares tranquilos de popularidade do governo e as pesquisas de opinião que projetam vitória relativamente tranquila do governo em 2014, existem claras mazelas nas profundezas da sociedade decorrentes desse suposto modelo de “desenvolvimento”. É o que pode ser evidenciado pela diversidade de lutas sociais de resistência dos anos recentes, assim como os eventos, também recentes, na capital federal, como a marcha do dia 24 e a ocupação dos povos indígenas no Congresso Nacional, no último dia 19.

 

As razões estão em uma política econômica e um “modelo” que mantém o Brasil vulnerável aos ventos da crise, dependente das necessidades do emergente capitalismo asiático em torno de alimentos, minérios, petróleo; vulnerável às pressões do grande capital financeiro e do grande capital. Estes, em que pesem as seguidas desonerações do governo, continuam chantageando e exigindo a flexibilização de direitos trabalhistas e tributos como “condição” para atender aos “apelos” do governo para aumentar os investimentos na economia.

 

O que faz o governo diante deste cenário? Aceita, organiza e gerencia a agenda do grande Capital.

 

O projeto de privatizações da infraestrutura do país em torno das megaobras para os mega eventos esportivos e a consequente lógica do balcão de negócios, que traz junto a bolha da especulação imobiliária, são a pedra de toque das parcerias públicas e privadas - a grande aposta do governo para dinamizar a economia com grandes investimentos pesados (com a garantia do dinheiro público, claro).

 

A consequência desta diretriz tem sido uma política de remoções de comunidades de trabalhadores, populações indígenas, comunidades ribeirinhas, em função das megaobras de infraestrutura (de devastadores impactos socioambientais), da construção de estádios e complexos imobiliários em áreas recém-valorizadas. Exemplos de um modelo predador que, de outro lado, provoca o aumento da resistência popular, pois se agrava o problema da moradia no país.

 

A ampliação predadora das fronteiras do agronegócio industrial corre também intrínseca a este modelo, com graves impactos ambientais, com  agravantes à questão da terra no país e ameaça às reservas dos povos indígenas - e não por acaso, gerando a resistência organizada destes.

 

A política de privatizações de serviços públicos gera, entre outras, lutas importantes contra o aumento de tarifas nos transportes públicos. O que faz todo o sentido diante dos sinais de estagnação econômica ou lento crescimento verificados tanto no “Piibinho” de 2012, como na retomada de uma inflação que rompe sistematicamente as metas oficiais.

 

Remuneração do capital financeiro através da dívida pública, em detrimento da saúde, educação pública, previdência, é o que explica, ademais, as marchas e greves dos trabalhadores nas áreas da educação e saúde.

 

Ainda que essa resistência seja fragmentada, com muitas resistências e greves isoladas entre si, e mediante a passividade da maior parte do povo, a tendência é de um recrudescimento dessa luta social. O que deverá medir a temperatura e o humor da maioria da população diante de um modelo e de uma macropolítica econômica que farão crescer as contradições, as demandas e as necessidades do mundo do trabalho, dos despossuídos de terra, da moradia e dos direitos sociais universais.

Comentários   

0 #2 Era Bronzejosé marques vieira 07-05-2013 14:37
A desigualdade na Era do Bronze era bem menor que a injustiça social na Era da Nanotecnologia do Carbono. E eles não faziam passeata, não votavam, não tinham Habeas Corpus. Voltemos ao passado.
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0 #1 é preciso reconstruir a resistênciaRodrigo 03-05-2013 18:09
A esquerda ficou completamente desarticulada com a eleição de Lula, e ainda há quem acredite que temos um governo de esquerda, que não é preciso fazer mais nada. As greves de funcionários públicos sem reajuste desde o segundo mandato de Lula, a dureza das negociações com Dilma, a ausência de ampliação dos direitos dos trabalhadores, as frequentes proposições de flexibilização dos direitos trabalhistas remanescentes, serviços públicos lamentáveis são apenas alguns dos aspectos externos a combater. Porém, o mais relevante é o direcionamento da política economica em favor do capital financeiro e contra os trabalhadores. Aqueles que já conseguem ver essa realidade, não esperem até que seja a sua categoria a fazer greve. Esse governo está nas mãos dos rentistas e do empresariado espoliador tal como o de FHC.
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