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No dia 22 de maio, Jô Soares
utilizou os dois primeiros blocos do seu programa para entrevistar Fernando
Haddad. No final da conversa, interpretando o “aahhh” da platéia, o
apresentador concluiu que ali o ministro da Educação fora aprovado, e “aprovado
com louvor”.
Embora mais jovem, o
ministro Haddad pertence ao tradicional grupo dos intelectuais do PT, ao lado
de Dalmo Dallari, Marilena Chauí, Paul Singer e Maria Victoria Benevides. Ao
que tudo indica, porém, não foram seus textos que chamaram a atenção de Lula,
mas sua capacidade de congregar pessoas em torno de projetos e objetivos. Tal
virtude teria sido o motivo pelo qual o presidente o recomendou para acompanhar
Tarso Genro na pasta da Educação.
Saindo do Ministério do
Planejamento, onde atuava como dedicado assessor, Haddad destacou-se como o
criador do ProUni (Programa Universidade para Todos), que tem beneficiado
muitos estudantes da escola pública sem condições objetivas de cursar o ensino
superior. Quando Tarso Genro foi convocado para apagar outros incêndios
governamentais, Haddad assumiu a Educação. E Lula o manteve no segundo mandato.
Por ocasião do recente
lançamento do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), a Revista Época
(edição n. 467) publicou matéria com título de gosto duvidoso: “Ele vai salvar
a educação?”. Duvidoso, porque de messias e planos salvacionistas já estamos
fartos, e não será um homem solitário, com vocação de profeta e mártir, a
resolver os graves problemas da nossa calamitosa educação.
No entanto, seria muito
conveniente que o MEC exercesse nos próximos anos, tendo Fernando Haddad como
dirigente firme e conciliador, papel de destaque no cenário nacional.
Socialista convicto, mais próximo de Darcy Ribeiro e de Cristóvam Buarque do
que muitos supunham, cabe ao ministro ouvir os anseios dos nossos 3 milhões de
docentes e dos mais de 50 milhões de estudantes brasileiros.
A principal tarefa de Haddad
agora, a meu ver, é catalisar as forças que há décadas lutam pela melhoria da
educação. Além dos professores que trabalham nas salas de aula diariamente, há
ainda pesquisadores, autores, palestrantes, gente da mídia, líderes sociais,
movidos por idéias e princípios diferentes, mas identificados todos com o ideal
de educar.
Momento oportuno, hora de contar com todos eles, se de
fato a questão é concretizar um projeto para o país, e não apenas “tocar” uma
iniciativa de curto fôlego, atrelada a interesses partidários.
Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.
Web Site: http://www.perisse.com.br
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