Instituições reacionárias, capachos do capital, criminalizam MST
Escrito por Waldemar Rossi
26-Jun-2008
Aproveitando-se da incompetência ou da conivência do governo federal, sem disposição para levar avante a reforma agrária – bandeira de frente das campanhas do seu partido durante 22 anos –, os latifundiários e as empresas agrárias estrangeiras se aproveitam para avançar sobre as terras brasileiras e para corromper as já tão nodoadas Instituições Estaduais e Nacionais. O Congresso Nacional se curva diante das pressões do lobby do latifúndio exercido através dos congressistas ruralistas, aprova leis que o beneficiam, se mantém imóvel ante o desrespeito das leis que deveriam punir trabalho escravo, se cala diante de tantos crimes cometidos contra trabalhadores e pequenos proprietários rurais, contra as nações indígenas que ainda resistem em defender seus direitos e em não serem extintas definitivamente. Aprova as Medidas Provisórias do governo Lula que liberam o plantio de sementes transgênicas e que legalizam a prática da grilagem sobre as terras devolutas.
Nos estados, governos colocam a polícia para reprimir com violência os trabalhadores rurais sem terra (assim como aos demais trabalhadores), defendendo grandes grileiros e empresas predadoras da natureza, como acontece no Pontal do Paranapanema (SP) e em vários outros estados, como no Pará, Amazonas, Mato Grosso, Paraná e, especialmente, no Rio Grande do Sul.
No estado dos Pampas, governado pela tucana Yeda Crusius, armou-se um verdadeiro complô contra a Constituição brasileira:
"Um relatório secreto do Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul decreta guerra ao MST, prega dissolver o movimento a bem da ‘segurança nacional’ e define linhas de ataque ao movimento. A ata secreta de reunião no dia 3 de dezembro do ano passado revela que o Conselho constituiu uma força-tarefa para ‘promover uma ação civil pública com vistas à dissolução do MST e à declaração de sua ilegalidade’.A diretriz, que está sendo executada de forma articulada com a Justiça e a Brigada Militar, é a de acuar o movimento em várias frentes: proibir marchas e deslocamentos em massa dos sem terra; investigar os integrantes de acampamentos e dirigentes quanto ao uso de verbas públicas; intervir nas escolas do MST; impedir a presença de crianças e adolescentes nos acampamentos; nos assentamentos, comprovar desvios de finalidade da terra; promover investigação eleitoral ‘nas localidades em que se situam os acampamentos controlados pelo MST, examinando-se a existência de condutas tendentes ao desequilíbrio deliberado da situação eleitoral’; e atuar para cancelar os títulos de eleitor dos assentados".
"A decisão teria de ficar sob sigilo por 10 anos, mas veio a público quando foi anexada como prova de uma denúncia feita à Justiça pelo MPE contra acampados do MST em duas áreas cedidas por proprietários na proximidade da Fazenda Coqueiros - a inicial da ação esclarece que os promotores tomam essa iniciativa baseados na diretriz do Conselho. Também foi anexado um relatório do Serviço Secreto da Brigada Militar (PM2). A ofensiva do Ministério Público, a pronta anuência de juízes e uma rápida mobilização de efetivos da Brigada Militar montam o cenário de uma Guerra Fria particular: o MPE aciona a Justiça usando um discurso ideológico; o juiz decide em favor da preleção dos promotores; a Brigada Militar responde prontamente às ordens judiciais". (Maria Inês Nassif – redatora de OPINIÃO – com o título de "A Guerra Fria do MP gaúcho – VALOR, 26 de junho de 2008 - Obs.: os grifos são nossos).
Não podemos nos esquecer de movimentos políticos golpistas, em tempos não muito remotos, que levaram à implantação da ditadura militar no Brasil, instalando o império do terror conta o povo brasileiro. Aquele começou em Minas Gerais. Este se desenvolve no Rio Grande do Sul, com a conivência dos tucanos no seu governo.
É chegada a hora de dar um solene "basta!", a começar pelos partidos que se dizem ainda de esquerda. Sem dúvidas, ao PT cabe a maior responsabilidade porque governa o país. Mas cabe também aos demais - que vivem ocupando os espaços de TV para dizer ao povo que são mais democráticos que os outros.
Responsabilidade maior, sem dúvidas, cabe a todos os movimentos e entidades sociais, de modo especial à OAB, ABI, CNBB, CONIC, CUT e outras centrais. Ao próprio MST cabe a tarefa de rever sua estratégia diante do governo Lula, que não vem cumprindo suas promessas históricas (A reforma Agrária a gente resolve numa canetada), que até agora nada fez para realizá-la, tornando-se o maior responsável pelos desmandos que vêm sendo praticados no Brasil, principalmente a violência contra o conjunto dos trabalhadores.
Ou o movimento social reage como deve e pode, ou nova ditadura – ainda que sob disfarces – se instalará no país. Que o diga o RS.
Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.
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