Um bom sinal

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Quanto à queda de Mubarak, importa perguntar sobre as causas e as conseqüências.

 

A causa principal é a crise econômica mundial, pois a fonte de receita mais importante do Egito era, desde muitos anos, o dinheiro enviado pelos egípcios que trabalhavam nos países ricos da Europa.

 

A crise, que jogou os países ricos em profunda recessão, determinou a substituição dessa mão-de-obra emigrada por trabalhadores nacionais, afetando, desse modo, os países pobres da Europa e da África.

 

O fenômeno, convém salientar, não se restringe ao Egito, mas a todos os países que viviam dos recursos enviados pelos seus emigrantes. Regimes como os da Líbia, Turquia, Iêmen, Argélia, que se sustentavam economicamente do mesmo modo, também estão a braços com revoltas populares.

 

Com a crise econômica, em vez de depósitos bancários, esses países receberam milhões de bocas a alimentar. Não têm como fazê-lo enquanto forem dominados por minorias insensíveis às demandas populares.

 

A prova cabal de que a rebelião foi motivada pela falta de condições de sobrevivência da massa é a permanência dela nas ruas, após a renúncia de Mubarak.

 

Em relação às conseqüências da queda, não se pode ser tão categórico como em relação às causas da mesma.

 

Seria possível afirmar que a rebelião foi a conseqüência de o estado de espírito conformista - característico do comportamento político das massas populares após a revolução neoliberal – ter sido superado? Ou tudo não passará de eventos locais, determinados por conjunturas específicas e, portanto, sem articulação e repercussão além das fronteiras dos países afetados?

 

Seja qual for a resposta a tais questões, é importante ter em mente que os partidos de esquerda precisam estar atentos e preparados para intervir, pois dificilmente outra oportunidade poderá surgir para abrir-lhes a possibilidade de influenciar nos processos políticos de seus países. Já perdemos uma grande oportunidade em 1954, quando a massa popular tomou conta das ruas em protesto contra a morte de Getulio Vargas. Não percamos outra.

 

Uma avassaladora insurreição popular, como a que derrubou a aristocracia do poder nos países europeus em 1848, não seria ainda a instauração do socialismo como forma de produção dominante no mundo, mas abriria uma avenida bem larga para se chegar lá.

 

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