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Como a vida continua,
apesar das trapalhadas de não poucos senadores, as lideranças
camponesas e seus intelectuais continuam enfrentando a questão
das necessidades e interesses das classes sociais com as quais
precisam aliar-se para levar a sucesso a luta pela reforma agrária.
Mas, suas dificuldades permanecem grandes, como podemos ver, voltando
aos biocombustíveis.
O uso de fontes fósseis
de energia, principalmente derivadas do petróleo, aliado ao
desmatamento florestal, à desertificação dos
solos e à poluição das águas, está
causando danos consideráveis ao meio ambiente, à saúde
e à vida sobre a Terra. Produzir energia "limpa"
tornou-se uma necessidade da humanidade, embora os lobistas do
petróleo considerem que isso não passa de balela.
Por outro lado, há
alguns que só aceitam, como fontes "limpas" de
energia, o calor do Sol e os ventos. Tudo o mais, como a utilização
das quedas d'água, marés, urânio, gás
natural, gramíneas, cereais, leguminosas, raízes,
tubérculos, oleaginosas e restos orgânicos em
decomposição, capazes de produzir eletricidade e
combustíveis bio-renováveis, deveria ser considerado
energia "suja", causador de diferentes tipos de danos
ambientais. Esquecem que a produção de células
fotovoltaicas, e de aerogeradores, não é totalmente
"limpa".
No caso dos
biocombustíveis (etanol, diesel "verde", e metano),
a crítica deles é ainda mais forte porque supõem
que sua produção reforçaria a concentração
fundiária e capitalista, como se a produção de
energia solar e eólica estivesse isenta dessa característica
concentradora, que faz parte da natureza do capitalismo. Do mesmo
modo que os ludistas, no século 19, não aprenderam
ainda que o problema não está nas máquinas ou na
tecnologia, mas no tipo de propriedade exercido sobre elas.
Os tecidos, fabricados
pelos teares mecânicos, transformaram-se em commodities
porque eram uma necessidade social. Os biocombustíveis estão
se tornando commodities pelo mesmo motivo. E, como antes, o
capitalismo procura aproveitar-se ao máximo de tal
necessidade, sendo capaz de cometer barbaridades para também
dominar totalmente seu processo produtivo, como vem fazendo com quase
todas as necessidades sociais.
Nessas condições,
o problema da humanidade consiste em aprender como bater-se, não
contra os biocombustíveis ou as novas tecnologias, mas contra
o capitalismo, que os utiliza apenas para seu lucro exclusivo. Sob
este ângulo, os camponeses poderiam redirecionar sua luta, para
aliar-se às classes e segmentos sociais que enxergam nos
biocombustíveis uma nova oportunidade de sobrevivência.
E, do ponto de vista econômico, talvez essa seja uma boa
oportunidade tecnológica para os camponeses cultivarem plantas
produtoras de biocombustíveis, adaptáveis às
pequenas e médias propriedades. Assim, além de ampliar
a luta pela proteção do meio ambiente, poderiam
resgatar a força econômica de seu movimento, como forma
de enfrentar a concentração da renda e do capital.
Wladimir Pomar é escritor e analista político.
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