topleft
topright
Os Promotores de Justiça e as eleições “de mentirinha” PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ariadne de Fátima Cantú da Silva   
08-Mai-2008

 

São Paulo e outros estados elegeram o Procurador Geral de Justiça, chefe da instituição e pessoa sobre a qual recai a incumbência de chefiar o Ministério Público Estadual e também um grande número de atribuições, dentre as quais a legitimidade para processar criminalmente os prefeitos municipais e autoridades com prerrogativas de foro e atos de improbidade administrativa das mais altas autoridades do Estado.

 

Os promotores, assim como o Procurador Geral de Justiça, servem à população, pois além de serem detentores exclusivos da legitimidade para propositura da ação penal pública, a lei determina que sejam seus emissários na luta e defesa pelos direitos e garantias fundamentais e, portanto, incondicionais defensores da ordem jurídica e do regime democrático.

 

O sistema legal vigente seria quase perfeito se não fosse por um detalhe crucial: os promotores não elegem o procurador geral, isto porque a lei em vigor determina que o "governador" o faça, a partir de uma lista de três nomes, que os próprios Promotores de Justiça elaboram, podendo o governador escolher discricionariamente o mais votado ou o menos votado.

 

Quem perde com isso? Quem ganha com isso? Em pesquisa recente sobre o índice de confiabilidade de algumas instituições brasileiras, realizada pelo IBOPE e catalogada sob o número 165/2006, o Ministério Público ficou com 44%, o Poder Judiciário com 40% e a polícia com modestos 33%. E neste caso é imperativo concluir que quem perde é a sociedade, por ver atrelado o representante máximo do Ministério Público ao poder executivo, quando a este lhe incumbe fiscalizar.

 

Esta relação "incestuosa-discricionária" facultada pela lei, que permite a intervenção do governador na indicação do chefe do Ministério Público, vem recebendo severas críticas país afora e mobilizando a Conamp (Confederação Nacional do Ministério Público), que tem disparado cartas e mais cartas a diversos estados que se encontram escolhendo o chefe do MP, na luta pela legitimidade da vontade da classe. Esta é a vontade das associações de classe.

 

Internamente, os efeitos de uma eleição que não corrobora o desejo da classe vão muito além de um simples descontentamento. Geram também uma instabilidade perigosa, visto tratar-se de uma classe profissional com tantos poderes constitucionais. Novamente, todos perdem. Perde a sociedade e perdem os Promotores de Justiça.

 

Para que servem, então, as eleições para Procurador Geral de Justiça se na prática um candidato pode efetivamente figurar na lista tríplice com parcos votos e, portanto, com pouca ou nenhuma legitimidade vir a assumir a chefia da instituição? O que se sabe é que esta segunda etapa do processo eleitoral se dá de forma sigilosa e a "campanha" é desconhecida tanto pelos Promotores de Justiça quanto pelo público, que é o maior emissário do trabalho do Ministério Público. Outra vez, todos perdem.

 

Com as eleições para prefeitos municipais deve-se voltar à questão inicial da legitimidade e liberdade que deve nortear a atuação dos Promotores de Justiça, servindo de lastro de lisura e independência para proporcionar efetivo abrigo aos interesses constitucionalmente assegurados à sociedade.

 

A população, embora não possa votar para eleger os procuradores gerais de justiça, como fazem os americanos, deve saber como o processo funciona para que possa cobrar de seus administradores a liberdade que o Ministério Público precisa ter para defendê-los.

 

Ariadne de Fátima Cantú da Silva é Promotora de Justiça.

 




  Comentários (3)
 1 Promotores de Justiça
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 10-05-2008 09:23
É isso aí, Ariadne. E o mesmo precisa acontecer a nivel Federal. E porque não o caso das nomeações para os Tribunais Superiores? Para o "acesso" às vagas deveria ser promovido um concurso com critérios claros, definidos e verdadeiramente democráticos. Isso precisa mudar.
 2 Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 10-05-2008 18:06
A população elege o governador, a população não elege os promotores. É bom que o governador possa escolher. Se a população elegesse os promotores, aí a conversa seria outra.
 3 Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 13-05-2008 22:46
E eu achava que essas famigeradas listas tríplices era somente coisa de escolher reitor de universidade.

Escrever comentário
  • Por favor, o assunto do seu comentário precisa ser relevante ao assunto do artigo.
  • Ataques pessoais serão deletados.
  • Por favor, não use os comentário para fazer propaganda de seu site ou será deletado.
Nome:
E-mail
Homepage
Título:
Comentário:

Código:* Code
Quero ser contactado por e-mail avisando sobre comentários

Powered by AkoComment Tweaked Special Edition v.1.4.6
AkoComment © Copyright 2004 by Arthur Konze - www.mamboportal.com
All right reserved

 

Resenha

Kaputt, de Curzio Malaparte
livro_kapput.jpg 
Observações sobre as
atrocidades cometidas
pelos exércitos alemão
e russo na 2ª Guerra Mundial.
Ler mais...
 


Brasil_de_fato
Adital
Revista Forum
Banner_observatorio
Template desenhada por Joomlashack
Creative Commons License
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates