A Assembleia dos Homens Injustos: a nação que não será

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“Voltei-me para outras coisas, vi as operações que se fazem debaixo do sol, as lágrimas dos inocentes e que ninguém os consola, nem eles podem resistir à violência, visto estarem abandonados de todo o socorro. [...].
Vale mais um jovem pobre, mas sábio, do que um rei velho e insensato, que não sabe prever nada para o futuro. (...)” (ECLESIASTES, 4: 1,13)


1.    O TRABALHADOR

Já não há mais direitos...
Justiça nunca houve;
O que que há agora é destino
Incerto e futuro suprimido.

Já não há mais porta-vozes;
O trabalhador caminha solitário,
A dor na noite
Esconde,
A voz já não diz
Embargada.

Já lhe tiraram
O tempo.

Já lhe compraram
As mãos.

Já lhe adoeceram
O corpo.

Agora querem
Lhe consumir
A vida.

(Em canalhices parceladas,
Em ritual miserável,
Preparam o seu ato fúnebre.)

2.    QUE GENTE É ESSA?...

Iam de poderes em poderes
Propinados de dia enchiam a pança
E à noite roubavam festejando;
Depois bebiam e iam dormir
Como crônicos lacaios.

No dia seguinte o noticiário
Revelava que a fome ainda existe
E criança com fome desmaiava
Em escola da capital federal.

É a morte da vida festejada
Em jantares palacianos;
A desumanização dessa gente
Planeja dias piores
E a cortina dos teatros palacianos
Escondem a desgraça
E a miséria.

A vida peleja
Para não morrer,
Tão perto de gente tão bocó
Que governa o país;
Mais e mais
Sofre da tentação insana;
Resiste para não ser,
Como obra dessa gente,
Uma quimera!

3.    LÁPIDES TUMULARES DOS PODEROSOS

Há poderosos que sonham
Em vida lapidar seus túmulos
Com honrosos manuscritos lapidares:
“Fui grandioso estadista, ou presidente,
Ou político influente e endinheirado,
Rico afortunado e lacaio;
Muitas reformas e deformações promovi,
Multidões de gente trabalhadora assolei
E dos que sobreviveram depois de mim
Tornei-os mais miseráveis;
O que seria de mim
Se só fizesse poucas coisas e boas,
Não estariam aqui agora toda essa gente
Lembrando de mim com tanto fervor
Que beira o escárnio bestial!
Aqui jaz um lacaio poderoso,
Que acumulou graças ao infortúnio de muitos,
E de muitos se apropriou, explorou e fez desdém.
Agora, aqui em sua segunda paz..., imagina esses
Muitos miseráveis rodeando seu túmulo, desafortunados
Não podem rir de mim, apenas rangem os dentes
Desesperados, pois não percebiam que eram muitos,
Enquanto poucos eram assim como eu,
Um poderoso lacaio e medíocre que tinha
Muito medo de todos eles,
Pois eles eram muitos, mas parece que não sabiam...
É... vocês são pobres mortais mesmo...
E continuaremos dormindo em paz... (?).”

4.    DESALENTOS

Lamento
Já não sei
O que dizer...

Me redimir
É um gesto
Silencioso...

O vento me
Pegou surpreso
Com as folhas
Secas que
Lança ao vento...

Levantei-me
Na direção do sol
E vi o horizonte...
Me chamando;
Vou precisar acompanhar
O sol poente
Para à noite
Me guiar pela lua...

As estrelas
Misturadas
Ao brilho da lua
Cantam sonetos
Me dizendo:
Desalentos passam,
Os injustos acabarão
Fomentando a mutilação
Que lhes cabe como classe...
Deixe que o
Amanhã
Conspire
Diante do que
Se tornará
O ontem!

Roberto Antonio Deitos é poeta e professor da Universidade estadual do Oeste do Paraná – Unioeste.

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