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Pela reação de alguns
colunistas da imprensa aos textos Nova História Crítica e História da Riqueza
do Homem, tem-se a impressão de que o marxismo, assim como tudo a ele
aparentado, voltou a apavorar mentes e corações. Mas não é só esse medo que
impressiona. Mais impressionante é que
sejam ignorantes sobre tais conceitos, e queiram passar a idéia de saberem como
é a "visão clássica do marxismo".
Sinal evidente dessa
ignorância é pensar todo anticapitalismo como marxista, comunista ou
socialista. Primeiro porque o comunismo, com forte raiz religiosa, surgiu antes
do próprio capitalismo. Segundo porque o socialismo, como utopia de correção
das contradições do capitalismo através da educação, surgiu antes do marxismo.
Terceiro porque o marxismo apenas comprovou que o capitalismo era uma
necessidade histórica e, como tal, também deveria esgotar-se com o tempo.
Ignorância, ainda, porque não
sabem que o marxismo possui essa dualidade. Ignoram que, para o marxismo, o
produto histórico capitalismo não pode ser extinto enquanto não esgotar as suas
potencialidades e contradições. Como não leram O Capital, não sabem que o
capitalismo ali analisado é o capitalismo abstrato, isento das interferências
históricas que dão, a cada capitalismo concreto, características próprias em
cada região do globo.
Se tivessem lido a "visão
clássica" de O Capital, ficariam espantados ao encontrar ali um retrato
quase fiel do capitalismo desenvolvido da atualidade. Encontrariam não só a tão
badalada pujança que ostenta, como também o desolado mundo do trabalho
(incluindo os sem-trabalho), que tal pujança procura encobrir no mesmo retrato.
Em O Capital, melhor do que na História da Riqueza do Homem,
encontrariam as pistas para entender a dialética da história interna das
formações sociais. Estas, para desenvolver plenamente suas potencialidades, são
obrigadas a realizar desvios e retrocessos, em meio aos zigue-zagues da
dialética da história global. Isso poderia ajudá-los a compreender tanto as
vicissitudes do capitalismo, para superar o feudalismo e outros restos
históricos, quanto o fato de o marxismo haver assimilado os conceitos de
comunismo, socialismo e social-democracia, apesar de sua prolongada disputa
teórica contra o comunismo religioso, o socialismo utópico e a
social-democracia parlamentar.
Mas essa ignorância não é
privilégio. Um sem-número de comunistas, socialistas e social-democratas, que
jamais leram O Capital, desdenhou aquela dualidade. Uma parte ignorou a
necessidade do esgotamento histórico das potencialidades capitalistas, e só deu
atenção a seu aspecto anticapitalista. O resultado é a atual crise do comunismo
e do socialismo. Outra parte ignorou a luta de classes, achando ser possível
amansá-la através da divisão menos desigual da "pujança" do capital.
O resultado é a atual crise da social-democracia. Os antimarxistas, por sua
vez, não acreditam naquela dualidade e acham que o comunismo, o socialismo e o
marxismo morreram. O resultado é viveram tendo pesadelos.
Wladimir
Pomar é escritor e analista político.
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