Edição 770

  • Iraque: americanos não querem sair

    O almirante Mullen foi insistente. Garantiu que a retirada total envolveria uma operação complexa que precisava ser planejada com larga antecedência. E, como um bom vendedor, informou que o governo de Bagdá teria poucas semanas para dizer se quer que tropas americanas não se retirem.

  • Economia no centro da eleição de 2012 dos Estados Unidos

    Embora despesas sociais tenham sido invocadas para justificar o alargamento da dívida, como as da área de saúde, o objetivo real foi o de manter os gastos militares nos mesmos patamares. Satisfeito o intento, o andamento do governo Obama ajuda parcialmente a explicar a guinada ainda mais conservadora dos republicanos.   

  • A força da crise

    A desaceleração chinesa, estagnação dos EUA e recessão européia poderão nos atingir de forma muito grave. A redução nos preços das commodities levará a uma diminuição das exportações, podendo reduzir ou mesmo anular o saldo comercial do país.  

  • Um grito mudo

    Temo que a onda de protestos dê sinal verde ao neofascismo. Pela recuperação do sistema financeiro (dirão “retomada do crescimento”), nossas democracias apelarão às forças políticas que prometem mais ouro aos ricos e sonhos, meros sonhos, aos pobres. 

  • Prepotência e silêncio

    As universidades no Brasil estão a refletir um fenômeno que é mundial, mas entre nós mais perverso, a combinar atos e atitudes de prepotência com o silêncio obsequioso dos que não querem se incomodar. 

  • Despolitização

    O grau de despolitização do nosso povo pode ser aferido pelas reclamações que fazem em relação às prerrogativas e ajudas que os parlamentares recebem para o exercício do cargo: automóvel oficial, passagens aéreas, isenção de tarifa postal; auxílio-moradia. Confusão se faz também em relação à produção do parlamentar. Questiona-se aquele que não apresenta muitos projetos de lei.

  • As primeiras vítimas de Belo Monte

    Antes mesmo de as obras se tornarem visíveis, o primeiro grande impacto do projeto foi um aumento explosivo no preço dos aluguéis: até 400% em um ano! Mas esta é só metade da história. Com mais ou menos sofrimento, os seres humanos por enquanto não são as principais vítimas de Belo Monte.

  • Empate contra o esquecimento: memória, lutas e Arquivos!

    A transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça não teve discussões com a comunidade arquivística e a sociedade. Há a possibilidade de que seja pela documentação do período da ditadura.

  • Cenários incertos

    Se o governo Dilma demorar demais na configuração de um projeto que possa unificar mais firmemente as classes e setores sociais contraditórios que a levaram ao governo, a tendência pode ser um processo de desgaste constante em torno de problemas de corrupção, reais ou fictícios, ou em torno de divergências de porte menor.

  • Análise de discurso do setor de petróleo

    O diretor geral da ANP tem pressa, sem deixar a mínima dúvida, em realizar a 11ª rodada de leilões, além de querer realizar várias outras rodadas. A segunda conclusão é que a presidente Dilma não tem pressa e, talvez, até relute com relação à atratividade de novas rodadas pela lei das concessões (no 9.478).  

  • O condicionamento pela linguagem na cobertura jornalística dos protestos em Londres

    É evidente o distanciamento dos grandes veículos das verdades que explicam as contradições das sociedades capitalistas modernas. Nenhum acontecimento ilustraria tão bem tal afirmação quanto os protestos que há cerca de dez dias acometem Londres, Inglaterra.

  • Violência no Rio: a farsa e a geopolítica do crime

    Quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade. Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.