De volta às ruas e às manchetes

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Dois mais dois nem sempre são quatro. Podem ser seis e até mais, dependendo de circunstâncias favoráveis. Os economistas chamam isto de sinergia. A cooperação potencializa energias. 

 

O Dia Nacional de Lutas é um caso exemplar do efeito sinérgico. Nenhuma das forças que se juntaram para promovê-lo teria, isoladamente, força para obter a repercussão que a manifestação teve. Primeiro fruto do processo de unificação dos partidos socialistas e dos movimentos populares combativos, a manifestação reuniu milhares de pessoas em diferentes atos, em dezenas de estados, obrigando a mídia a romper o silêncio a respeito dos atos que cada um deles freqüentemente realiza. 

 

É bem verdade que a polícia deu uma boa ajuda para a publicidade dos protestos. Incapazes de distinguir uma pacífica manifestação de uma aglomeração perigosa, provocaram conflitos desnecessários e transformaram em tumulto o que era unicamente exercício do direito democrático de manifestar contrariedade com as políticas do governo. Como nada vende mais jornal do que uma boa foto de populares enfrentando-se com policiais, o resultado da incompetência policial foram manchetes de primeira página.  

 

Mas não se pode exagerar o fator "entrevero". O que de fato "pautou" a mídia foi o volume, a diversidade e a sincronia dos protestos, porque nada assusta mais a burguesia do que povo na rua. 

 

Não podemos esquecer esta experiência, mas não podemos também avaliar incorretamente sua dimensão. O que aconteceu no dia 23 foi apenas um despertar - um despertar que revela, sem dúvida, a superficialidade do proclamado estado de satisfação da massa popular com as políticas assistenciais do governo, mas que não passa disso.  

 

Para que o governo cogite de alterar suas políticas, é preciso muito mais. Para dar sustentação a uma alternativa de esquerda então, nem se diga. Por isso, qualquer indulgência triunfalista pode por tudo a perder. Mas isto é assunto para outro dia. Hoje, é hora de comemorar: estamos de novo na rua.

 

 

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