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Waldir Pires fez na semana que passou o que
deveria ter feito já no ano passado: pegou o seu banquinho e saiu de mansinho.
Um pouco tarde, é bem verdade. Quando caiu o avião da Gol, em setembro último,
esta coluna recomendou vivamente a demissão do então ministro da Defesa. Waldir
Pires é um homem honesto, honrado e competente, mas estava no lugar errado, no
momento errado.
O presidente Lula tinha razões de sobra para evitar
queimá-lo, jogando o experiente Waldir às feras da mídia e da opinião pública
como uma espécie de bode expiatório da crise, e foi em boa medida pelo pudor de
Lula que Waldir permaneceu no cargo.
Com o acidente de Congonhas, porém, a
situação, que já era insustentável lá atrás, chegou a um ponto em que nenhuma
outra ação fazia sentido. Vamos ser claros: Waldir não é o culpado pela crise,
mas perdeu de tal forma a autoridade no ministério da Defesa que já não era mais
um ministro de fato. Teria sido muito melhor se ele tivesse saído antes, mas
Lula insistiu em preservá-lo e a situação só piorou.
Ou o presidente colocava
no ministério alguém com capacidade de gerenciar uma crise, ou teria ele mesmo
que agir neste sentido, o que, além de arriscado, é improdutivo, pois não é
tarefa de presidente lidar com este tipo de questão. Era preciso alguém com
saúde e disposição para enfrentar lobbies poderosos e moral para comandar as
Forças Armadas, coisa que não se encontra facilmente na praça.
A escolha
de Nelson Jobim para substituir Waldir Pires não chegou a surpreender e tem
várias vantagens, do ponto de vista do governo Lula. Primeiro, Jobim é um homem
com excelente trânsito no tucanato, especialmente com o governador de São Paulo,
José Serra. Isto deve ajudar a serenar os ânimos e evitar a politização da crise
aérea.
Jobim possuiu os requisitos básicos para assumir a Defesa: é
experiente - já presidiu um ninho de cobras chamado Supremo Tribunal Federal e
foi ministro da Justiça na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Com este
perfil, portanto, não deve ter grandes dificuldades para impor o seu comando
sobre as três Forças Armadas. Também terá, digamos assim, jogo de cintura
suficiente para encarar os lobistas das companhias aéreas.
Além de todos
esses fatores, Jobim é um homem ambicioso. O desafio da crise aérea é grande,
mas se o ministro conseguir solucioná-lo, vai se tornar um candidato fortíssimo
à sucessão de Lula, pelo PMDB. Não depende só dele, mas a verdade é que a faca e
o queijo estão nas mãos de Jobim. Lula queria tê-lo como candidato a
vice-presidente em sua chapa no ano passado, já pensando em 2010 (ou 2014...).
Por caminhos diversos dos inicialmente imaginados, Jobim pode, sim, se tornar em
uma alternativa negociada para a sucessão presidencial, contemplando o lulismo e
uma parcela da oposição que a rigor em nada se diferencia do PT no poder...
Luiz Antônio Magalhães é editor de política do DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br).
Blog do autor: www.blogentrelinhas.blogspot.com
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