A privatização da CESP

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O jornal Valor de 2 de agosto traz uma reportagem bastante depreciativa sobre as hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, que foram construídas pela CESP, com dinheiro público.

Observa-se, de saída, que a matéria não foi feita por iniciativa do jornal, mas sim por convite da CTG, feito à repórter Camila Maia, que fez a viagem a Três Lagoas e Ilha Solteira.

Não é plausível que os chineses da CTG tenham feito esse convite para que a repórter falasse bem das hidrelétricas visitadas. Parece claro que sua intenção foi a de colecionar argumentos para, depois:

1.    Justificar um reajuste tarifário;

2.    Intensificar a campanha de desvalorização da Eletrobrás, cuja compra, na bacia das almas, está na mira da CTG.

Quanto ao conteúdo da reportagem (escrita por uma leiga no assunto) observa-se o seguinte:

1.    A eventual substituição dos grupos hidrogeradores daquelas usinas já estava nos planos da CESP, como, aliás, está nos planos de qualquer hidrelétrica. Na hidrelétrica de Furnas, por exemplo, todos os geradores foram recentemente substituídos, com um investimento de 250 milhões de reais. Os chineses alegam ter investido 3 bilhões em Jupiá e Ilha Solteira. Pode ser.

2.    A motorização de uma usina hidrelétrica (instalação dos grupos hidrogeradores) representa apenas uma fração do custo total da obra. As maiores parcelas do custo estão nas desapropriações necessárias para preparar o futuro reservatório; nas obras de terraplanagem (escavações para os desvios provisórios e para as fundações da obra etc.) e na construção da barragem propriamente dita (gigantescos volumes de concreto e de terra).

3.    Toda a instrumentação e controle de usinas construídas na época em que Jupiá e Ilha Solteira o foram, era analógica (décadas de 1960 e 70). Na década seguinte, a substituição da instrumentação analógica, por instrumentação e controle digital, já estava nos planos das duas empresas – e não apenas para Jupiá e Ilha Solteira.

4.    Jupiá e Ilha Solteira, juntas, perfazem uma capacidade da ordem de 5 mil MW (megawatts) instalados. Se os chineses as construíssem agora, aí sim, contribuiriam para expandir o sistema elétrico, mas teriam de investir algo em torno de 40 bilhões de reais (O custo de construção de uma hidrelétrica típica está em torno de R$ 8.000/kW instalado). Em vez disso, preferiram comprá-las já prontas, pela bagatela de 3 bilhões de reais (7,5% do valor real) ou seja, na bacia das almas. Para isto, aproveitaram-se da parvoíce de alguns, da incompetência de outros e da corrupção de muitos, que imperou na secretaria de energia de São Paulo. E, como as usinas já existiam, o “negócio” com os chineses em nada contribuiu para expandir o sistema elétrico.

5.    Calculando-se o custo da energia gerada nas duas usinas a partir do investimento feito pelos chineses, chegaríamos a, aproximadamente, R$ 90/Mwh. Esta energia poderá ser repassada ao mercado por uma tarifa média da ordem de R$ 180/MWh. Portanto, as duas usinas, juntas, têm um potencial lucrativo da ordem de 2 bilhões de reais por ano. Assim, os chineses recuperarão o investimento em pouco mais de 1 ano e sairão rindo da burrice dos brasileiros. Da corrupção eles não riem, porque ai o “bicho pega” também neles.

Há inúmeras empresas controladas pelo Estado que deveriam ser privadas. Certamente a maioria. Estatais basta que sejam aquelas cuja produção seja monopolizável e vital para as demais atividades, como é o caso da energia elétrica.

Joaquim Francisco de Carvalho é ex-engenheiro da CESP.

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