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ISSN 1983-697X
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O tempo está doido! Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Perissé   
11-Nov-2009

 

Tenho ouvido várias vezes, e eu mesmo tenho repetido sem pensar, uma frase cheia de perplexidade: - É, o tempo está doido!

 

Doido tempo porque simplesmente não quer obedecer à nossa lógica. Ficamos espantados se chove demais, se o sol vem e vai embora sem avisar, sem pedir licença.

 

Ficamos escandalizados se faz calor no inverno, se faz frio no verão. Queremos, talvez, abrir um processo contra o tempo quando ele, doido, não obedece às nossas previsões.

 

Mas doido o tempo não é. O tempo nunca foi sensato. Não se pode fazer terapia com o tempo. Nem esperar que ele se comporte como nós, seres tão sensatos que somos. O tempo e seus temporais não são surtos da natureza. Não são manifestações hormonais. São, apenas, naturais.

 

Que idéia doida a nossa, querer que o tempo seja um rapaz cordato, uma senhora recatada, um cidadão responsável, um funcionário pontual, honesto, sem gestos bruscos, sem palavras intempestivas, um moço ajuizado, de temperamento tranqüilo, uma moça com a cabeça no lugar. O tempo não é gente, minha gente!

 

Dizem, e digo eu, que o tempo enlouqueceu, que o tempo está maluco. Devemos então interná-lo num manicômio? Devemos prendê-lo em camisa de força? Devemos ministrar remédios que o deixem calmo, sereno, sem tremores, sem lágrimas, sem febres, falando em voz baixa, chuvisco em nosso ouvido?

 

O tempo, com o passar do tempo, poderá ficar ainda mais louco. Se não tomarmos providências imediatas, o tempo vai amanhecer cada vez mais desgovernado. Poderá tornar-se um problema insolúvel.

 

Já é tempo de dizer ao tempo que ele administre melhor suas emoções, peça conselhos, leia algum tipo de auto-ajuda. Não é fácil, deve ele admitir, vivermos sob tamanho despautério, não é justo que nós, tão prudentes, sejamos vítimas dessa loucura do tempo, de suas enchentes, suas ventanias, manias.

 

Tempo lelé, tempo aloprado que ele é. Tempo biruta, demente, capaz de matar a gente num acesso de fúria. Tempo que me desatina, tempo destrambelhado, desvairado. Tempo mentecapto. Tempo pancada, batendo até altas horas o seu tambor. Tempo pinel.

 

Saio de casa sem saber o que o tempo vai aprontar. Levo guarda-chuva, roupa de inverno, desconfio das nuvens, não me impressiono com a brandura do sol.

 

E, à noite, o tempo não dorme. Fica acordado, tempo lunático, sua insônia me deixa agitado. Também não consigo dormir.

 

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.

Website: http://www.perisse.com.br/

 



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1. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 12-11-2009 12:31
O Tempo de sempre.
Muito interessante a redação que expõe o nosso egocentrismo diante da natureza do tempo que nada mais é que uma manifestação cronológica para marcar sua própria existência e sua independência.  
Se lermos com imparcialidade todos os artigos, notícias e cometários sobre o tempo veremos que a maioria dos formadores de opniões foge da realidade e coloca em primeiro plano a culpabilidade nas ações humanas de uma forma ou de outra. É verdade que isto tenha uma certa responsabilidade, porém, não exclusiva ao todo. 
Se procurarmos saber sobre todas catástrofes e interpéries da natureza registradas ou documentadas pelo homem, veremos que tudo segue mais ou menos um ciclo repetitivo. Foi observando e fazendo comparações que, mesmo leigo no assunto, passei a imaginar que com um determinado tempo de rotação e translação o Planeta Terra vai perdendo seu eixo e até saindo de sua rota em volta do Sol; consequentemente, há um deslocamento de suas placas tectônicas, vai, também, sofrendo uma mutação em seu campo magnético.  
Como a natureza trabalha no sentido de regeneração e recuperação de seu estado original e, faz isto de uma forma mais brusca (em menos tempo), nós percebemos sua devastação pelo choque dessa referida mudança brusca à forma anterior. Depois, disso, por um longo período tudo fica normal até que novamente se faz necessário um novo ajustamento.  
As tecnologias de que o homem dispõe hoje é mais fácil dectetar um fenômeno com antecedência considerável. Atigamente, sem dispor dessas ferramentas, o home fazia previsões semelhantes e eram confundidos com videntes, quando na verdade só atentavam aos ciclos da natureza. Os ciclos da naturez\a determina o tempo. 
A parte que toca a responsabilidade humana na intensidade desse fatos, dos mais comuns aos mais trágicos, está ligada às devastações e aos novos métodos tecnológicos de prever tais eventos da natureza. Isto não tirou do próprio homem o poder de fazer por si só algumas previsões, apenas ele não pode mensurar o tamanho do estrago que está relacionado com suas contribuições devastadoras.

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