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Uma reflexão de ordem estratégica
para esta semana.
Os últimos anos e o início do segundo
mandato do governo Lula foram pródigos em exemplos da manutenção da
subordinação do país à agenda e lógica do capitalismo na sua fase imperialista
ainda mais predadora. O capital financeiro, compreendido como um autêntica
oligarquia produto de uma maior fusão de capitais bancários com industriais, dá
as cartas no planeta.
O fracasso do governo Lula como
instrumento de mudanças e de resistência a essa agenda de rapinagem da
“globalização” quebrou a unidade de classe, que foi forjada na segunda metade
dos anos setenta. Tal situação trouxe enorme confusão e desalento.
Pois não é nada esperançoso
perceber que essa agenda geral de ataques e contra-reformas exigidas pelo
grande capital é capaz de sintonizar um governo oriundo do acumulo das classes
trabalhadores com os tradicionais partidos da direita, oligarquias e grandes
capitães da classe dominante, como se verifica em questões como reforma da
previdência, da trabalhista, entre outras graves questões de conhecimento
público.
De outro lado, têm surgido sinais
animadores de deslocamentos dos movimentos mais combativos contra essa agenda,
reativam-se com maior disposição as demandas de ações e mobilizações setoriais
e unitárias.
No ano passado, a busca da
unidade de uma frente de resistência e combativa esteve marcada pela frente
eleitoral de esquerda. Neste ano, os espaços e articulações unitárias crescem e
avançam para um terreno mais promissor: o das lutas sociais.
Seguramente a consolidação de uma agenda e uma formatação
mais unitária entre diversos setores da classe trabalhadora e dos movimentos
populares, a recuperação da auto-estima e confiança de classe, diante de cenário
tão difícil, vai recolocar com mais força o debate sobre qual o projeto
defender, qual a saída estratégica para o país que precisa ser resgatada.
O ponto de partida dessa reflexão
é que a situação de subordinação do capitalismo e do Estado brasileiro, da sua
classe dominante e a incorporação ao status quo da governança petista,
recoloca nesse momento de recomposição e deslocamentos a retomada de um projeto
socialista para o Brasil.
É preciso retomar com força na
agenda do debate a idéia e a estratégia da revolução.
Estamos diante de um novo ciclo
histórico que impõe uma nova e necessária acumulação de posições para um
projeto de ruptura e mudanças. Mas nada disso terá sentido se for para repetir
o passado ou ser uma re-edição de mais do mesmo.
O caráter hermético do
capitalismo dependente aos interesses populares, que se aguça na atual fase
predatória do imperialismo, não permite que se pense a transição para o
socialismo a partir de um longo acumulo de forças pela conquista de reformas
dentro do capitalismo. É a lição fundamental que deve ser extraída do resultado
final da experiência lulista-petista.
Nas condições do capitalismo
“globalizado” e financeirizado, na impossibilidade histórica de conciliar
capitalismo, democracia e soberania, as demandas de uma revolução democrática e
nacional para se efetivarem devem assumir a forma da revolução socialista.
Ou seja, o desdobramento da
revolução brasileira é uma articulação das tarefas da revolução democrática,
cujo objetivo é superar a segregação social, e da revolução nacional, que tem
como finalidade desvencilhar o Brasil do domínio imperialista com a dinâmica
da revolução socialista, cuja essência consiste em acabar com a propriedade
privada dos meios de produção e com o Estado nacional como forma de opressão
dos trabalhadores.
Fernando Silva é jornalista, membro do Diretório Nacional
do PSOL e do Conselho Editorial da revista Debate Socialista
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