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Os
dois vencedores do primeiro turno das eleições presidenciais francesas -
Nicolás Sarkozy e Ségolène Royal - travaram uma disputa judicial, vencida pelo
primeiro.
Ségolène
convidou o derrotado, mas bem votado, François Bayrou para um debate
televisado. Sarkozy, o vencedor do primeiro turno, foi à Justiça e impediu o
debate.
Motivo:
a lei francesa assegura o mesmo tempo de exposição na mídia a todos os
candidatos. O debate exporia Segolene mais tempo do que Sarkozy. Não pode.
A
França está longe de ser uma democracia verdadeira. Se fosse, os jovens de
origem árabe não precisariam estar queimando carros para se fazerem respeitar.
Mas,
comparada com a brasileira, a democracia francesa ganha de dez a zero.
Lá,
até candidatos de partidos com menos de 1% de eleitores ocupam o mesmo tempo de
mídia que os demais.
É
lógico e absolutamente justo, pois, de outro modo, como podem os pequenos
partidos crescer? O PSOL, por exemplo, dispôs de apenas alguns segundos no
horário eleitoral. Por isso, a maior
parte dos eleitores não ficou sabendo sequer o nome dos seus candidatos a
governador.
Se
os pequenos partidos não tiverem condições de crescer, não há como fazer valer
o princípio básico da democracia: a possibilidade de a minoria tornar-se maioria.
É precisamente
isto o que a classe dominante brasileira quer. Tendo o controle do instrumento
eleitoral decisivo - a televisão -, ela o utiliza para deixar os pequenos
partidos ideológicos - os únicos que podem ameaçar seu domínio - diante do
dilema: abrir mão do programa ou abrir mão do acesso ao poder pela via
eleitoral. O PT resolveu esse dilema pela primeira alternativa.
Não
se diga que se tempo de televisão fosse igual para todos, as legendas de
aluguel iriam faturar um absurdo. Dispondo de muito tempo, elas mais se
desmoralizariam do que avançariam eleitoralmente. Em compensação, os pequenos
partidos ideológicos teriam condições reais de apresentar alternativas sérias
ao eleitorado.
Vamos ter que lutar muito para chegar lá.
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