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ISSN 1983-697X
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Apelo aos ambientalistas Imprimir E-mail
25-Jun-2009

 

O terrível golpe sofrido pelo povo brasileiro com a edição da Medida Provisória 458, que legaliza a grilagem de 67 milhões de hectares de terra na Amazônia, chama a atenção das forças democráticas e progressistas para a necessidade, urgente, de revisão de suas estratégias e táticas.

 

Não há mais como atuar isoladamente. Somente a formação de uma grande frente de resistência às investidas do capital pode ter alguma eficácia.

 

Não é possível, pois, que as entidades ambientalistas, após a derrota acachapante que acabam de sofrer, não percebam que, se tivessem atuado de forma articulada com o MST, com o CIMI, com as entidades de defesa dos afro-brasileiros e com os partidos de esquerda, teriam tido mais possibilidades de vitória.

 

Pode-se até explicar que, num primeiro momento, a maioria dos ambientalistas tenha preferido não misturar o problema ecológico - que é geral e afeta todas as pessoas na direita e na esquerda - com questões conflituosas e divisionistas como a reforma agrária, a desocupação de áreas indígenas, o reconhecimento de quilombos. Mas essa conduta não se explica, hoje, quando a própria disputa ecológica mostra que os interesses contemplados pela Medida Provisória 458 são os mesmos que bloqueiam a reforma agrária e impedem que os direitos constitucionais de povos indígenas e quilombolas sejam respeitados.

 

Todos os que estão preocupados com o risco cada vez mais evidente da iminência de um desastre ecológico precisam tomar consciência de que, no modo de produção capitalista, a depredação da natureza é inerente à lógica do processo de acumulação de capital. Basta ver que um regime comunista como a URSS, que substituiu a classe capitalista russa pelo capitalismo do Estado, não foi capaz de evitar que o Mar Aral (assinalado nos mapas geográficos do começo do século XX) se transformasse em um deserto, pela simples razão de que a lógica interna da economia de produção de mercadorias independe de quem detém o controle do capital. Portanto, quem sonha com ar despoluído, rios de águas cristalinas, alimentos livres de agrotóxicos, respeito aos animais precisa articular sua estratégia ambientalista à estratégia dos outros segmentos sociais que estão lutando contra a exploração das pessoas humanas.

 

Tentar esconder essa realidade é um caminho de fuga e não se supera uma realidade indesejável fugindo dela. Várias forças políticas estão se articulando para barrar a Medida Provisória na Justiça, assim que o presidente a sancionar. Sabemos, porém, que a probabilidade de êxito dessa ação dependerá de um forte apoio da opinião pública. Se a petição dos advogados for endossada por centenas de entidades da sociedade civil, certamente o Supremo Tribunal Federal, cujos julgamentos não podem abstrair as realidades políticas, examinará o caso com muito mais atenção e simpatia.

 

Essas forças políticas estão esperando o apoio das entidades ambientalistas.

 



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1. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 26-06-2009 10:51
Por uma nova civilidade, por um novo mod
Gostaria de reforçar os argumentos deste editorial, sobre a necessária ou mesmo decisiva aliança entre a questão ecológica com a questão social. 
 
Talvez um ponto importante seria evidenciar que, os mesmos mecanismos de exploração do trabalho e acumulação de capital, são justamente os que promovem a destruição dos nossos ecossistemas, entre eles, destacamos: 
 
Valor de troca: Todo o nosso sistema econômico é estruturado para o lucro imediato e acumulação de capital para alguns poucos, nessa lógica, a economia não está alicerçada para satisfazer necessidades humanas. Com isso, a produção necessariamente precisa ser induzida por mais e mais consumo \\\"desnecessário\\\", induzido por práticas como a obsolecência programada e obsolecência percebida, logo, se destroi coisas numa velocidade cada vez maior do que são produzidas, tudo é programada para durar pouco e, com isso, aumentar artificialmente mais e mais o consumo, causando também mais e mais destruição de recursos naturais, mais poluição, caos urbano, doenças, lixo, etc... e a retirada de renda do povo, e estrangulamente dos meios \\\"civilizados\\\" de inclusão, levam muitas pessoas, na luta legítima de sobrevivência, a buscar outros caminhos não civilizados, muitas vezes pautados pelo desespero ou desalento, cujas conseqüências são imprevisíveis (violência, gastos com controle e coerção, gastos bélicos, etc) 
 
Nesse contexto, como o trabalho, no modo de produção capitalista, é uma mercadoria, não se busca ganhos em termos de eficiência sistêmica, ou seja, produzir coisas melhores, com maior tempo de duração, maior racionalidade, melhor utilidade social, menor agressão ou exploração ambiental e também com a consequente redução do tempo de trabalho necessário (e maior tempo livre para TODOS). Ao contrário desta possibilidade e alternativa concreta, tamos uma produtividade que vem apenas a aumentar a produção de coisas \\\"inúteis\\\" ou de curtíssima durabilidade, externalidades negativas (ou seja, mais produção para \\\"cobrir\\\" ou compensar essas externalidades, como a questão dos transportes, aparatos de repressão), e excesso de trabalho para poucos, precarização e desemprego para muitos... 
 
Ao mesmo tempo que temos uma distruição, INJUSTA e DEFORMADA, da riqueza social (pois os que efetivamente produzem riqueza não desfrutam dela, são literalmente \\\"roubados\\\"), a forma da riqueza é irracional, pois a destruição e as externalidade negativas criados são maiores que os benefícios efetivos. Temos também como resultado desta lógica a alta concentração de poder econômico, o que vem a impactar diretamente no poder político, aprisionando a Gestão Pública na manutenção do estabelecido, e não como MEIO para o bem estar de um POVO... 
 
Nesse contexto, consumir mais e mais é necessário para gerar empregos, mas aumenta a destruição ecológica... diminuir o consumo para promover a sustentabilidade dos recursos naturais pode levar a crises econômicas e mais desemprego ou precarização... 
 
Tendo em vista tais \\\"armadilhas\\\", é que concluimos que é necessário ou condição para almejarmos um outro patamar de civilidade, as seguintes combinações críticas: necessidades humanas com a preservação dos ciclos ecológicos de sustentação da vida, e desenvolvimento tecnológico voltado para mais riqueza para todos, menor uso irracional des recursos naturais e diminuição do tempo de trabalho socialmente necessário, uma produtividade inteligente.  
 
Do ponto de vista dos meios, podemos arriscar, como cruciais, três dimensões: 
 
Sistema econômico e produtivo centrado no valor trabalho e valor de uso e não na acumulação e mercadorização de tudo e de todos, e negação ou mesmo superação da propriedade privada (de poucos) dos meios de produção;  
 
Sistema de gestão da produção baseado na autogestão orgânica e sistêmica (e não na lógica burocrática de separar os que pensam dos que executam, os proprietários dos trabalhadores) 
 
Sistema político baseado na democracia plena - estruturado por instuições de coordenação inter-regionias e inter-povos e nações, e mecanismos de democracia direta e participativa o mais próximo possível das comunidades ou das pessoas. 
 
Espero, de algum forma, ter contribuido para o debate sobre a necessária composição de forças e projetos.

2. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 26-06-2009 12:35
O ambientalismo é um movimento social?
O ambientalismo é um movimento social? Se for, por que não consegue integrar-se na agenda comum dos demais movimentos sociais e populares? 
 
É evidente que é um movimento social, mas creio que herdamos um equivoco de origem a partir do ambientalismo europeu, muito próximo dos movimentos pacifistas, mas sem ligação com as questões de cidadania. 
 
A Europa já não precisa discutir os temas essenciais de cidadania, tão presentes nos paises em desenvolvimento. Precisamos nos preocupar com exclusão social e econômica; educação; saúde; emprego/renda; trabalho escravo/degradante; desenvolvimentismo predatório; direitos indígenas; quilombolas; populações tradicionais; reforma agrária, etc. 
 
Raras ONGs ambientalistas conseguem traçar uma agenda comum com os agentes sociais e os movimentos populares como a CPT, o MST, o MAB, as organizações de defesa dos direitos humanos, dos indígenas, dos quilombolas. 
 
Reafirmo que isto pode ter sentido na Europa, mas no caso do Brasil e demais paises em desenvolvimento isto é ilógico. 
 
Felizmente a imensa maioria dos militantes ambientais já superou a fase inicial do movimento, baseado na defesa “das plantinhas e bichinhos”, mas acredito que precisamos dar um passo além de nossos companheiros europeus, que não precisam e não querem questionar o modelo de desenvolvimento de seus países. 
 
No Brasil e nos demais países em desenvolvimento, adotamos um modelo de desenvolvimento socialmente injusto, economicamente excludente e ambientalmente irresponsável e este é o grande tema que nos aproxima de todos os demais movimentos sociais. Pelo menos deveria nos aproximar. 
 
Se não questionarmos o modelo de desenvolvimento, ficaremos presos a temas meramente acessórios, em um ambientalismo de butique que não vai muito além de discutir as sacolinhas de supermercado ou fazer a separação do lixo reciclável. 
 
Também não podemos deixar de lado o atual padrão de consumo, que é evidentemente insustentável. Consumo sustentável supõe grandes mudanças culturais, com significativos impactos sociais e econômicos. 
 
Uma agenda ambiental, minimamente coerente, resultará em impactos sociais e econômicos em escala global. Se não compreendermos isto, continuaremos tratando câncer com aspirina. Ou pouco mais que isto. 
 
Estas questões sem resposta são fortes argumentos para que nos aproximemos dos movimentos sociais e populares, que questionam e lutam contra estas seqüelas do modelo de desenvolvimento e de consumo. 
 
A única diferença é que eles estão tratando dos temas e agindo em escala local e o ambientalismo deve agir em escala global porque a crise ambiental não reconhece fronteiras. 
 
Reafirmo que não tenho as respostas, mas também reafirmo a minha convicção pessoal de que precisamos de uma ampla reflexão, de uma severa autocrítica no que fazemos ou propomos e de humildade para nos integrarmos aos demais movimentos sociais, companheiros de jornada por um outro mundo possível. 
 
Ou, então, assumimos um mero e decorativo ambientalismo fashion, fazendo de conta que é o suficiente. 
 
Henrique Cortez,  
coordenador do portal EcoDebate

3. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 26-06-2009 16:41
Apelo a verdade dos fatos e atos (secret
Perda de tempo. 
No varejo, o governo do PT de Lula e do chantagista PMDB é solidário e até garante-lhes recursos para auto-gestão e sobrevivência político-administrativa como ocorre com todos esses movimentos sociais citados no editorial, que estão na folha de benesses do governo. Na estratégia do poder, esses movimentos fazem o papel de boi de piranha e figuração política para dar verniz progressista e democrático ao país. 
No atacado, nunca citado seus \"atos secretos\", esse mesmo governo garante seu projeto de poder duradouro a qualquer custo negociando com a elite conservadora, rentista e agrária do país, tendo como principal moeda política o PMDB. 
Por exemplo, na terra sem lei do Pará, os movimentos sociais e ambientalistas se mobilizam bravamente, até com recursos e sustentação de governo, mas vale mesmo e prevalece a aliança do governo Lula com Jader Barbalho & Cia que controlam a máquina estatal e jurídica a favor dessa aliança espúria e criminosa à causa social e ambientalista. Sem chance. Esse é o preço de se governar pelo poder e para o poder em si. 
O deslumbrado Lula não percebe que, num futuro próximo de cataclisma climático pode, num abraço de náufragos com o Primeiro Mundo consumista, tornar-se um réu do crime de lesa humanidade e de lesa natureza do planeta Terra.

4. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 27-06-2009 16:49
Apelo a verdade dos fatos e atos (secret
Prezado Professor, 
sem duvida suas judiciosas considerações constituem uma contribuição positiva para o debate que o editorial do Correio da Cidadania procurou levantar. 
Muito obrigado, Plinio

5. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 27-06-2009 16:52
Apelo a verdade dos fatos e atos (secret
Prezado Henrique, 
Excelente sua argumentação a respeito das diferenças entre a luta dos ambientalistas na Europa e aqui no Brasil. Este é o debate que o editorial pretende levantar. 
Muito obrigado pela sua contribuição, 
Plinio

6. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 27-06-2009 16:56
Apelo a verdade dos fatos e atos (secret
Prezado João Carlos 
Não concordo que levantar tanto o problema etico como o problema ambiental, embora, tal como voce escreve, não tenho dúvida de que o governo continuará fazendo as barbaridades que está fazendo. O importante dessas denuncias aparentemtne inuteis é a contrução de uma opinião pública. 
Hoje ela está anestesiada. Mas, não se engane: se formos persistentes, amanhã ela acordará, 
Muito obrigado pelo seu comentário. 
Plinio

7. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 29-06-2009 23:20
Movimento Popular
Estou de prontidão para o movimento popular, com assinatura e presença próximo até 200KM de distancia do domicilio em defesa do meio ambiente e do uso da terra

8. Escrito por pliniosampaio@cidadania,org.br em 30-06-2009 18:09
Movimento Popular
Prezado Marcos 
É assim que se fala, companheiro! Breve voce encontrará, aqui mesmo no Correio, a forma de "tacar" sua assinatura na ADIN (Ação Declaratoria de Inconstitucionalidade) que está sendo preparada para fulminar a agora lei. 
Abraço, Plinio

9. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 03-07-2009 10:10
Apelo aos ambientalistas
Concordo o pelnamente com o chamamamento que foi feito no editorial. Para ilustrar e reforçar essa idéia, aqui em Santa Catarina as forças retrógradas da assembléia legisaltiva, governo do estado e os representantes do agribusines conseguiram aprovar o Novo código (de destrição) ambiental de SC, e o que é pior o mesmo contou com o apoio de segmentos dos pequenos produtores familiaresdo estado.  
O grande erro foi que foi subestimarmos a capacidade de mobilização do agronegócio e a desarticulação das forças progressitas, que achavam que a justiça (art 24 da constituição) e uma opinião pública difusa em pról das questões ambientais seria o suficiente para barrar esse movimento, que está ganhando ainda ìmpeto em nível federal.  
Que sirva a lição, ou fazemos um grande movimento em âmbito nacional para enfrentar essa ofensiva do atraso e do reacionarismo, ou as coisas irão ficar pior do que já estão. 
 
Cláudio r. de Miranda 
Eng Agrônomo

10. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 03-07-2009 13:59
Apelo aos ambientalistas
Cada vez fica mais claro para muitos , da urgência da união desses amplos setores sociais em prol de outra outra forma de sociedade. Cada vez mais , mais seres humanos despertam para essa dura realidade, que é necessário mudar esse rumo ao desastre e tirar o timão do mundo das mãos da ganância do capital e de seus donos , gerentes e ideólogos. Mas acredito que o apelo não deva ser feito somente aos ambientalistas , mas também à outros movimentos sociais e às instituições citadas pelo articulista.

11. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email em 04-07-2009 23:52
Surgimento da União dos Jovens Ambiental
Importantíssimo esse editorial. Sou um jovem, 18 anos, estou iniciando o ensino superior, e acompanhei todo o processo da MP 458, especialmente as decisões no Senado, e me senti tristemente impotente com o seu desfecho, ainda mais não encontrando uma única manifestação nas ruas ou atenção popular. Senti a urgência da mobilização e participação popular nestes casos, e movido por esse sentimento estou iniciando um movimento, a UJA(União dos Jovens Ambientalistas), com o objetivo de unir os jovens ambientalistas, para que juntos tenham força e voz na sociedade, exponham suas opiniões e participem das movimentações. Gostaria do apoio da mídia para divulgar essa causa nobre e realizar o objetivo de unir muitos jovens.

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