topleft
topright
ISSN 1983-697X
largersmallerreset
A farra dos helicópteros PDF Imprimir E-mail
21-Set-2007

 

 

Há poucos dias, um avião que pousava em Congonhas foi obrigado a arremeter porque deparou-se com um helicóptero a uma distância perigosa.

 

O risco desse procedimento - cabível somente em graves emergências - certamente submeteu os passageiros a perigo e susto. Entretanto, a mídia não deu à notícia o destaque que merecia como sinal evidente da desordem do espaço aéreo. Por que tão pouca atenção a um fato grave? Serão os usuários de helicópteros tão poderosos que ninguém se atreve a perturbá-los?

 

O helicóptero é um meio de transporte caríssimo, ruidoso, poluidor e arriscado. Basta atentar para a freqüência das quedas e pousos forçados desses veículos, muitas vezes em avenidas e estradas movimentadas. Seu uso, portanto, deveria ser restrito a necessidades excepcionais: socorro, vigilância, transporte de altas autoridades em situação de urgência.

 

Mas aqui essa norma de bom senso não vigora. São Paulo tem a maior frota de helicópteros do mundo - título que constitui uma aberração numa cidade que não consegue alojar decentemente sua população, colocar todas suas crianças em boas escolas e nem dar conta do transporte da sua imensa população.

 

É forçoso de exigir da ANAC (Agência Nacional da Aeronáutica Civil) - órgão público responsável pela segurança do transporte aéreo no país - restrições severas ao uso do helicóptero.

 

Leis já existem para regulamentar esse tráfego, mas é mister cumpri-las e aperfeiçoá-las.

 

A cidadania precisa reclamar da Assembléia Legislativa do estado a instauração de uma CPI para examinar os critérios de licenciamento dessas aeronaves, sem limitar-se, contudo, às indagações sobre rotas, horários, altura, estrutura de fiscalização dos vôos. A isso é imprescindível informar-se sobre quem utiliza regularmente helicópteros e para quê. Somente motivos de interesse social evidente justificam os grandes inconvenientes que representam para a população. Cabe ainda pesquisar se não há, entre os usuários, ricaços que simplesmente não querem submeter-se aos inconvenientes do tráfego saturado da cidade, e até mesmo se não existem nesse rol pessoas implicadas em lavagem de dinheiro.

 

Se levarmos em consideração o retrospecto da atuação das autoridades nos casos em que a segurança da cidadania interfere no interesse comercial ou no lúdico dos poderosos, nada vai acontecer. Estarão à espera de uma tragédia de altas proporções para tomar as providências que se evidenciam como necessárias?

 

 

Para comentar este artigo, clique comente.

 
Template desenhada por Joomlashack
Creative Commons License
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates