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Há
poucos dias, um avião que pousava em Congonhas foi obrigado a arremeter porque deparou-se com um helicóptero a uma distância
perigosa.
O
risco desse procedimento - cabível somente em graves emergências - certamente
submeteu os passageiros a perigo e susto. Entretanto, a mídia não deu à notícia
o destaque que merecia como sinal evidente da desordem do espaço aéreo. Por que
tão pouca atenção a um fato grave? Serão os usuários de helicópteros tão
poderosos que ninguém se atreve a perturbá-los?
O
helicóptero é um meio de transporte caríssimo, ruidoso, poluidor e arriscado. Basta
atentar para a freqüência das quedas e pousos forçados desses veículos, muitas
vezes em avenidas e estradas movimentadas. Seu uso, portanto, deveria ser restrito a
necessidades excepcionais: socorro, vigilância, transporte de altas autoridades
em situação de urgência.
Mas
aqui essa norma de bom senso não vigora. São Paulo tem a maior frota de
helicópteros do mundo - título que constitui uma aberração numa cidade que não
consegue alojar decentemente sua população, colocar todas suas crianças em boas
escolas e nem dar conta do transporte da sua imensa população.
É
forçoso de exigir da ANAC (Agência Nacional da Aeronáutica Civil) - órgão
público responsável pela segurança do transporte aéreo no país - restrições
severas ao uso do helicóptero.
Leis
já existem para regulamentar esse tráfego, mas é mister cumpri-las e aperfeiçoá-las.
A
cidadania precisa reclamar da Assembléia Legislativa do estado a instauração de
uma CPI para examinar os critérios de licenciamento dessas aeronaves, sem limitar-se,
contudo, às indagações sobre rotas, horários, altura, estrutura de fiscalização
dos vôos. A isso é imprescindível informar-se sobre quem utiliza regularmente
helicópteros e para quê. Somente motivos de interesse social evidente
justificam os grandes inconvenientes que representam para a população. Cabe
ainda pesquisar se não há, entre os usuários, ricaços que simplesmente não
querem submeter-se aos inconvenientes do tráfego saturado da cidade, e até
mesmo se não existem nesse rol pessoas implicadas em lavagem de dinheiro.
Se
levarmos em consideração o retrospecto da atuação das autoridades nos casos em
que a segurança da cidadania interfere no interesse comercial ou no lúdico dos
poderosos, nada vai acontecer. Estarão à espera de uma tragédia de altas
proporções para tomar as providências que se evidenciam como necessárias?
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